*Por Christophe Deroubaix
Nova edição do Left Forum no curso do qual centenas de intervenções vão abordar uma alternativa ao capitalismo.
Com a primavera, retorna o Left Forum. Essa tradição está solidamente estabelecida e certamente não seria neste ano tão particular que os organizadores pensariam em derrogá-lo. Esse encontro da esquerda intelectual e militante deita raízes nos anos 60, quando universitários socialistas começaram a fazer conferências sobre temas principalemente teóricos e históricos. Em 1981, Bogdan Denitch e Stanley Aronowitz, de uma vez, ampliaram a audiência dos participantes e mudaram de lugar (City University em Nova Iorque), conferindo um novo fôlego a essa conferência que não tardaria em se tornar o encontro mais importante da esquerda norte-americana, evidentemente que fora do partido democrata. O acontecimento toma o nome de Left Forum em 2004, em seguida às divergência de ordem política entre os organizadores. Mas, ao fim, a divisão não ocasiona nenhuma perda de audiência. Ao contrário mesmo, com um novo deslocameno forçado para a espaçosa e funcional Pace University, sempre em Nova Iorque, que provou ser uma bênção, o Forum cresce um pouco mais. Em 2010, o reverendo Jesse Jackson e Noam Chomsky, considerado como um dos mais importantes intelectuais americanos vivos, participaram dos trabalhos, atraindo assim um público em número até então desconhecido.
Para esta edição 2012, os organizadores esperam 3.500 participantes e mais de 300 intervenções, entre as quais a do realizador Michael Moore, que aceitou pronunciar o principal discurso da noite de sábado.
O contexto é evidentemente particular, pois se trata de um ano eleitoral. Mas não só. Desde a última edição, o movimento « Occupy Wall Street » (OWS), cujo epicentro, na Zuccotti Park, se situa a algumas centenas de metros da Pace University, redesenhou as linhas do debate político do outro lado do Atlântico e revigorou o movimento progressista. O tema adotado faz evidentemente referência a essa virada: «Occupy the system : confronting global capitalism».
“O mundo muda, os povos se levantam e novas possibilidades emergem para a esquerda”, estimam os organizadores que colocam algumas pistas a explorar.
« Os movimentos de massa no Egito, na Grécia, na América Latine e nos Estados Unidos se estenderão? Chegarão a perturbar a cumplicidade das elites neoliberais com o grande capital? Uma alternative se projeta face a um sistema capitaliste cada vez mais brutal?» Respostas a construir durante três dias «com militantes dos direitos civis, ambientalistas, anarquistas, socialistas, comunistas, sindicalistas, militantes negros e latinos, feministas, militantes antiguerra, estudantes e cidadãos combatendo o desemprego, os despejos imobiliários, as moradias precárias… »
Fonte: L’Humanité, le 14 Mars 2012

