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#100AnosRevoluçãoRussa | Cem anos de luta e sonhos que continuarão

Neste ano, todo militante socialista comemora os 100 anos da Revolução Russa, ocorrida em 1917, quando a população de maneira geral que estava cansada de ser explorada por uma dinastia de três séculos, representada pelos Czares, que defendia o sistema financeiro estrangeiro em detrimento do povo russo pois, a burguesia ainda era incipiente naquela época, tomou os rumos de sua história.

A concentração de terra era grande, oriunda do sistema quase feudal e da monarquia que reforçava o poder tradicional do latifúndio junto com o poder local, que massacrava os camponeses com jornadas de trabalho de 12 a 16 horas diárias e salários miseráveis. Além da exploração dos trabalhadores, havia a manipulação do abastecimento de alimentos que impunha a fome ao povo da cidade e do campo.

O aparato estatal era todo controlado por uma casta de funcionários, políticos e burocratas, que defendiam seus próprios interesses, vivendo em realidade diferente da maioria da população trabalhadora. Até os soldados, que são trabalhadores utilizados para garantir uma classe privilegiada em qualquer sociedade, eram submetidos a condições de penúria e, a ruptura de grande parte das forças armadas com o poder dominante e seu deslocamento para o lado dos trabalhadores, não mais defendendo o Estado que esfoliava a população, foi importante para a vitória da Revolução.

A vitória da Revolução Russa deu-se por uma série de fatores, em que numa velocidade histórica e impressionante os trabalhadores foram se organizando, com cada pessoa devorando todo tipo de boletim informativo ou qualquer panfleto que era publicado, ganhando consciência coletiva e de classe. A população ganhava a certeza de que era preciso lutar e vencer o sistema explorador e opressor que se traduziu em ações, com grandes assembleias populares, e assim foi canalizada para uma organização partidária popular que conduziu a revolução à vitória.

Os Cem anos da Revolução Russa devem servir de exemplo e aprendizado de como devemos construir uma alternativa ao capitalismo e projetar uma sociedade onde possamos derrotar o capital, com o povo trabalhador protagonista da construção de sua própria libertação. As condições materiais de hoje, com o avanço da tecnologia e do desenvolvimento da capacidade de produção variável e bem maior, com menos necessidade de horas de dedicação ao trabalho do que há cem anos.

Não conseguiremos construir uma nova sociedade com paz, uma vez que parte dos jovens que mora nas periferias das cidades já está sendo mortos simplesmente por serem negros e pobres. Aqueles que conseguem sobreviver estão sendo corrompidos pela alienação do mercado, de sentimentos vazios de esperança, com falta de perspectiva de futuro e destituído dos valores humanitários e coletivos, incutida para o ideário individualista e da disputa desenfreada. Centenas de mulheres são assassinadas por uma cultura machista e hipócrita que prega a objetificação do corpo feminino imposta no meio social e pela dominação capitalista. Índígenas estão sendo dizimados e perdendo sua identidade cultural em nome do dito progresso. A prostituição infantil, infelizmente, é uma realidade.

Todas essas mazelas são fruto de um sistema, dominada por uma pequena elite, sobre todo povo que através do medo, da violência, do cultivo da ignorância e da super-exploração que é mantido pela burguesia para que a classe trabalhadora não se sinta a vontade para sonhar e passa a ser refém de um padrão de comportamento de ser, pensar, sentir e existir. Isso é feito, principalmente, através dos meios de comunicação, dominados por alguns grupos familiares nacionais e mundiais, apesar da internet já ter conseguido furar um pouco a sua perpetuação.

O problema do sistema capitalista se dá pela sua capacidade de convencimento que incute a ganância e o individualismo como meio de sobrevivência. A vida fica refém dos ditames de um padrão de sociedade que empurra as pessoas a lutar exclusivamente pela sua sobrevivência na forma individual e alguns poucos pensam na coletividade de maneira geral.

Uma das armas do capitalismo é a imposição de um sistema educacional multifacetado e dividido, investindo no desenvolvimento desigual e privilegiando, sempre uma minoria, para que a classe trabalhadora viva um sonho de emancipação somente pessoal e individual, em detrimento da emancipação politica consciente coletiva, a qual certamente levaria ao confronto e posterior derrocada desse sistema.

Os avanços sociais conquistados ao longo do tempo, que garantiram direito como salários, descanso remunerado, condições de higiene e saúde minimamente digna etc., só foram possíveis mesmo nos países onde não ocorreram revoluções, devido à existência de um polo politico socialista, que amedrontava os capitalistas, que para se proteger, admitia a diminuição do lucro exacerbado, para manter o sistema capitalista vivo.

Com a derrocada do socialismo, o sistema capitalista se viu livre e mais forte para impor seus arroubos exploratórios e avançar no mundo destruindo milhares de vidas humanas, com guerras para concentrar a riqueza mundial, chegando ao absurdo de 1% de pessoas mais ricas concentrar 99% da riqueza mundial, enquanto 99% tem que dividir os 1% restante.

As organizações politicas de esquerda de maneira geral são fracas e fracionadas, situando-se apenas na vanguarda consciente da classe trabalhadora, onde a falta de capacidade política também se individualiza e sobrepõe o sonho de transformação. Sendo cada organização seu próprio naufrágio da esperança dos trabalhadores, seja por sua incapacidade de diálogo com a maioria dos trabalhadores, ou seja pela prática de manter a raiz dos princípios capitalistas nas suas atitudes individuais e pessoais. O socialismo deve ser construído como uma nova forma de pensar e agir, contra o sistema imposto, valorizando o trabalho coletivo e com praticas diárias anti-sexista, anti-discriminatório, e anti-personalista, etc.

O sonho de construir outra sociedade é possível e a Revolução Russa mostrou que o povo é capaz de dirigir sua história alterando a correlação de forças desfavorável. No entanto, vários passos devem ser dados principalmente por quem tem uma formação politica ideológica progressista ou uma consciência critica para mudar esse mundo desumano e desigual em que vivemos, construindo uma nova forma de relações sociais.

Para esse sonho se tornar realidade, temos que admitir mudanças de postura individual como a conduta, paciência, humildade e a solidariedade, que devem fazer parte de cada um de nós, bem como é primordial a construção dos organismos coletivos, como o partido, que deve ter em sua base a democracia, a fraternidade, a lealdade, dialogando fraternalmente com a população mais humilde, sem imposições ou receitas prontas de revolução, construindo um ambiente coletivo de aprendizado e ações entre todos.

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