Artigo publicado originalmente no Blog do Noblat
“Aos 77 anos, Michel Temer tenta sentar praça”, atirou Elio Gaspari. De fato, o “recruta” que preside a Nação apostou todas as suas fichas na intervenção do Rio. E não se faz de rogado: “foi uma jogada de mestre”, autoelogiou-se.
Braga Netto e Richard Nunes são os generais que comandam a intervenção decretada por Temer no saqueado Rio de Janeiro – pelo mesmo PMDB que agora se arvora em “salvá-lo”. Mas outro oficial de alta patente, e de carreira na Polícia Militar de São Paulo, é quem age há décadas como “faz tudo” de Temer: o coronel João Batista Lima.
Os generais que atuam no Rio sabem que não há crime organizado que não tenha alguma conexão com os poderes estatais. Não há investigação sobre Temer que não passe, obrigatoriamente, pelo coronel Lima. Por absurdo que pareça, há oito meses o homem consegue escapar de simples depoimentos para os quais é convocado, em inquéritos que envolvem o presidente postiço. Sinal de que tem muito o que revelar. Sucessivos atestados médicos o livram dos interrogatórios.
Em outro plano, o diretor-geral da Polícia Federal, Segóvia, age como advogado de defesa do Temer e diz que o delegado da PF que investiga o presidente pode sofrer sanções. Já o Ministro da Educação, ignorante da autonomia universitária, quer proibir um curso na UnB que fala em “golpe parlamentar”, e a polícia de São Paulo intimou o quase nonagenário pesquisador Elisaldo Carlini, professor emérito da Unifesp e especialista no uso medicinal da cannabis, para depor sobre o simpósio “Maconha: outros saberes”. Trata-se de um novo “Festival da Besteira que Assola o País”, o FEBEAPÁ, criação imortal de Sérgio Porto.
Se por um lado Temer conta com o sucesso da intervenção para sobreviver politicamente, por outro reza todo dia para que Lima, Loures, Geddel e Cunha, entre outros, continuem fugindo de depoimentos ou calados. Um paradoxo, uma desfaçatez!
Temer consulta dia sim dia não os institutos de pesquisa, para ver se seus índices de popularidade sobem. Já cogita até se candidatar a presidente… “A vela está sendo esticada e começou a bater um ventinho. Se der certo, até o vampirão da Tuiuti pode virar um atributo positivo”, delira seu marqueteiro, Elsinho Mouco, que faz jus ao sobrenome.
Com o discurso do combate ao crime, o governo espera que as investigações dos crimes dos quais seus integrantes são acusados fiquem esquecidas. O Planalto está mais preocupado com votos do que com vidas.
Cada dia fica mais claro que a intervenção duradoura e eficaz para tirar o país do atoleiro é a da população consciente. Só ela quebra o poder do crime e da estupidez, inclusive oficiais.

