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Paralisação nacional: Bancários iniciam a semana com greve fortalecida

Segundo Intersindical, mesmo com recordes históricos de lucratividade, bancos se mantêm intransigentes e não querem negociar
 
A campanha salarial dos trabalhadores bancários deste ano segue em seu quinto dia com maior adesão da categoria, conforme informou nesta segunda-feira (23) a Intersindical. Em São Paulo, com todos os bancos da região central já paralisados desde o último dia 19, o movimento grevista começa a tomar força em direção às regiões periféricas da cidade. Mané Gabeira, diretor do Coletivo Bancários na Luta – Intersindical, afirma que no Itaú, por exemplo, “já está fora de operação o CA Raposo (antigo CAL), o CTO e uma área administrativa na Lapa”.
 
Os bancários seguem ainda sem avanços nas negociações. Edilson Montrose, funcionário do Banco do Brasil e dirigente do Coletivo Bancários na Luta – Intersindical, não confirma nenhuma rodada de negociação até o momento, a não ser as que aconteceram até a última quinta-feira. Todas sem sucesso para os trabalhadores, o que, por consequência, deflagrou a greve.
 
Gabeira reitera que os trabalhadores estão reivindicando 11,93% (5% de aumento real, descontada a inflação), PLR de 90%, melhores condições para Vale-Refeição, Auxílio Creche e valor fixo de R$ 1.633,94. Contudo, a contraproposta dos banqueiros tem sido somente de 6%.
 
Por outro lado, o lucro líquido dos bancos no primeiro semestre deste ano bateu recordes históricos: o Banco do Brasil obteve lucro de R$ 10,03 Bilhões e o Itaú R$ 7,2 Bi. Respectivamente primeiro e segundo lugares em toda a história dos bancos brasileiros.
 
Montrose explica que, em relação ao Banco do Brasil, “a política de gestão hoje é referência para os bancos privados aumentarem sua lucratividade”. Em outras palavras, isso quer dizer que o BB, sendo um banco público, trabalha “subordinado à lógica neoliberal aplicada pelo Governo Federal”, define. “Então todas as práticas absurdas de gestão são utilizadas para gerar mais resultados. Tudo a um custo social muito grande: adoecimento, descomissionamento e demissões”, conclui.
 
Está programada para esta terça-feira (24), sexto dia de greve, uma passeata em São Paulo. A concentração será a partir das 16h, na Avenida Paulista.
 
Banqueiros não negociam e greve continua
A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) continua intransigente e não quer negociar um índice decente. “Infelizmente os banqueiros não estão nem aí para os bancários, os clientes e a população. Devem estar sentados nos seus gabinetes refrigerados fazendo as contas de quanto lucrarão até o fim de 2013”, afirma Ricardo Saraiva Big, Presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.
 
Segundo o dirigente, a paralisação nas cidades de Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande atinge 90% das agências bancárias. Em Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe e Bertioga 70% dos bancários cruzaram os braços, por tempo indeterminado.
 
Os banqueiros oferecem reajuste de 6,1%, índice abaixo da inflação, apesar do lucro líquido de cerca de 30 bilhões somente nos primeiros seis meses de 2013, conforme dados de seus próprios balancetes auferidos pelo Dieese. Os bancários reivindicam 11,93%. A data-base do Acordo Coletivo da categoria é 1º de setembro e a greve é nacional.
 
Terceirização é objetivo dos banqueiros
Segundo o Presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, esta situação vai piorar se o Projeto de Lei 4330, da terceirização e de interesse do empresariado, for aprovado no Congresso Nacional.  “A proposta visa escancarar o uso de trabalhadores terceirizados em diversos setores e reduzir direitos”, esclarece.
 
Dieese
Segundo estudos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), quem trabalha em firmas terceirizadas recebe salário 27% menor que o contratado direto; tem jornada semanal de 3 horas a mais; permanece 2,6 anos a menos no emprego do que um trabalhador contratado diretamente; a rotatividade é maior 44,9% entre os terceirizados, contra 22% dos diretamente contratados; a cada 10 acidentes de trabalho, oito acontecem entre os trabalhadores terceirizados.
 
Ainda de acordo com os estudos, o número de óbitos no local de ofício é cinco vezes maior do que entre os contratados diretos, nos setores petrolífero e elétrico.
 
Bancários e trabalhadores dos Correios farão passeata nesta quarta-feira (25), em Santos
Segundo o Sindicato dos Bancários de Santos e Região, as categorias em greve dos bancários e dos empregados nos Correios farão passeata em conjunto pelas ruas do Centro de Santos nesta quarta-feira, 25 de setembro. O objetivo da manifestação é alertar à população sobre suas reivindicações e a intransigência dos banqueiros e do governo federal.
 
A concentração será a partir das 16h, na Praça Mauá.
 
Reivindicações dos bancários
– Reajuste salarial de 11,93%
– PLR: três salários mais R$ 5.553,15.
– Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).
– Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
– Melhores condições de trabalho, com o fim das metas e do assédio moral que adoece os bancários.
– Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.
– Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
– Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.
– Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
– Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

 

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