A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou nesta semana um pedido de convocação do ministro da Justiça, Anderson Torres, para que ele explique a atuação irregular da Polícia Rodoviária Federal no dia 30 de outubro, segundo turno das eleições presidenciais.
Não bastasse ter anunciado seu voto em Bolsonaro em rede social um dia antes do pleito vencido pelo presidente eleito Lula, o diretor geral da PRF, subalterna à pasta, desobedeceu a determinação explícita do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes.
Segundo balanço interno divulgado pela imprensa, pelo menos 619 ônibus haviam sido abordados no país até as 17 horas, horário de encerramento da votação. Para a bancada do PSOL, o conjunto dos fatos – que inclui ainda os bloqueios realizados após a derrota de Bolsonaro – mostra um verdadeiro agravamento do modus operandi articulado pela extrema-direita.
A região Nordeste, onde o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem proporcionalmente mais apoio, foi a mais afetada, com quase 300 abordagens. Como tudo isso poderia acontecer sem que o Ministério da Justiça tomasse alguma providência ou tivesse conhecimento das ocorrências? “Há muito o que explicar sobre as operações da PRF em pleno segundo turno, contrariando decisão do TSE, além da visível inação contra os bloqueios golpistas dessa semana”, afirma a líder Sâmia Bomfim.

