Aconteceu no último sábado mais uma plenária do mandato popular e socialista Ivan Valente. Tradicional espaço de prestação de contas e debate político organizado pelo mandato, o evento foi tomado por militantes e apoiadores do mandato, que lotaram o auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, no centro da capital. Além de expor a atuação no parlamento e junto aos movimentos sociais, a plenária fez uma homenagem a Rose Bianco, militante histórica da esquerda socialista e que esteve com o mandato desde o início.
A plenária também serviu para consolidar a candidatura de Valente a reeleição em 2014. Para coroar este momento de celebração democrática, o evento contou com a presença especial do deputado pelo PSOL do Rio de Janeiro, Chico Alencar, que esteve lançando seu mais recente livro “A rua, a nação e o sonho: uma reflexão para as novas gerações”.
O filósofo Vladimir Safatle, recentemente filiado ao PSOL, fez a exposição inicial da plenária. Segundo Safatle, o momento atual se assemelha a “um filme que já acabou”, pois a política até aqui foi marcada pela disputa pelo centro por PSDB e PT, e a obsessão com a “governabilidade” cada vez mais reflete o baixo nível de adesão à política. Para o filósofo, é preciso criar um polo à esquerda, radical, que proponha a reinvenção da política, em um momento em que a direita ideológica perde a vergonha em se expor.
No evento, foi divulgada ainda a entrevista conduzida por Ivan com Dom Pedro Casaldáliga, em São Felix do Araguaia. “Diálogos com Dom Pedro Casaldáliga” pode ser conferido aqui.
Rose Bianco
Rose faleceu no dia 27 de fevereiro, vítima de uma infecção pulmonar. Com forte e inevitável tom emotivo, acompanhada de manifestações culturais, a homenagem revelou o carinho de seus antigos companheiros ainda dos tempos de Partido dos Trabalhadores. Segundo Valdir Piantoni, seu companheiro, “Rose tinha uma luz própria, que às vezes a vida tentou apagar”.
Lutadora de várias frentes, Rose foi militante feminista engajada, com firme atuação na defesa dos direitos das mulheres. Enfrentou com fibra, coragem e altivez os limites impostos por sua situação de saúde e teve militância destacada na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Integrou, por mais de uma gestão, o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência do Município de Campinas, chegando a presidir a entidade em gestões que se tornaram referência em termos de conquistas que foram frutos da luta coletiva.
Plenária
Cerca de 300 pessoas passaram pela plenária, vindos de todas as regiões do estado de São Paulo. Prestigiaram e compuseram a mesa Paulo Búfalo, presidente estadual do PSOL e vereador em Campinas, o vereador Toninho Vespoli (São Paulo), o deputado estadual Carlos Giannazzi, o sindicalista Edson Carneiro “Índio” (Intersindical), a professora Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação da USP, e o professor Ildo Sauer, especialista em energia.
Ivan Valente fez uma saudação ao público presente e analisou a conjuntura política no Congresso Nacional. A economia brasileira, com o recente aumento da taxa Selic, após pressão do mercado financeiro e da mídia, foi criticada pelo deputado, que acusou ainda o governo Dilma por submeter o Brasil a um modelo de “desenvolvimento” baseado quase exclusivamente na produção extensiva de commodities para exportação. O resultado é que os representantes do agronegócio no parlamento “ganharam asas” depois da aprovação do novo Código Florestal.
Ivan lembrou do ex-deputado Rubens Paiva como um exemplo do passado que não foi resolvido: todos os partidos têm se colocado contra a revisão da Lei de Anistia, com exceção do PSOL. Além disso, o deputado acusou o governo Dilma de criar um clima autoritário contra as manifestações para garantir a realização da Copa do Mundo. O PSOL convidou o ministro da Defesa, Celso Amorim, para explicar o documento produzido pelas Forças Armadas que criminaliza movimentos sociais.
O deputado Chico Alencar, convidado especial da plenária, saudou a “densidade histórica” conquistada pela plenária e disse que vai repetir o modelo no Rio de Janeiro. Chico fez uma reflexão sobre o golpe militar de 1964, “página infeliz da nossa história”, citando seu xará Chico Buarque. Inspirado em Karl Marx, classificou as recentes marchas chamadas pela direita como a história que se repete como farsa. Em outra bela referência, Chico citou Cervantes e seu Dom Quixote: “os cães ladram, e este é um sinal de que estamos avançando”, em resposta às tentativas de criminalização do PSOL.
O engavetamento da reforma política, que poderia aprovar o financiamento público de campanha, reduzindo drasticamente a corrupção ao barrar as candidaturas milionárias bancadas por bancos e empreiteiras, é sintomático de que como estes partidos, governistas ou de oposição, não querem abrir mão da enxurrada de dinheiro privado que inunda suas campanhas. A frente de atuação agora se volta para o Supremo Tribunal Federal, que deve julgar em breve a proibição do financiamento privado de campanha, que já tem quatro votos a favor.
A conjuntura, defende Valente, impõe a consolidação do PSOL enquanto alternativa viável de partido programático, democrático e de esquerda. Destacando as vitórias eleitorais nas eleições de 2012, o deputado acredita que o PSOL saiu fortalecido e hoje é respeitado pela sociedade, se tornando uma referência na luta por direitos. Contudo, sabe que é preciso reconhecer o “momento estranho” vivido no país, onde não há avanço do pensamento progressista.
“Ivan é o deputado que mais desperta a ira dos conservadores no Congresso, por isso é imprescindível que ele continue no parlamento”, convocou Chico Alencar.
A plenária também serviu para consolidar a candidatura de Valente a reeleição em 2014. Para coroar este momento de celebração democrática, o evento contou com a presença especial do deputado pelo PSOL do Rio de Janeiro, Chico Alencar, que esteve lançando seu mais recente livro “A rua, a nação e o sonho: uma reflexão para as novas gerações”.
O filósofo Vladimir Safatle, recentemente filiado ao PSOL, fez a exposição inicial da plenária. Segundo Safatle, o momento atual se assemelha a “um filme que já acabou”, pois a política até aqui foi marcada pela disputa pelo centro por PSDB e PT, e a obsessão com a “governabilidade” cada vez mais reflete o baixo nível de adesão à política. Para o filósofo, é preciso criar um polo à esquerda, radical, que proponha a reinvenção da política, em um momento em que a direita ideológica perde a vergonha em se expor.
No evento, foi divulgada ainda a entrevista conduzida por Ivan com Dom Pedro Casaldáliga, em São Felix do Araguaia. “Diálogos com Dom Pedro Casaldáliga” pode ser conferido aqui.
Rose Bianco
Rose faleceu no dia 27 de fevereiro, vítima de uma infecção pulmonar. Com forte e inevitável tom emotivo, acompanhada de manifestações culturais, a homenagem revelou o carinho de seus antigos companheiros ainda dos tempos de Partido dos Trabalhadores. Segundo Valdir Piantoni, seu companheiro, “Rose tinha uma luz própria, que às vezes a vida tentou apagar”.
Lutadora de várias frentes, Rose foi militante feminista engajada, com firme atuação na defesa dos direitos das mulheres. Enfrentou com fibra, coragem e altivez os limites impostos por sua situação de saúde e teve militância destacada na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Integrou, por mais de uma gestão, o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência do Município de Campinas, chegando a presidir a entidade em gestões que se tornaram referência em termos de conquistas que foram frutos da luta coletiva.
Plenária
Cerca de 300 pessoas passaram pela plenária, vindos de todas as regiões do estado de São Paulo. Prestigiaram e compuseram a mesa Paulo Búfalo, presidente estadual do PSOL e vereador em Campinas, o vereador Toninho Vespoli (São Paulo), o deputado estadual Carlos Giannazzi, o sindicalista Edson Carneiro “Índio” (Intersindical), a professora Lisete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação da USP, e o professor Ildo Sauer, especialista em energia.
Ivan Valente fez uma saudação ao público presente e analisou a conjuntura política no Congresso Nacional. A economia brasileira, com o recente aumento da taxa Selic, após pressão do mercado financeiro e da mídia, foi criticada pelo deputado, que acusou ainda o governo Dilma por submeter o Brasil a um modelo de “desenvolvimento” baseado quase exclusivamente na produção extensiva de commodities para exportação. O resultado é que os representantes do agronegócio no parlamento “ganharam asas” depois da aprovação do novo Código Florestal.
Ivan lembrou do ex-deputado Rubens Paiva como um exemplo do passado que não foi resolvido: todos os partidos têm se colocado contra a revisão da Lei de Anistia, com exceção do PSOL. Além disso, o deputado acusou o governo Dilma de criar um clima autoritário contra as manifestações para garantir a realização da Copa do Mundo. O PSOL convidou o ministro da Defesa, Celso Amorim, para explicar o documento produzido pelas Forças Armadas que criminaliza movimentos sociais.
O deputado Chico Alencar, convidado especial da plenária, saudou a “densidade histórica” conquistada pela plenária e disse que vai repetir o modelo no Rio de Janeiro. Chico fez uma reflexão sobre o golpe militar de 1964, “página infeliz da nossa história”, citando seu xará Chico Buarque. Inspirado em Karl Marx, classificou as recentes marchas chamadas pela direita como a história que se repete como farsa. Em outra bela referência, Chico citou Cervantes e seu Dom Quixote: “os cães ladram, e este é um sinal de que estamos avançando”, em resposta às tentativas de criminalização do PSOL.
O engavetamento da reforma política, que poderia aprovar o financiamento público de campanha, reduzindo drasticamente a corrupção ao barrar as candidaturas milionárias bancadas por bancos e empreiteiras, é sintomático de que como estes partidos, governistas ou de oposição, não querem abrir mão da enxurrada de dinheiro privado que inunda suas campanhas. A frente de atuação agora se volta para o Supremo Tribunal Federal, que deve julgar em breve a proibição do financiamento privado de campanha, que já tem quatro votos a favor.
A conjuntura, defende Valente, impõe a consolidação do PSOL enquanto alternativa viável de partido programático, democrático e de esquerda. Destacando as vitórias eleitorais nas eleições de 2012, o deputado acredita que o PSOL saiu fortalecido e hoje é respeitado pela sociedade, se tornando uma referência na luta por direitos. Contudo, sabe que é preciso reconhecer o “momento estranho” vivido no país, onde não há avanço do pensamento progressista.
“Ivan é o deputado que mais desperta a ira dos conservadores no Congresso, por isso é imprescindível que ele continue no parlamento”, convocou Chico Alencar.

