Nas últimas semanas os olhos do mundo inteiro estão voltados para Honduras. Toda essa repercussão ocorre porque o presidente Manuel Zelaya, eleito democraticamente pelo povo, teve seu mandato interrompido por um golpe militar, sendo inclusive expulso do país.
O ataque à democracia em Honduras está em curso devido ao alinhamento do governo de Zelaya com outros governos na América Latina, como a Venezuela de Hugo Chávez e a Bolívia de Evo Morales. Tais ataques ocorrem pois os governos desses países têm implementado medidas que alteram a histórica correlação de forças em que os mais ricos só ganham enquanto a maioria do povo permanece na miséria.
Na semana passada o Brasil entrou no centro desse debate, quando Zelaya conseguiu retornar para Honduras e foi para a Embaixada Brasileira. Os militares golpistas cercaram nossa embaixada, reprimiram brutalmente as manifestações populares em defesa da democracia e por pouco não invadiram o prédio para deter o presidente.
O PSOL entende que não podemos permitir nenhum ataque a nossa embaixada, o governo brasileiro deve atuar para o restabelecimento da emocracia em Honduras. A resposta ao golpe deve ser exemplar para que novos ataques aos direitos democráticos não venham a ocorrer.
Estamos acompanhando e apoiando o povo hondurenho, enviando representantes do partido para prestar solidariedade e fortalecer o combate aos golpistas.
A posição do governo Lula precisa ser firme em defesa do Brasil e das liberdades democráticas
Corruptos e burgueses não podem enfraquecer a posição do Brasil na crise de Honduras
O PSOL como partido de oposição de esquerda não hesitou em defender a posição do governo Brasileiro e sua Diplomacia Internacional que garantiu o ingresso e a permanência na Embaixada brasileira de Honduras ao presidente legítimo deste país, Manuel Zelaya, local que serviu e segue servindo para sua proteção. Esta posição do governo brasileiro permitiu, além da proteção de Zelaya, que o movimento de massas democrático avançasse em sua mobilização contra os golpistas, único caminho para derrotar o regime de repressão aberta instalado em Honduras e que aí tenta se consolidar com base nas prisões, no estado de sítio, no derramamento de sangue e no medo.
Diante da correta posição da Diplomacia brasileira e do presidente Lula de condenar de modo veemente e reiteradamente os golpistas, apoiando o retorno de Zelaya ao poder e garantindo sua permanência por tempo indeterminado na Embaixada, os golpistas de Honduras ameaçam nossa Embaixada. Desde o primeiro dia cercaram com tropas o local que é considerado internacionalmente território brasileiro. Reprimiram os que para lá se dirigiram, atacaram suas instalações com gases tóxicos, algumas vezes insinuaram que poderiam invadi-la e agora, finalmente, exigem que o goverro do Brasil defina em dez dias o status de Manuel Zelaya, o que significa entrega-lo para as autoridades golpistas com sua ordem de prisão contra o presidente legítimo ou declará-lo asilado e, portanto fora do território hondurenho. Mais uma vez o presidente L ula e seu ministro de relações exteriores, Celso Amorim, atuaram corretamente, uma vez mais desconhecendo autoridade nos golpistas para fazer qualquer exigência.
Ao mesmo tempo é preciso ser dito que a hora é de se manter firme. Desde o início alguns representantes do govenro Lula no Congresso Nacional assumiram posição contrárias ao governo, pressionando a favor dos golpistas. As declarações de Romeu Tuma, senador do PTB, criticando a autorização para Zelaya permanecer na Embaixada foi a primeira, mas não a única. Não poderia ser diferente vinda de um ex-chefe da Polícia Federal durante a ditadura militar brasileira. As alianças de Lula começaram a mostrar sua natureza reacionária. Agora, o corrupto Presidente do Senado, tragicamente também aliado de Lula, vem defender que é inconveniente que Zelaya continue na Embaixada, sustentando que o Brasil deve definir seu status de asilado. Também não surpreende ao PSOL que o corrupto Sarney esteja preocupado que o governo brasileiro possa estar colaborando para um levante democrático do povo hondurenho. Se a moda pega seus dias estão contados. Porém, a posição do presidente do Senado enfraquece o governo brasileiro. Enfraquece a luta do povo hondurenho. Afinal, os ditadores de Honduras assistem as declarações dos políticos brasileiros. Percebem assim que encontram parceria e amigos no governo de Lula. Percebem que a manutenção de sua intransigência, de sua intolerância e de sua repressão pode surtir efeito e ganhar pontos no Brasil. Não vamos nos referir a maioria da grande mídia, que sempre que pode critica Zelaya e tenta retirar apoio ao governo Lula. Nos referimos aos que Lula declara como aliados e a membros do governo.
O mais grave veio do ministro da Defesa Nelson Jobim, do PMDB. O ministro declarou que o Brasil não vai, em hipótese alguma, enviar tropas para defender nossa Embaixada. Isso parece uma declaração sensata. Mas não é. Não se trata de defender que o Brasil declare guerra. Nem propomos envio de tropa. Nosso apoio é ao povo de Honduras e a guerra contra o povo quem está tratando de levar adiante é o governo de Michelleti. Mas o ministro da Defesa do Brasil não tem nada que fazer declarações que mais servem para ministro da rendição, não da defesa. Quem perguntou se o Brasil vai mandar tropas? O ministro Jobim está respondendo às pressões da burguesia brasileira reacionária e seu colega de partido, o corrupto Sareny, não ao povo de Honduras e aos interesses do Brasil. Quando nosso país é chantageado, ameaçado, agredido, não cabe ao ministro da Defesa enviar sinais de rendição ou de covardia. Não pedimos, repetimos, que se declare guerra, mas muito menos aceitamos que se declare paz aos golpistas. São estas declarações que enfraquem a luta do povo hondurenho, enfraquecem o Brasil na solução da crise e dão fôlego para os golpistas de Honduras. Este fôlego que é preciso urgentemente retirar para que a crise tenha uma solução rápida e democrática.
O presidente Lula e seu ministro das relações exteriores não podem mais aceitar declarações de seus aliados e ministros que conspiram contra o Brasil. Muito menos quando estamos falando do ministro da Defesa. O Brasil, ao contrário, do que necessita é de mais firmeza. Necessita deixar claro que apoiará o povo hondurenho. Necessita demandar em alto e bom som que os Estados Unidos retirem todo e qualquer sustentação que ainda mantém aos golpistas de Honduras. Enfim, o Brasil precisa jogar duro. O resto, temos certeza, o povo de Honduras terá forças para conquistar.
Diante dos acontecimentos, todos sabem, o PSOL tem apoiado ativamente as medidas do governo Lula em defesa da luta democrática em Honduras e manifestado solidariedade com o povo de Honduras. Seu representante internacional, Pedro Fuentes, já encontra-se há mais de uma semana em Tegucigalpa; militantes de nosso partido no Rio Grande do Sul também viajam para prestar solidariedade; nossa bancada de deputados tem um representante na delegação do Congresso Nacional que também se dirige ao páis. Temos impulsionado e participado de atos de rua nas capitais do Brasil em defesa da luta do povo de Honduras, contra o golpe e pelo retorno de Manuel Zelaya à presidência.
Por isso também, numa hora tão grave, combatemos os burgueses e corruptos do governo Lula que trabalham contra os interesses nacionais.
Roberto Robaina – Presidente do PSOL/RS e membro da Executiva Nacional

