O PSOL protocolou, na manhã desta quinta-feira 28, na Presidência da Câmara, representações contra os deputados João Bacelar (PR/BA) e Marcos Medrado (PDT/BA) envolvidos no esquema de compra e venda de emendas parlamentares. As duas representações foram entregues ao presidente Marco Maia e serão encaminhadas ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
Na semana passada, o PSOL pediu investigação à Corregedoria sobre o envolvimento do deputado Geraldo Simões (PT/BA) no mesmo esquema.
As denúncias publicadas pelo jornal O Globo desde o dia 17 de junho apontam compra e venda de emendas, beneficiando municípios baianos, bases eleitorais de Bacelar, contratação de empresas ligadas à família do deputado e indicações políticas para desviar dinheiro público.
“As denúncias desmoralizam e mancham a imagem da Câmara dos Deputados. É lamentável utilizarem o instituto de emendas parlamentares para a corrupção”, afirmou o deputado Ivan Valente, presidente do PSOL Nacional, que assinou as representações. A investigação do Conselho de Ética, disse o deputado, vai apontar se há outros parlamentares envolvidos, além dos já citados. “Medrado é réu confesso. Simões nega. Mas denúncias indicam outros neste esquema que precisam ser investigados”.
Para o líder do PSOL, deputado Chico Alencar, a Câmara deve punir com rigor os atos ilícitos.”As emendas barganhadas são piores que qualquer ‘soneto’ dissonante: tentam rimar um suposto bem comum, voltado para a população dos municípios, com o objetivo evidente do benefício particular, seja por participação societária em empresas que realizarão obras indicadas pelas emendas, seja pela captação de votos nos ‘currais’ do velho clientelismo”, avaliou.
O ESQUEMA
De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo, no dia 17 de junho, Bacelar é o “comprador” das emendas de outros parlamentares, e Simões é apontado como um dos deputados que venderiam as emendas. A denúncia foi feita pela ex-mulher de Bacelar, a empresária Isabela Suarez – filha e braço-direito do empreiteiro Carlos Suarez, fundador da OAS e um dos maiores empresários da construção civil na Bahia. Ela detalha, em conversa com a irmã de Bacelar, Lilian, o esquema entre os deputados. “Desse cara do PT, com certeza ele [Bacelar] compra emenda. O nome dele é Geraldo alguma coisa. Federal da Bahia. Se procurar, na hora você vai achar: Geraldo. Com certeza, com certeza. Eles operavam com o filho dele”, diz Isabela. As gravações foram feitas por Lilian, sem conhecimento de Izabela. Lilian trava com o deputado uma briga na Justiça por causa da herança do pai.
Em matéria publicada dois dias depois (19), o deputado Marcos Medrado admite que negociou emenda no valor de R$ 2 milhões a ser destinada para município de Teofilândia, base eleitoral de Bacelar. Outros dois municípios, Canarana e Ibipeba, também base de Bacelar, receberiam R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões, respectivamente, mas os recursos acabaram sendo destinados para a cidade de Paramirim.
Além do balcão de compra e venda de emendas, também foi denunciado um esquema de contratação de empresas ligadas ao deputado João Bacelar, como a Embratec, a Construtora Xavante e a MAF Projetos e Obras, por prefeituras baianas, envolvendo milhões de reais. Há também indícios de indicações políticas de João Bacelar para que terceiros assumissem cargos públicos com intuito de “tomar dinheiro”. Segundo a ex-mulher de Bacelar, Izabela Suarez, o ex-governador da Bahia, César Borges, “tolhia as indicações do João porque sabia que todo mundo que fosse indicado por João estava lá para poder armar”.
Foto: Jorge Guimarães / Liderança do PSOL

