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Diretório Nacional do PSOL aprova resolução de conjuntura rumo às eleições de 2026

O Diretório Nacional do PSOL, reunido neste sábado (18) em São Paulo, aprovou uma resolução sobre a conjuntura política atual e indicando os principais objetivos e desafios do partido rumo às eleições deste ano.

Derrotar de vez o bolsonarismo nas urnas, reeleger o presidente Lula, garantir a volta do PSOL ao Senado com a eleição de Manuela d’Ávila no Rio Grande do Sul e eleger a maior bancada federal da história do partido para superar a antidemocrática cláusula de barreira estão entre os principais objetivos do PSOL nas eleições de 2026.

O partido também avalia com preocupação a intervenção de Donald Trump nas eleições em toda a América Latina, e que já vem se repetindo nas eleições brasileiras, além do avanço da extrema-direita a nível global.

No Brasil, o PSOL aponta como as sucessivas revelações sobre a proximidade entre dirigentes do banco Master e figuras públicas vinculadas ao bolsonarismo reforçam que a extrema direita não pode ser compreendida como um fenômeno exclusivamente ideológico ou eleitoral: ela também expressa interesses materiais de frações do grande capital dispostas a financiar projetos de poder compatíveis com a radicalização neoliberal, a desregulamentação econômica e a captura privada do Estado.

Da mesma forma, a luta pelo fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais expressões da disputa política contemporânea e ocupa lugar estratégico na intervenção do PSOL.

Leia abaixo a resolução de conjuntura aprovada pelo Diretório Nacional do PSOL

PSOL rumo às eleições de 2026

Estamos às vésperas da eleição de outubro. E essas eleições são decisivas por muitos motivos. Precisamos derrotar mais uma vez – e de vez – o bolsonarismo nas urnas, reelegendo o presidente Lula; garantir a volta do nosso partido ao Senado com Manuela D’Ávila e eleger a maior bancada federal da história do PSOL, superando a cláusula de barreira; ampliar nossa participação nas assembleias legislativas de todo o país e, sobretudo, apresentar um projeto de futuro para a maioria da população brasileira.

As nossas tarefas eleitorais são conhecidas, foram objeto de resoluções anteriores. Mas, para cumpri-las, precisamos compreender em que terreno estamos disputando e quem são nossos adversários. É condição para definir a melhor tática e construir o caminho para a vitória.

O cenário internacional segue marcado pelo aprofundamento da ofensiva da extrema direita liderada pelo governo Donald Trump. Essa política combina guerra, sanções econômicas, coerção diplomática, controle das plataformas digitais, desinformação e intervenção política para preservar sua posição dominante, diante de seu declínio com ameaças e concorrências de outras potências.

A escalada do conflito com o Irã expressa essa lógica. A ação do governo Trump amplia os riscos de uma conflagração regional e recoloca no centro da disputa uma das principais rotas estratégicas do comércio mundial, o Estreito de Ormuz, por onde circula uma parcela significativa da produção energética internacional. Mais do que um conflito localizado, a escalada demonstra como a guerra continua sendo utilizada como instrumento de reorganização geopolítica e reafirmação da hegemonia estadunidense diante de uma ordem internacional em transformação. O genocídio contra o povo palestino, o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais de resolução de conflitos e a normalização da intervenção militar revelam uma estratégia imperialista que combina força econômica, tecnológica e bélica para preservar posições de poder.

Na América Latina, essa estratégia se manifesta por meio da intensificação da pressão econômica, das sanções, do lawfare, das operações de desinformação e do uso político das big techs para ampliar a influência dos Estados Unidos, conter processos de integração regional e fortalecer governos e forças políticas alinhados aos seus interesses. As disputas políticas recentes no continente expressam essa dinâmica. Na Colômbia, as denúncias e suspeitas de fraude no processo eleitoral evidenciam a atuação de agentes estadunidenses da extrema direita na articulação política local durante o processo eleitoral. No Peru e em outros países da região, a instabilidade institucional revela as dificuldades enfrentadas pelas forças populares diante de uma reação conservadora articulada internacionalmente. A rebelião boliviana e a resistência aberta vocalizada por Petro e pela esquerda colombiana indicam que a crise política vai abrir maior tensão e polarização.

A realização da I Conferência Antifascista em Porto Alegre, contra o imperialismo e pela soberania dos povos foi um marco fundamental. Com milhares de participantes de mais de 40 países. Os desdobramentos devem ser acompanhados por todos que resistem ao fascismo, como a próxima etapa regional que começa a ser preparada na Argentina de Milei, para os próximos meses.

Essa política de ingerência ganha novo significado em relação ao Brasil. As recentes iniciativas do governo Trump, incluindo a tentativa de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho na categoria de “narcoterrorismo”, indicam a construção de uma narrativa que amplia as possibilidades de ingerência sobre a política brasileira e prepara novas formas de pressão internacional. Somadas à taxação de 25%, à chantagem contra o PIX e ao apoio explícito do bolsonarismo às medidas anunciadas por Washington, essas iniciativas evidenciam que o Brasil ocupa um lugar central na estratégia da extrema direita internacional. Devemos estar preparados para enfrentar tentativas de interferência no processo eleitoral que se avizinha.

Nesse cenário internacional, reafirmamos nossa solidariedade à Venezuela diante da tragédia provocada pelo terremoto que atingiu o país. Mesmo em uma situação de emergência, permanecem os impactos de anos de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que dificultam as condições de reconstrução e desenvolvimento da Venezuela. Saudamos a iniciativa do Brasil em compor os esforços da comunidade internacional na reparação e construção do país e nos somamos às iniciativas de solidariedade construídas em apoio ao povo venezuelano.

Em agosto, completa-se o centenário de nascimento de Fidel Castro. Esse é um marco para reafirmar nossa solidariedade a Cuba, participar das iniciativas em torno dessa data e reconhecer a importância histórica das revoluções e lutas anti-imperialistas, pela soberania dos povos que marcaram a América Latina. Para o PSOL, essa agenda reafirma a atualidade do internacionalismo e a necessidade de fortalecer os vínculos entre as forças populares e democráticas do continente diante dos desafios impostos pelo imperialismo contemporâneo.

Conjuntura nacional

As eleições que se aproximam ocorrerão em um contexto de intensa disputa política, econômica e ideológica. O pleito será realizado após um período marcado pela derrota eleitoral do bolsonarismo em 2022 e da tentativa desesperada de golpe de 08 de janeiro de 2023, pelo esforço de reconstrução das capacidades do Estado sob o governo Lula e, ao mesmo tempo, pela permanência de uma forte ofensiva conservadora do Congresso Nacional.

A crise envolvendo o Banco Master tornou ainda mais visíveis as relações entre segmentos do sistema financeiro internacional, operadores do mercado e setores da extrema direita brasileira. Independentemente dos desdobramentos institucionais do caso, o episódio já demonstrou como parte do capital financeiro não apenas conviveu com o projeto bolsonarista, mas buscou alimentar esse projeto e construir canais permanentes de influência política junto ao seu núcleo dirigente, a família Bolsonaro e seu entorno. As sucessivas revelações sobre a proximidade entre dirigentes do banco Master e as figuras públicas vinculadas ao bolsonarismo reforçam que a extrema direita não pode ser compreendida como um fenômeno exclusivamente ideológico ou eleitoral: ela também expressa interesses materiais de frações do grande capital dispostas a financiar projetos de poder compatíveis com a radicalização neoliberal, a desregulamentação econômica e a captura privada do Estado. Essa relação entre mercado financeiro e extrema direita, portanto, não é episódica.

Nas últimas semanas, também houve um acirramento das contradições no interior do núcleo bolsonarista. As disputas em torno da sucessão de Jair Bolsonaro, as tensões envolvendo Michelle Bolsonaro e outras lideranças da extrema direita expressam uma disputa pela direção desse campo político. Não representam, por si mesmas, um processo de desagregação estratégica. Ao contrário, indicam uma busca de uma reorganização que visa preservar a sua capacidade eleitoral e social diante da condenação de Jair Bolsonaro. Nossa análise, nesse sentido, não pode substituir a compreensão material da força organizada da extrema direita por leituras impressionistas sobre suas disputas internas.

Ao mesmo tempo, setores decisivos das classes dominantes brasileiras seguem atuando para limitar qualquer deslocamento da política econômica em favor dos trabalhadores. A pressão permanente dos grandes grupos financeiros, de segmentos do mercado e de seus porta-vozes na imprensa busca impor como horizonte intransponível a austeridade fiscal, a contenção do investimento público e a preservação dos mecanismos de juros altos e valorização do capital financeiro internacional. As disputas existentes não eliminam a enorme convergência na defesa dos interesses estruturais do grande capital.

Essa dinâmica encontra sua principal expressão na consolidação do poder do Centrão como eixo organizador da governabilidade. O fortalecimento das emendas parlamentares, o orçamento secreto e a crescente autonomia das presidências da Câmara e do Senado, com a captura de parcelas significativas do orçamento, aprofundam um processo de redistribuição do poder dentro do Estado em favor de mecanismos pouco transparentes e costumeiramente usados para impedir que o programa eleito nas urnas em 2022 fosse aplicado. O PSOL atuou com coerência, defendendo suas bandeiras históricas com autonomia política, como se expressou na votação contrária ao arcabouço fiscal.

A consolidação dessa arquitetura institucional amplia o poder de veto das forças conservadoras e reforça sua capacidade de bloquear reformas de interesse popular, independentemente da orientação do Poder Executivo. É nesse marco que se explica a resistência do Congresso Nacional em enfrentar temas centrais para a maioria da população trabalhadora. A dificuldade de fazer avançar o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 revela a capacidade do empresariado de organizar uma maioria parlamentar comprometida com a preservação da superexploração do trabalho. A luta pelo fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais expressões da disputa contemporânea e ocupa lugar estratégico na intervenção do PSOL.

Da mesma forma, a ofensiva conservadora permanece como elemento estrutural da estratégia da extrema direita. Projetos que restringem direitos reprodutivos, relativizam formas de violência de gênero, desmontam o Estatuto da Criança e do Adolescente e visam criminalizar a juventude negra e periférica com redução da maioridade penal ou instrumentalizam pautas morais para produzir pânico social cumprem uma a função de consolidar uma identidade política reacionária e engajar a sua base social. É ainda mais grave o PL pró misoginia em um contexto de aumento do número dos feminicídios. A luta feminista permanece, portanto, inseparável da luta democrática e anticapitalista.

Ao mesmo tempo, valorizamos que os indicadores de opinião pública registram sinais de recuperação da avaliação do governo Lula. A melhora do emprego, da renda e de políticas públicas produz efeitos concretos sobre a percepção social do governo e abre melhores condições para a disputa política. Devemos reconhecer essa tendência positiva sem qualquer ilusão de estabilidade. A extrema direita mantém elevado potencial de mobilização, dispõe de recursos econômicos e comunicacionais muito superiores aos da esquerda e continuará buscando converter cada contradição do governo em plataforma de reorganização política.

Assim, as próximas eleições devem ser compreendidas como um momento chave da disputa pela direção do país. Não serão eleições convencionais. Estará em disputa a consolidação de um novo ciclo democrático, que nos permite lutar por mudanças estruturais em favor dos direitos do povo brasileiro, ou a rearticulação da extrema direita como alternativa de poder. A campanha será uma batalha política travada simultaneamente nos territórios, nas redes digitais, nas instituições e na sociedade civil.

Por isso, as eleições de 2026 são tão importantes: elas constituem um capítulo decisivo da luta para livrar o Brasil de vez do pesadelo bolsonarista e abrir espaço para um novo ciclo de mudanças em favor do povo brasileiro. Essa é a tarefa mais importante da nossa geração. A missão do PSOL, nesse contexto, é reeleger o Lula para livrar o país de vez do bolsonarismo e eleger a maior bancada do Congresso do Povo da história, com o compromisso de inverter a relação de forças do país em favor do povo brasileiro e seus interesses. Isso significa transformar cada candidatura do PSOL em instrumento de organização popular nos bairros, locais de trabalho, estudo e moradia e consolidar redes de militância digital.

É nosso papel ampliar a mobilização em torno das pautas populares, em especial o fim da escala 6×1, a taxação dos bancos, bets e bilionários, tarifa zero no transporte coletivo, a defesa de um Brasil soberano, uma gestão soberana e ambientalmente responsável dos minerais críticos, segurança pública com inteligência, prevenção e comprometida com a defesa da vida, a defesa dos direitos das mulheres e do fim da violência contra pessoas periféricas, negras e LGBT+, pelos direitos das pessoas com deficiência e o enfrentamento da emergência climática, preparar uma campanha profundamente enraizada nos territórios e nas redes, fortalecer a organização militante e apresentar ao país um projeto de transformação capaz de dialogar com a nova composição da classe trabalhadora brasileira. Afinal entramos na véspera das eleições. A correlação de forças não será alterada apenas pela dinâmica institucional, mas pela capacidade de organizar socialmente os setores populares, disputar consciência política e construir novas formas de participação coletiva. É essa orientação estratégica que guia a atuação do PSOL no próximo período.

Vamos preparar uma campanha profundamente enraizada nos territórios e nas redes, fortalecer a organização militante e apresentar ao país um projeto de transformação capaz de dialogar com a nova composição da classe trabalhadora brasileira. O PSOL cresceu e atraiu novas lideranças como Manuela D’Ávila, Jones Manoel e Duda Salabert; o PSOL vai superar a cláusula de barreira e eleger sua maior bancada, afirmando que é possível defender um programa de defesa da classe trabalhadora e dos direitos do povo brasileiro.

Diretório Nacional do PSOL
18 de julho de 2026

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