A ameaça de ataque à Síria por parte do governo norte americano foi o tema do pronunciamento do presidente do PSOL, deputado Ivan Valente, na sessão desta quinta-feira (05), na Câmara dos Deputados. Para o líder do partido, a decisão dos Estados Unidos em promover um ataque militar contra aquele país reacendeu, em âmbito internacional, a discussão sobre a legitimidade e eficácia desta ação, “que em muito se assemelha à conduta estadunidense quando, sob o governo Bush, resolveu iniciar a guerra do Iraque, dez anos atrás”.
Ivan Valente questionou a atitude do presidente Barack Obama, considerando que ainda não há comprovação por parte dos organismos multilaterais de que o governo Sírio seja realmente o responsável pelo ataque químico. Além disso, segundo o presidente do PSOL, muito provavelmente o resultado deste ataque será a morte de civis, como ocorreu no Iraque.
“Embora não se possa descartar que o próprio governo tenha tomado esta atitude, considera-se também que o mando desta ação possa ter vindo de setores do Exército, seja por descontrole ou quebra de hierarquia, ou tenha partido de algum setor dos rebeldes, que tem obtido aceso aos mais variados tipos de armamentos devido à proliferação do tráfico de armas no país durante a guerra civil”, pondera o presidente do PSOL.
De acordo com Ivan Valente, com tantas lacunas e a falta de confirmação por parte da ONU ou da maioria dos países que integram o Conselho de Segurança sobre quem realmente foi o responsável pelo ataque, a decisão dos EUA em atacar a Síria faz lembrar o mesmo cenário em que se deu a deflagração da guerra contra o Iraque, em que as “provas” do governo Bush sobre a existência de armas químicas como justificativa para o ataque nunca foram apresentadas. Para ele, “serviram, como agora, de um argumento unilateral”.
Em seu pronunciamento, o deputado lembra, ainda, que em comunicado, emitido no último dia 30, os países da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (Alba-TCP) – condenaram qualquer tentativa de intervenção militar estrangeira na Síria. A Alba-TCP é integrada por Equador, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, Cuba e Venezuela.
“Denunciamos que as ameaças dos governos dos Estados Unidos e seus aliados contra a Síria repetem o mesmo padrão de mentiras e manipulações utilizado contra a Líbia, Iraque e Egito, entre outras nações, o que apenas confirma que buscam controlar a riqueza petrolífera da região e expandir os mercados ocidentais”, afirma trecho do comunicado especial do organismo latino-caribenho.
O presidente do PSOL, ao reafirmar seus questionamentos quanto à sinalização do governo norte-americano, ressalta que o partido é favorável a uma saída negociada para a crise na Síria, que respeite a autodeterminação do povo e a vida da população. “Não confiamos nas ações dos EUA e denunciamos sua arrogância e prepotência em utilizar-se da defesa da democracia apenas como pretexto para defender seus interesses econômicos, políticos e militares nas diversas regiões do mundo, e em particular no Oriente Médio, onde a disputa pelas riquezas petrolíferas tem sido o pano de fundo das guerras feitas em nome da humanidade e da democracia. Somos contra esta farsa e mais esta tragédia”, finalizou Ivan Valente, eu seu pronunciamento desta quinta-feira (05).
Secretário geral a ONU pede “solução política” para a Síria, mas G20 segue dividido
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu aos líderes do G20 nesta sexta-feira (06/09) que seja encontrada uma solução política para a crise humanitária “sem precedentes” na Síria. Segundo informações do site de notícias Opera Mundi, a questão do conflito sírio não estava na agenda oficial da cúpula, mas o secretário-geral abordou o tema já durante o jantar de trabalho na noite desta quinta (05/09). A cúpula do G20, que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, começou oficialmente nesta quinta-feira (05/09) na cidade russa de São Petersburgo e durará dois dias.
Ban Ki-moon disse que o mundo deve fazer “de tudo” para acabar com o sofrimento do povo sírio e pediu ainda que sejam estudadas todas as opções possíveis para evitar uma maior militarização do conflito.
Ainda de acordo com o Opera Mundi, o representante da ONU destacou o custo humano do conflito, lembrando que mais de 100 mil pessoas já morreram, 4,25 milhões foram deslocadas dentro do próprio país e 2 milhões de sírio estão refugiados no exterior.
Já o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse hoje que qualquer ataque militar dos EUA contra a Síria seria um grande atraso para as conversas que vêm acontecendo há tanto tempo.
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (06), o presidente russo, Vladmir Putin, afirmou que o país vai “apoiar” a Síria em caso de “ataque militar estrangeiro”.
O presidente russo disse que as opiniões estão dividas no G20. EUA, França, Árabia Saudita, Canadá e Turquia defendem a intervenção militar. Putin lembrou que o primeiro-ministro britânico, James Cameron, também apoia a ação militar, mas o parlamento do Reino Unido foi contra. A chanceler alemã, Angela Merkel, já disse que prefere não participar da possível intervenção. Já se posicionaram contrários a uma ação na Síria, segundo o próprio presidente russo, a Índia, a China, o Brasil, a Indonésia, a Argentina, a África do Sul e a Itália.

