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Presidente do PSOL-RS, Carlos Robaina, sobre a saída do ex-vereador Geraldinho


O ex-candidato a prefeito pelo PSOL de Viamão decidiu se desligar do PSOL. Há algumas semanas Geraldinho vinha refletindo sobre seu rumo político. Durante sua permanência no partido a direção estadual sempre teve uma relação de respeito com esta liderança da cidade que foi a primeira capital dos gaúchos. Assim, temos certeza que sua decisão de sair não foi por falta de respeito pelo trabalho realizado pelo ex-vereador na cidade. Ao contrário, a direção estadual tem dado sempre total apoio às decisões soberanas da base do partido na cidade. O problema com Geraldinho envolve graves divergências políticas que não foram resolvidas ao longo dos últimos meses.

Depois das eleições de outubro de 2010, Geraldinho buscou lideranças estaduais para discutir a possibilidade de se ampliar a política de alianças do partido na cidade. Pessoalmente, afirmei que poderíamos ter alianças sempre que for discutido um programa claro de defesa do povo trabalhador e com partidos sem vínculos com esquemas de corrupção no estado. Ponderei que infelizmente poucos partidos tinham possibilidade de marchar conosco. Transmitimos nossa convicção de que esta seria a posição da direção do partido tanto em nível regional quanto nacional: não faríamos alianças com os partidos da velha direita para enfrentar os novos representantes do capital que atuam no PT. Esta diferença é o que faz Geraldinho sair do partido.

Acreditamos que sua visão, infelizmente, esta pautada pela busca de alianças sem princípios. O PSOL surgiu por não aceitar que o PT realizasse uma política que reproduzisse a lógica do PMDB, do PSDB, do DEM. Não será fazendo alianças eleitorais com estes partidos que nosso partido construirá uma alternativa nem em Viamão nem em lugar algum. Por isso, Geraldinho foi percebendo que não tinha chances de realizar no PSOL sua política de alianças com estas siglas. Ademais, setores expressivos do partido em Viamão já se levantavam contra suas tentativas de convencer os militantes da cidade acerca desta política. A tesoura entre Geraldinho e o PSOL foi aumentando. Assim, sem nunca termos trabalhado pela sua saída do partido percebemos que seu caminho de desligamento era sem retorno.

Aqueles que consideram que o PSOL nunca terá poder se não fizer aliança, mantemos nossa resposta: não queremos o poder pelo poder, ou melhor dito, não queremos o poder para realizar um governo a serviço dos capitalistas e dos políticos corruptos dos partidos tradicionais. Queremos o poder para transformar. E isso somente ocorre com o povo em luta, se organizando, com nosso partido buscando ser um canal e uma liderança nestas lutas e neste processo de organização. Não será chamando os inimigos do povo de aliados que conseguiremos avançar neste caminho.

Geraldinho, portanto, decidiu se basear em cálculos eleitorais imediatos, um caminho que denominamos como o do oportunismo político, a saber, a busca de supostas vantagens imediatas sacrificando os interesses reais e futuros da classe trabalhadora.

Felizmente, dezenas de militantes seguirão organizados no PSOL de Viamão. Seguiremos firmes em nossa marcha. E com esta firmeza seremos reconhecidos pelo povo como expressões da coerência e da luta. Nossa bandeira continuará sem manchas. E esta é a garantia de nossa vitória futura.

Roberto Robaina – Presidente do PSOL-RS

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