O Salão Verde do Congresso Nacional foi tomado no dia 28 de março por dezenas de parlamentares durante o lançamento da Frente Parlamentar Pelo Fim do Voto Secreto, movimento suprapartidário coordenado pelo P-SOL. "É inadmissível que os parlamentares, deputados e senadores, escondam
de seus eleitores o seu voto", protestou Heloísa Helena.
A manifestação popular teve início na Rampa do Congresso, por volta
das 15h30, com a participação de manifestantes vestidos com chapéus de
pizzaiolo, ao som da música Tarantella, e gritando palavras de ordem,
numa alusão à absolvição de parlamentares acusados de envolvimento como
chamado esquema do "mensalão", caracterizando um rodízio de pizza.
Na Rampa do Congresso, os parlamentares que participavam do ato abriram
um imenso lençol branco, onde se viam centenas de assinaturas,
recolhidas em várias capitais brasileiras, que reivindicavam o voto
aberto no parlamento. A bandeira foi conduzida para dentro do Salão
Verde da Câmara carregada por parlamentares, tendo no bloco da frente a
pré-candidata do P-SOL a presidente da República, senadora Heloísa
Helena, a deputada federal Luiza Erundina (SP), as deputadas do
P-SOL Luciana Genro (RS) e Maninha (DF), e a deputada Denise Frossard
(RJ).
Em seguida, o grupo levou o lençol para o gabinete da Presidência da
Câmara, onde o movimento pelo voto aberto do parlamento recebeu a
adesão do primeiro-secretário da Mesa da Câmara, deputado Inocêncio de
Oliveira (MA). O lençol foi ainda carregado para o plenário, onde
até o final da tarde, os parlamentares continuavam assinando o
manifesto pelo voto aberto. Os participantes da Frente querem que seja
colocada em votação a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que
coloca fim ao voto secreto nas decisões parlamentares, pronta para ser
apreciada pelo plenário há um ano.
"É inadmissível que os parlamentares, deputados e senadores, escondam
de seus eleitores o seu voto", protestou a senadora Heloísa Helena. O
líder do P-SOL na Câmara, Ivan Valente (SP), explicou que o movimento,
lançado em Brasília hoje, nasceu da necessidade do cidadão honrado e da
sociedade como um todo conhecerem como voto seus representantes, "assumindo todos os riscos de seus atos e de suas atitudes".
No manifesto que a Frente Parlamentar divulgou durante o ato está dito
que "o povo brasileiro tem o direito de saber como vota seu
parlamentar. Esse é um direito essencial do eleitor. A soberania
política é da população que escolhe os seus representantes. Fazer do
seu voto um ato de consciência só é possível com o julgamento sensato
dos seus representantes. A democracia resistirá, mas é preciso ética e
transparência no Parlamento".

