A obra bilionária de infraestrutura, realizada na região dos bairros Cidade Praiana e Cidade Beiramar, fracassou no sentido de trazer dignidade aos seus moradores.
O contrato, que foi o principal responsável pela reeleição do atual prefeito depois de uma apertada vitória em relação ao seu oponente, abrangeu a realização do sistema de drenagem, rede de esgoto e pavimentação nas vias inseridas nestes bairros. A empresa que realizou os serviços, pertencente ao grupo Odebrecht, também explorará a operação do sistema de esgoto durante 15 anos, a partir do final da obra, ocorrida em 2009.
O prejuízo aos cofres públicos, que hoje está em torno de espantosos 7 milhões por mês, totalizará ao final do contrato, aproximadamente 2 bilhões de reais, incluindo-se os reajustes previstos. O valor se mostra surreal até se comparado aos escândalos cotidianos que vemos na mídia, mas para se ter uma noção do grau de alienação destes números basta compará-lo ao custo do contrato de execução da rodovia que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, realizado pelo mesmo grupo empresarial na região norte do país, que custará à União cerca de 10 bilhões de reais, fazendo este se parecer uma ninharia se considerado todo o grau de complexidade que uma obra deste porte necessita.
Não obstante, o problema é que mesmo jogando esta imensidão de dinheiro rio abaixo, ou melhor, valão abaixo, os moradores dos bairros que deveriam ser atendidos vêm suas casas serem invadidas pelas águas fétidas do Canal de Medeiros sempre que há a ocorrência de chuvas um pouco mais forte, como as que aconteceram em janeiro deste ano e de todos os demais que virão.
Toda chuva é o mesmo drama. Bilhões mal investidos (desviados prá Odebrecht) não resolveram o problema. Obra da PPP (Reviver Região Sul) mostrou-se eleitoreira.
O sistema de drenagem deficitário, pois apresenta bolsões de alagamento em inúmeras ruas devido à execução errada dos caimentos, é agravado pela ausência de obras no Valão de Medeiros. Estranho que estas obras foram amplamente divulgadas, inclusive na televisão, na época das últimas eleições e estariam inseridas no mesmo contrato em questão.
Como agravante, o asfalto e as calçadas do tipo casca de ovo, com nítidos problemas em todas as ruas, contribuem ainda mais para a falta de escoamento do Valão, uma vez que impermeabiliza o solo.
A rede de esgoto, deficiente de vedação, permite a entrada da água do solo e das chuvas chegando a esguichar a mistura podre pelos tampões das caixas de visitas localizadas nas ruas, representando grande perigo às crianças que brincam desavisadas nas ruas alagadas.
Uma comissão de engenheiros do município foi nomeada para fazer a aprovação das obras mas nenhuma satisfação foi dada à sociedade na ocasião.
O contrato irresponsável, uma vez que os gestores comprometeram boa parte da receita do município destinada ao investimento em infraestrutura durante 15 anos, não levou em consideração a queda de arrecadação de royalties, resultante da polêmica e possível redistribuição destes, ou devido às crises mundiais recorrentes ou ainda, a prevista redução da produção de petróleo da Bacia de Campos (sim, porque até o momento o pré sal é só um sonho), e é o principal responsável pela total ausência de obras públicas significantes nos últimos anos.
Se você servidor ainda não ficou preocupado com este artigo, saiba que os pagamentos à empresa contratada é garantido e um de seus lastros é o fundo de previdência dos funcionários. Saibam também que em casos críticos, para o município saldar suas dívidas, a lei permite a demissão até de servidores efetivos.


