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Por iniciativa de Ivan Valente, xenofobia e racismo foram temas de debate

A partir de requerimento do deputado Ivan Valente (PSOL/SP), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional promoveu, na última quarta-feira (23/09), audiência pública para discutir os recentes casos de ataques xenófobos no Brasil, em especial contra os imigrantes haitianos. A motivação para a audiência foi o ataque contra refugiados haitianos, ocorrido em 1º de agosto, em São Paulo (SP).

“As pessoas acham que os haitianos chegam aqui analfabetos, quando, na verdade, eles já têm escolaridade e as pessoas, preconceituosas que são, não acreditam. É muita desinformação. É que a questão do negro no Brasil não foi resolvida. O problema do racismo, da xenofobia, da exclusão social e os mecanismos que se voltam contra os direitos do negro, do pobre e dos excluídos não estão resolvidos. Citando os arrastões que estão acontecendo no Rio, por exemplo, muito pior que os arrastões – que são resultados da exclusão social – é a reação que está acontecendo agora, gravíssimo o caso de milícias paramilitares que querem fazer justiçamento com as próprias mãos”, afirmou Ivan Valente.

Para o deputado, “a defesa dos direitos humanos avança no mundo todo, mas com muita resistência. Nossa tarefa é grande. Podemos citar a atuação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) nesta Comissão, por exemplo. Recentemente ele afirmou numa entrevista que ‘os refugiados são a escória do mundo'”.
Renel Simon é estudante de Relações Internacionais e veio do Haiti há três anos. Ele trabalha no Centro de Referência e Assistência Social do Vale do Taquari (RS) como apoio a imigrantes, não só haitianos. “O pessoal só fala dos haitianos, mas tem também os senegaleses, afegãos e outros”, disse. Ele apontou casos de racismo e xenofobia no Brasil. “É importante ouvir o imigrante para saber o que estamos passando. Eu, como imigrante, já acompanhei vários casos de racismo e xenofobia. Mês passado um haitiano levou um tapa na cara porque chegou cinco minutos atrasado no trabalho”, disse.
Eliza Odina Conceição Silva Donda, representante do Projeto Missão Paz, relatou como foi o caso da agressão aos haitianos. A entidade é referência em serviços de assistência a imigrantes e refugiados e recebeu cinco mil deles somente em 2014. De acordo com Eliza, a xenofobia ou racismo nascem da falta de informação. “O imigrante ainda é visto como uma ameaça, um criminoso. Não pode haver essa generalização”, disse.
A audiência também contou com a presença de Juliana Felicidade Armede, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. Ela admitiu outras ocorrências contra imigrantes em São Paulo, em especial na região de Americana (SP).
A pastora Romi Márcia Bencke, representante do Conselho Mundial de Igrejas Cristãs no Brasil, disse que casos como o dos haitianos não são isolados. “Xenofobia é relacionada a outras intolerâncias, como religiosa, de gênero, linchamentos públicos e aumento da violência policial”, disse.
Segundo ela, no caso de haitianos e senegaleses, a xenofobia tem relação com o racismo, que é ainda bastante forte no País. “Houve o caso de um senegalês queimado no Rio Grande do Sul, e é comum haitianos e senegaleses serem abordados por policiais”, disse.
Ela apresentou dados da Pesquisa Mundial de Valores, realizada no Brasil em 2014, segundo a qual 74% dos entrevistados disseram que as ofertas de empregos deveriam ser feitas prioritariamente a brasileiros, e não a estrangeiros.
Magali Naves, representante da Secretaria de Igualdade Racial da Presidência da República (Sepir), ressaltou o preconceito contra estrangeiros no País, especialmente contra os negros. E contou que participou, como representante do governo, do lançamento de um programa educacional voltado para estrangeiros “em um estado do sul”, programa planejado com base em hipóteses equivocadas. “Era um programa de alfabetização de haitianos. O problema é que a maioria dos imigrantes do Haiti tem ensino médio e muitos têm curso superior ou doutorado”, disse.
Fonte: Mandato deputado Ivan Valente
 

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