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PT perdeu referência ética, afirma senador Randolfe Rodrigues

SÃO PAULO – Sem medo de dizer o que pensa e com a língua ferina, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) passou os últimos dias no Grande ABC para potencializar as campanhas de socialistas aos paços. Ontem (17), em visita ao Diário, o mais novo congressista do Senado, 39 anos, disse que o PT, seu ex-partido, perdeu a referência ética. Randolfe criticou, principalmente, a mudança de postura da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), a qual anunciou nesta semana parcerias com a iniciativa privada para melhoria e ampliação das malhas rodoviária e ferroviária. Esses convênios são tratados pelo senador como privatização. “Estou falando de um PT que elogiou a Dilma. Ela foi eleita para defender o País das privatizações, não para privatizar.

“O partido deteriora rapidamente seu escopo programático e seu perfil político, perde a referência ética”, discorreu o senador, que é professor universitário.Em continuação à análise sobre o PT de ontem e o de hoje, Randolfe disse que a legenda criada no fim dos anos 1970, início dos anos 1980, pela classe operária é, atualmente, “muito parecida com o PSDB”, ainda referindo-se às privatizações. “Não gostaria que esse movimento avançasse. O partido, enquanto instituição, se distancia do perfil político pelo qual se notabilizou.”Em meio às críticas ao PT e à gestão Dilma, Randolfe não poupou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o qual classificou como “a maior liderança política da história política brasileira”. Por essa condição, de alta popularidade e de respaldo junto à classe política conquistados em oito anos de governo (2003 a 2010), o petista “poderia ter contribuído mais”, na avaliação do socialista.”De uma liderança se espera o exemplo. Exemplo é o que arrasta, palavra só convence. Não é um bom exemplo para gerações futuras apertar a mão, selando aliança, de um dos mais notórios corruptos da política, que é o senhor Paulo Maluf (deputado federal do PP).

Por força, Ivan Valente projeta capitais – Na perspectiva de fortalecimento interno, o presidente nacional do Psol, deputado federal Ivan Valente, sustentou que vencer prefeituras de capitais faz parte do plano concreto das fileiras socialistas. Mesmo com poucos recursos, por não aceitar financiamento privado de campanha, Belém, Macapá e Rio de Janeiro são apostas para sacramentar a virada de força pretendida no campo majoritário. “A eleição de outubro tende a ser divisor de águas. Após um governo centrado na ética, o modelo virará referência e poderemos mostrar a diferença de administração.”Na capital do Pará, o candidato é o deputado estadual Edmilson Rodrigues, que por duas ocasiões foi prefeito pelo PT.

Em Macapá, a candidatura ao Paço está representada pelo vereador Clécio Luiz. No Rio, o deputado Marcelo Freixo faz frente ao prefeito Eduardo Paes (PMDB). Fundado em 2005, o PSOL participa pela segunda vez de eleições municipais. Formado por dissidentes petistas, o PSOL tem intensa expectativa na guinada de Freixo, reconhecido pela luta em defesa dos direitos humanos. A esperança é proveniente do apoio alcançado junto às classes artísticas e intelectuais. “Desde 1989, com a candidatura (à Presidência) de Lula contra Fernando Collor não havia unanimidade entre esses setores. A campanha mostra deslocamento consciente com tendência a galvanizar setores da sociedade”, disse Valente, citando suposto cansaço de blocos como o de Paes, que tem 16 partidos na coligação, “inclusive, com financiamento da Delta”, empresa investigada por conquistar série de certames fraudulentos pelo País. Candidato à prefeitura de São Paulo na última eleição, o dirigente avaliou que é difícil reconstruir imaginário da mudança social e da ética na política.

Figura que, segundo ele, o PT representou por certo tempo, porém, desvirtuou da rota na busca pelo poder e pela manutenção da governabilidade. “Os dois fatos do noticiário hoje são a CPI do Cachoeira e o julgamento do Mensalão. Se fizer recall desses casos, a maior virtude da nossa bancada é poder andar de cabeça erguida, pois não há rabo preso, não somos reféns do poder econômico.” Em referência às propostas ideológicas, fundamentadas no socialismo, Valente analisou que o PSOL apresenta projeto diferente. O deputado afirmou que prova disso é a ironia do PSDB elogiar o PT pelas privatizações em aeroportos e ferrovias. “Somos radicalmente contra a iniciativa, nociva à sociedade”, enfatizou, ao mencionar a luta pela CPI da Dívida Pública. “Quarenta e oito porcento do que se arrecada é gasto com pagamento de juros e amortizações, sobrando pouco para Educação e Saúde.”

Candidatos mantêm corpo a corpo – Ainda sem decolar nas pesquisas, os cinco prefeituráveis do PSOL no Grande ABC não vão mudar a estratégia nesses 50 dias finais de campanha, até o dia da votação, em 7 de outubro. Quatro deles estiveram ontem em encontro com o senador Randolfe Rodrigues, em Santo André: Marcelo Reina (Santo André), Aldo Santos (São Bernardo), Fernando Turco (São Caetano) e José Silva (Mauá). A ausência foi Alberto Ticianelli, candidato ao Paço de Ribeirão Pires. “Nosso diferencial é o tête-à-tête, em que explicamos nossas propostas. As pessoas se admiram sobre como funciona o processo eleitoral. Explicamos que somos diferentes, que nossas campanhas não aceitam doações de empresas, para não ficar com o rabo preso. Somos partido independente, que vai ganhando a confiança do eleitor. Nada como ter a verdade ao nosso lado”, discorreu Reina, ao finalizar a declaração parafraseando um dos coordenadores regionais do PSOL, Ricardo Alvarez.

“No corpo a corpo, saindo às ruas, falando diretamente com as pessoas sentimos diferença comportamental no eleitor em comparação com 2008. Os moradores querem falar sobre programa de governo. Isso é ótimo sinal. Somos alternativa, por exemplo, a quem abusa dos carros de som, de panfletos, placas. Isso não leva a nada se não tiver proposta”, argumentou Turco. “Caminho pelos eixos comerciais, nos bairros periféricos. Podemos falar com a cara limpa. A aceitação tem sido grande”, afirmou José Silva. “Eleição é luta de classe. De um lado, os poderosos, que muitas vezes compram o resultado. De outro, o trabalhador, que ainda tenta se organizar para chegar ao poder. O PT contribuiu negativamente com esse sistema, pois abandonou o exército socialista. Política virou balcão de negócio. Não vamos repetir essa prática. Nossa intenção é politizar o processo, onde o importante é o voto”, salientou Aldo Santos.

Do Diario do Grande ABC | Beto Silva e Fábio Martins | sábado, 18 agosto, 2012 

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