O PSOL, junto com a Rede Sustentabilidade, apresentou nesta sexta-feira (18) um aditamento ao pedido de cassação do mandato de Flávio Bolsonaro no Conselho de Ética do Senado Federal.
O documento pede que “novos fatos de extrema gravidade” noticiados pela imprensa nacional nesta semana sejam considerados no pedido de cassação, apresentado originalmente em 13 de maio após a divulgação de mensagens em que o senador pede R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de um suposto filme sobre o seu pai, o ex-presidente genocida Jair Bolsonaro.
O aditamento menciona reportagem publicada pela revista Piauí no dia 16 de setembro, que diz que Flavio Bolsonaro usou um imóvel no mês passado que pertenceu a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, para hospedagem e ações de campanha eleitoral. Teriam ocorrido reuniões políticas, gravações de propaganda e varreduras de segurança operadas por agentes da Polícia Legislativa do Senado Federal.
De acordo com a reportagem, o imóvel utilizado por Flavio Bolsonaro foi objeto de negociação atípica que envolveu a sua venda por valor muito abaixo do mercado à empresa WT Administração de Imóveis e Bens, pertencente a Willer Tomaz, advogado que mantém relações comerciais com investidores ligados a Daniel Vorcaro.
A transferência do imóvel, segundo a revista, foi registrada em cartório no dia em que Zettel foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal ter determinado o bloqueio de todos os seus bens.
Ainda segundo a reportagem, moradores do condomínio afirmam que imagens de segurança registradas nos dias em que Flavio Bolsonaro frequentou o imóvel teriam sido “apagadas acidentalmente”.
O documento apresentado pelo PSOL e pela Rede também menciona outros fatos citados na reportagem, como o uso, por Flavio Bolsonaro, de mansão em Angra dos Reis pertencente à WT e a um Fundo ligado a Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e de aeronaves e estrutura logística ligadas a Willer Tomaz e a cotistas com histórico de compartilhamento de bens com o mesmo Vorcaro.
A representação apresentada contra o senador Flavio Bolsonaro pede a abertura de processo disciplinar com punição de perda de mandato. “A cada nova revelação, cai a narrativa de que Flávio Bolsonaro seria apenas um personagem periférico no escândalo do Banco Master, já que os fatos conhecidos até agora apontam para uma relação próxima e recorrente com personagens centrais das investigações”, afirma o líder da bancada, Tarcísio Motta (RJ). Ele destaca que “o PSOL quer que o Congresso e os órgãos de controle ajam com o rigor que a sociedade espera de qualquer agente público”.
Para a presidente do PSOL Nacional, Paula Coradi, o que a Polícia Federal está revelando na Operação Compliance Zero é um escândalo inaceitável. “Ficou provada uma relação íntima e contínua entre o senador Flávio Bolsonaro e os cabeças do esquema do Banco Master, como o Daniel Vorcaro. O senador usava descaradamente imóveis de investigados como extensão do seu gabinete para reuniões políticas e gravações de campanha, com direito a varredura da Polícia Legislativa e tudo. É a rede de corrupção infiltrada em um mandato. Diante dessa gravidade toda, o PSOL exige que o Senado Federal apure imediatamente essas ligações criminosas”, declarou.

