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Truculência da polícia não intimida manifestantes e protestos contra aumento de passagem crescem em São Paulo

Do site do PSOL Nacional, Leonor Costa

A Polícia Militar de São Paulo vem seguindo à risca a orientação do governo estadual de reprimir, com força, as manifestações contra o aumento da tarifa de transporte público, que acontecem desde a quinta-feira (06) da semana passada, em São Paulo. Nas últimas manifestações ocorridas na capital paulista, a tropa de choque da PM, sob o comando do governo estadual e com a conivência da prefeitura municipal, usou novamente da força, indo para cima dos manifestantes com bombas de efeito moral, bala de borracha e spray de pimenta. No entanto, mesmo com toda truculência, o movimento segue firme e os protestos têm contado com mais adesões da população.
 
O terceiro ato, promovido na última terça-feira (11), reuniu cerca de 12 mil pessoas e parou importantes ruas e avenidas da maior cidade do país. Segundo matéria publicada no site do jornal Brasil de Fato, a primeira ação de violência policial ocorreu no terminal Parque D. Pedro, por volta das 19h30. “Cinco viaturas da PM impediram que os manifestantes ocupassem a avenida Rangel Pestana por meio de bombas e balas de borracha. Várias pessoas ficaram feridas”, afirma o texto. Ao final da passeata, que seguiu até o MASP, a polícia lançou uma sequência de dez bombas de efeito moral, gás de pimenta, atingindo até mesmo outros trabalhadores que retornavam para suas casas. Tais atitudes mostram que a ordem do Estado é reprimir, com toda a força possível, o direito de trabalhadores, estudantes e militantes se manifestarem contra qualquer ato que considerarem abusivo.
 
De acordo com o membro do diretório estadual do PSOL Nilton Queiroz, que tem participado de todos os protestos em São Paulo, a resposta da militância a tais abusos de poder é reforçar a participação nas manifestações que estão sendo convocadas. Ele avalia que o movimento vem crescendo desde a quinta-feira passada até agora e a expectativa é que a atividade convocada para hoje (13), a partir das 17h, seja ainda maior que as já realizadas. A concentração acontece no Teatro Municipal, de onde os manifestantes devem sair em passeata.
 
O militante do PSOL explica, ainda, que o Ministério Público Estadual apresentou uma proposta aos governos para tentar solucionar o impasse. A ideia é que no prazo de 45 dias sejam feitas análises das planilhas de gastos e receitas do transporte público para tentar chegar a um acordo para que o valor da passagem volte aos R$ 3,00 anteriores. No entanto, tanto o governador Geraldo Alckmin, quanto o prefeito Fernando Haddad ainda não deram qualquer resposta ao MP. “Ao invés de tentarem pensar numa solução, eles ordenam que a polícia aja com mais truculência”, ressalta Nilton. Segundo ele, o saldo até agora é de duas pessoas detidas em presídio de segurança máxima, sete estão na 2º DP e uma mulher foi levada para o presídio de Franco da Rocha. O jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, do Jornal Aprendiz, foi preso arbitrariamente durante o protesto de terça-feira.
 
Por que protestar
Em artigo publicado na coluna Tendências e Debates, do jornal Folha de São Paulo, militantes do Movimento Passe Livre explicam porque estão nas ruas da de São Paulo e de outras capitais, protestando contra o aumento abusivo das passagens. “Calcula-se que são 37 milhões de brasileiros excluídos do sistema de transporte por não ter como pagar. Esse número, já defasado, não surgiu do nada: de 20 em 20 centavos, o transporte se tornou, de acordo com o IBGE, o terceiro maior gasto da família brasileira, retirando da população o direito de se locomover”, argumentam, no texto.
 
Eles ainda criticam o modelo adotado nas capitais brasileiras, que privilegia os interesses privados em detrimento do público. “O modelo de transporte coletivo baseado em concessões para exploração privada e cobrança de tarifa está esgotado. E continuará em crise enquanto o deslocamento urbano seguir a lógica da mercadoria, oposta à noção de direito fundamental para todas e todos. Essa lógica, cujo norte é o lucro, leva as empresas, com a conivência do poder público, a aumentar repetidamente as tarifas. O aumento faz com que mais usuários do sistema deixem de usá-lo, e, com menos passageiros, as empresas aplicam novos reajustes”, ressaltam. As lutas em outras capitais também são ressaltadas por eles, como no Rio de Janeiro, além de Goiânia e Porto Alegre, onde os manifestantes tiveram retorno positivo.
 
“O prefeito Fernando Haddad, direto de Paris, ao lado do governador Geraldo Alckmin, exige que o movimento assuma uma responsabilidade que não nos cabe. Não somos nós os que assinam os contratos e determinamos os custos do transporte repassados aos mais pobres. Não somos nós que afirmamos que o aumento está abaixo da inflação sem considerar que, de 1994 para cá, com uma inflação acumulada em 332%, a tarifa deveria custar R$ 2,16 e o metrô, R$ 2,59”, criticam os militantes.
 
Também em artigo publicado em seu blog, o vereador pelo PSOL em São Paulo, Toninho Vespoli, afirma que o movimento seguirá na luta contra o aumento abusivo da passagem. E ele explica por quê. “A prefeitura alega que o aumento não é injusto dado que o reajuste ficou abaixo da inflação. Agora, reconhecendo a atual situação da rede de transporte metropolitana, marcada pelo descaso com o direito de ir e vir da população, o aumento se mostra um grande desrespeito. Ônibus, metrô e trem funcionam com capacidade muito acima do razoável. A qualidade do transporte é pífia. Prioriza-se o lucro das empresas concessionárias e o transporte individual em detrimento do transporte coletivo de qualidade e de massa”, enfatiza o vereador.
 
Ele afirma que estudo feito pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo demonstra que se fosse aplicada a inflação real, a tarifa do metrô que em 1995 valia 80 centavos, em 2012 deveria valer 1,84 e não os 3 reais. O vereador lembra, ainda, que a tarifa do ônibus, por sua vez, valia 50 centavos em 1994. Com a correção, em 2011, deveria ter passado para 1,50 e não para os injustos 3 reais. “Entendemos, assim, que qualquer aumento é injusto, pois beneficia somente os lucros dos empresários e não os direitos da população”.
 
Toninho Vespoli reafirma o apoio do seu mandato às manifestações, por entender que lutar contra o aumento da passagem e pleitear a tarifa-zero são reivindicações justas e necessárias. “O Partido Socialismo e Liberdade e o Mandato Popular e Socialista do vereador Toninho Vespoli se somam a mais essa luta e se colocam a disposição de todas as reivindicações que apontam para a melhora nas condições de vida do povo brasileiro”, finaliza.
 
Clique aqui para ler o artigo de Toninho Vespoli.

 

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