A greve do Judiciário e dos funcionários da USP, em São Paulo, já duram mais de 40 dias. Os parlamentares e militantes do PSOL em São Paulo vêm agindo de forma solidária às reivindicações dos trabalhadores, que têm enfrentado bravamente a intransigência do governo estadual.
Segundo o deputado federal do PSOL/SP Ivan Valente, os servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo estão dando um exemplo de resistência. “Há dois anos sem reposição das perdas salariais, com duas datas-base vencidas, os servidores pedem um reajuste de 20,16%. Ao todo são 42 mil funcionários na ativa e 9 mil aposentados”, disse.
Mas as reivindicações da greve, que no momento conta com a adesão massiva dos servidores do Fórum João Mendes e significativa paralisação de fóruns do interior do estado, não se limitam à questão salarial. Os trabalhadores e trabalhadoras do Judiciário denunciam o descaso da direção do Tribunal de Justiça e do governo de São Paulo com as condições de trabalho oferecidas a seus servidores e com a própria qualidade do atendimento à população do estado. Há milhões de processos parados porque faltam 15 mil servidores à instituição. Quando se realiza concurso público, os aprovados não são contratados. São inúmeras as denúncias de assédio moral e, agora com a greve, é o movimento sindical que vem sendo atacado na sua missão de defender os direitos dos trabalhadores.
O deputado estadual Carlos Giannazi fez, na Assembleia Legislativa de São Paulo, um pedido da CPI do Judiciário paulista. O parlamentar ainda esclareceu ainda que é notório o controle exercido, pelo Palácio dos Bandeirantes, em cima da ALESP, que tem uma base governista de 71 deputados (são 94 ao todo) que obedecem cegamente as ordens do governador.
O parlamentar já está colhendo assinaturas para a CPI a fim de averiguar denúncias, feitas pelos servidores, referentes a benefícios usufruídos por autoridades judiciais do estado de São Paulo como auxílios financeiros e salários extraordinários, além da falta de transparência no uso do bilionário orçamento destinado ao Poder Judiciário. Giannazi disse também que levará o caso ao Conselho Nacional de Justiça e para as Cortes internacionais.
No dia 10 de junho, ele esteve dentro do Fórum João Mendes durante a ocupação pacífica ocorrida um dia antes e organizada pelos servidores da Justiça, que foram desumanamente forçados a se desmobilizarem e sair por volta das 12h já no dia seguinte por conta da fome imposta pela proibição da entrada de alimentos, ordenada pela presidência do Tribunal de Justiça.
A cúpula do Tribunal de Justiça assim como o governo tucano, que dirige São Paulo há quase duas décadas, tentam desqualificar o movimento grevista alegando que a mobilização dos trabalhadores tem interesse político partidário. Foi isso o que disse à imprensa, na semana passada, o secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo e ex-secretário da Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey.
Meses atrás, ouvimos o mesmo do Secretário de Educação Paulo Renato de Souza, durante a greve dos professores da rede estadual. Ou seja, virou mania do PDSB dizer que toda greve é política. “É política sim, senhor Presidente, mas não é partidária! Sobram motivos à luta que está, neste momento, sendo travada pelos servidores do TJ. É uma luta por respeito aos direitos dos servidores e dos cidadãos e cidadãs paulistas”, disse Ivan Valente.
No caso da USP, na última segunda-feira (21 de junho), ocorreu uma reunião entre o Sintusp e a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), mas as negociações não avançaram. A reitoria apresentou proposta que estabelece o compromisso de analisar as reivindicações feitas pelos trabalhadores e o possível aumento de 5% na carreira no prazo de 48 horas, mas os funcionários rejeitaram. O que motivou a recusa do contrato foi a falta de garantia de que os funcionários vão receber o que pedem, segundo o Sintusp.
Em nota publicada no domingo, 20, e reiterada nesta terça-feira, Magno de Carvalho, diretor do Sintusp, afirma que o reitor da USP, João Grandino Rodas, “busca respaldo político para tentar destruir a organização sindical dos trabalhadores e seus dirigentes”. Segundo Magno, Rodas acusa os grevistas de violentos por terem ocupado a reitoria da Universidade, mas “foi ele quem deixou mais de mil trabalhadores e suas famílias sem salário, consequentemente à mercê da fome por exercerem o direito de greve”.
As três exigências dos funcionários da USP, UNESP e Unicamp são a restituição dos dias parados descontados dos salários de cerca de mil funcionários, o compromisso por parte da reitoria de não punir os grevistas e, quanto à isonomia salarial, os servidores aceitam negociar um aumento de 5% em vez dos 6,57%, antes reivindicados.
O sindicato flexibilizou as negociações após alegar que com o fim das provas nas universidades, o clima de copa do mundo e o enfraquecimento da greve na Unicamp (Universidade de Campinas), que conta com cerca de 40% dos funcionários, o movimento poderia esvaziar-se e perder força.
Já os servidores do judiciário, em assembleia realizada na última quarta-feira (23 de junho), decidiram manter a greve da categoria. Eles estão com as atividades paralisadas desde o dia 28 de abril e reivindicam uma reposição salarial de 20,16%.
Audiência pública
Organizada pelo mandato do professor e deputado Carlos Giannazi, membro titular da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, a audiência pública realizada no dia 10 de junho na ALESP debateu a crise nas universidades estaduais. O movimento reivindicatório dos trabalhadores da USP, que estão com os seus salários arrochados e foram excluídos do reajuste de 6% dado aos docentes, conta com o apoio incondicional do parlamentar.
O não comparecimento dos três reitores, que foram oficialmente convidados para o debate, representou, na opinião de Giannazi, a falta de disposição deles em dialogar com trabalhadores, que lotaram o plenário Franco Montoro a fim de negociar com os mesmos.
No evento o deputado informou que já protocolou Requerimentos em duas comissões permanentes da ALESP pedindo a convocação do reitor da USP, João Grandino Rodas, para explicar as declarações dele contra os servidores, a quem ele comparou aos bandidos do crime organizado do Rio de Janeiro. A reitoria, contrariando o direito constitucional de greve, ordenou o corte do ponto de 1000 trabalhadores na tentativa de desestabilizar e esvaziar a paralisação, que já dura mais de 40 dias.
Giannazi também saiu da audiência pública com o compromisso de buscar apoio de outros parlamentares da Casa e exigir uma reunião com Grandino Rodas a fim de abrir um canal de negociação com os servidores.

