O deputado Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro e um dos organizadores do evento, destacou que o tema Aids passa por um novo momento, em que vitima a sexualidade dos infectados e atinge grupos estigmatizados. “Temos o desafio de fortalecer a nossa luta por políticas públicas de prevenção e de atenção às pessoas que vivem com HIV/AIDS e de produzir um discurso que não as estigmatize”.
De acordo com o deputado, estudiosos apontam que a Aids apresenta atualmente quatro faces: a pauperização – quando os infectados são pobres, com pouco ou nenhum acesso em atendimento à saúde e só descobrem que estão doentes em estágio avançado da doença; a feminilização, há 30 anos, eram 30 homens infectados para uma mulher, hoje a proporção é de 1 pra 1; a interiorização, a doença “migrou” dos grandes centros urbanos para cidades menores do país; e a juvenilização, a Aids atinge um número maior de jovens, sendo que o homossexual masculino, entre 15 e 25 anos, voltou a ser a vítima preferencial.
“A questão é que com todos esses cenários não se alterou a política pública de prevenção. O próprio Ministério da Saúde aponta a propagação da doença”, criticou Jean Wyllys. “E o afrouxamento dessas políticas coincide com o crescimento do fundamentalismo religioso no Estado e a homofobia”.
Amplo debate
O XI Seminário Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais foi uma realização das comissões de Direitos Humanos e Minorias, de Legislação Participativa, e de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados; e da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.
Reuniu representantes da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA); da Ficocruz; do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde; do Programa de Mestrado em DST/Aids e Hepatites Virais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; do Centro de Referência e Defesa da Diversidade de São Paulo; da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual; da Assessoria de Direitos Humanos Das Nações Unidas no Brasil; e do Grupo Vitamore.

