Isso está a anos-luz de “querer chegar ao poder a qualquer preço”. Essa é, isso sim, a prática de algumas grandes legendas, com seus financiamentos milionários e seus esquemas empresariais tantas vezes mascarados.
É absolutamente improcedente afirmar, como foi feito, que nos interessa “a ação de vândalos que destroem o que encontram pela frente e até matam de propósito ou sem querer” ou que “alguns dos nossos integrantes chegam ao ponto de financiar” essas iniciativas.
O fato de defendermos, com entusiasmo, as mobilizações populares, não nos coloca em patamar de concordância com tudo o que nelas ocorre. Por diversas vezes já manifestamos nossa divergência com essas táticas que, costumeiramente, reforçam o que supostamente dizem combater, e que têm esvaziado os próprios atos públicos, para alegria dos conservadores, negocistas e beneficiários do conformismo geral.
Por dever de racionalidade, o PSOL só estabelece acordos com aqueles com quem pode dialogar, cara a cara, em torno de princípios, ideias e causas. Com grupos que rejeitam partidos, ritualizam a agressividade e não aceitam diretrizes coletiva e democraticamente debatidas, não temos qualquer interlocução.
A quem interessa esse jogo político baixo, eivado de acusações levianas destituídas de qualquer fundamento, que desrespeitam a própria dor da família de Santiago Andrade e das de outros vitimados – inclusive em decorrência de truculência policial – desde junho do ano passado?
Certamente aos que querem o imobilismo, a aceitação passiva de ‘tenebrosas transações’ que os megaeventos propiciam e a rotina de patrimonialismo, caciquismo, hipocrisia e mentira que as forças dominantes na política brasileira reproduzem.

