A bancada do PSOL apresentou, na manhã da última sexta-feira (23), um requerimento de convocação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para que ele explique a suspensão das ações de combate aos incêndios florestais no país.
Na última semana o governo suspendeu o trabalho de brigadistas, alegando falta de recursos. A ordem partiu da Diretoria de Proteção Ambiental, que opera o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais. No início da tarde do mesmo dia, o ministro Ricardo Salles voltou atrás.
Levantamento do Observatório do Clima aponta que o Ministério do Meio Ambiente utilizou R$ 105 mil entre 1º de janeiro e 31 de agosto deste ano, o que equivale a apenas 0,4% do orçamento 2020. Para o PSOL, os recursos deveriam financiar a política ambiental, desde ações de combate à mudança do clima, até a proteção da biodiversidade como combate à incêndios florestais.
”Não é novidade que o Governo Federal privilegia o interesse econômico de agentes privados em detrimento da preservação ambiental e do interesse público e, para fazê-lo, combate e mitiga o controle social e a transparência em suas ações, seja desmontando as estruturas do estado dedicadas à preservação e fiscalização”, destaca a bancada.
A Amazônia já sofreu, entre 1º de janeiro e o final de outubro, com 89.604 focos, ante 89.176 observados no ano passado, de acordo com registros do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nos 22 primeiros dias de outubro, o total de pontos de incêndio, de 13.574, já é 73% superior ao observado nos 31 dias deste mesmo mês no ano passado. É também a maior taxa para outubro desde 2017.
No Pantanal, o total de queimadas neste ano já é mais que o dobro do observado em todo o ano passado no bioma, de longe o pior cenário desde o início dos registros, em 1998. E o Cerrado também começou a queimar mais agora em outubro, já superando em 52% os focos dos 31 dias de outubro de 2019.



