Aconteceu no último final de semana, entre os dias 18 e 20 de julho em Salvador (BA), o 2º Seminário da Negritude do PSOL: Marxismo Negro. Promovido pela Setorial da Negritude do PSOL, o evento foi espaço de ricos debates sobre a importância do pensamento desenvolvido por marxistas negras e negros – com suas contribuições fundamentais sobre a intersecção entre classe, raça e gênero – para a construção de um projeto socialista que responda aos desafios do século XXI.
O evento contou na sexta-feira (18) com uma emocionante homenagem aos cinco estudantes e trabalhadores que morreram vítimas de um acidente de trânsito com um ônibus que levava jovens da Universidade Federal do Pará (UFPA) para o Congresso Nacional da UNE (Conune) em Goiânia (GO).
No domingo, outra homenagem: às lideranças negras do PSOL Salvador que vêm sofrendo com uma profunda perseguição política na cidade e que têm seus mandatos ameaçados. São eles os vereadores de Salvador (BA), Hamilton Assis e Eliete Paraguassu, o deputado estadual Hilton Coelho, além do ex-candidato à prefeitura da capital baiana, Kleber Rosa.
A atividade também fez parte do processo de atualização programática do partido no marco dos seus 20 anos — o PSOL+20. O acúmulo dos debates promovidos pela negritude do partido será devidamente sistematizado em um documento para ser enviado como contribuição ao conjunto do partido nesta atualização do programa. Ele será devidamente divulgado após a sua sistematização.
Veja abaixo as notas aprovadas pela negritude do PSOL neste final de semana:
CARTA DE SOLIDARIEDADE E RESISTÊNCIA DOS NEGROS E NEGRAS DO PSOL
Companheiras e companheiros,
Neste momento de intensa luta contra o racismo e em defesa da democracia, nós, negros e negras do PSOL manifestamos nosso firme apoio e solidariedade aos mandatos do vereador Hamilton Assis, do deputado estadual Hilton Coelho, do companheiro Kleber Rosa, assim como à vereadora Eliete Paraguassu, vítima de ataques racistas e misóginos na Câmara de Salvador.
A perseguição política que enfrentam não é isolada: é parte de um projeto de extermínio das vozes negras, periféricas e socialistas nos espaços de poder.
A criminalização de Hamilton — professor e militante histórico do movimento negro— por sua defesa intransigente da educação pública e dos direitos dos trabalhadores revela a face brutal do Estado racista. A falsa acusação de “incentivo à desordem” durante a greve das professoras é uma cortina de fumaça para encobrir a violência institucional que busca calar quem denuncia o apartheid social brasileiro. A cassação de seu mandato, articulada pela base governista, é um ataque não só ao PSOL, mas a todos os movimentos que combatem a necropolítica das elites.
Da mesma forma, repudiamos os ataques racistas sofridos por Eliete Paraguassu, liderança negra que enfrenta diariamente a misoginia e o ódio de classe no parlamento. Seu crime? Existir como mulher negra em um espaço que insistem em reservar aos brancos e aos ricos.
A queixa-crime contra Kleber Rosa e as investidas contra Hilton Coelho seguem a mesma lógica: a tentativa de deslegitimar a luta antirracista e popular através da judicialização da política. São estratégias herdadas do colonialismo, hoje atualizadas pelo fascismo social.
Nós, negros e negras do Partido Socialismo e Liberdade:
1. Exigimos o fim imediato das perseguições aos mandatos do PSOL e a garantia de suas liberdades políticas.
2. Construiremos uma campanha nacional de denúncia contra o racismo institucional nas câmaras e assembleias legislativas.
3. Fortaleceremos a aliança entre movimentos negros, sindicais e parlamentares comprometidos com a revolução.
Como disse Hamilton: “Não nos tirarão a voz, porque ela vem das ruas”. Que este Encontro seja um marco na organização da resistência. Seguiremos de pé, até que nenhum de nós esteja ajoelhado.
Pelo fim da criminalização da luta negra e popular!
Viva o Povo Negro!
SALVADOR, 20 DE JULHO DE 2025
Negras e Negros do PSOL.
Moção de Repúdio e Apelo pelo Veto ao “PL da Devastação”
Considerando a urgência da crise climática e ambiental, a importância da proteção dos biomas brasileiros e o impacto desproporcional da degradação ambiental nas comunidades negras e povos tradicionais, nós negras, negres e negros presentes no Seminário Nacional de Negritude do PSOL manifestamos nosso veemente repúdio ao Projeto de Lei 2.159/2021 popularmente conhecido como “PL da Devastação”.
Diante do exposto, o Seminário Nacional de Negritude do PSOL DELIBERA:
1. Repudiar veementemente o “PL da Devastação” e todas as iniciativas legislativas que visem fragilizar a proteção ambiental no Brasil.
2. Manifestar profundo alerta sobre as consequências sociais e ambientais da aprovação deste Projeto de Lei, especialmente para as comunidades negras, quilombolas, indígenas e povos tradicionais.
3. Conclamar ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a exercer seu poder de veto total sobre o “PL da Devastação”. O veto presidencial é fundamental para garantir a proteção ambiental, os direitos humanos e a imagem do Brasil no cenário internacional.
4. Reafirmar o compromisso do Seminário Nacional da Negritude do PSOL e do partido com a luta por um Brasil socialmente justo, racialmente equânime e ambientalmente sustentável.
Salvador, 20 de julho de 2025
Negras e Negros do PSOL.
Nota de repúdio ao tarifaço de Donald Trump contra o Brasil
O PSOL repudia os ataques de Donald Trump feitos através do tarifaço que visa taxar em 50% os produtos de origem brasileira. Essa iniciativa é uma afronta à soberania do Brasil e um ataque às instituições brasileiras com o objetivo de colapsar a economia do nosso país, tendo impacto imediato na vida do povo brasileiro, principalmente aos mais pobres que já sofrem com a crise do capitalismo tendo que vender sua força de trabalho em condições cada vez mais precárias e desumanas para colocar um prato de comida na mesa, sendo esses e essas trabalhadoras em sua maioria negros e periféricos.
Esse ataque reforçou um sentimento anti-imperialista que precisa se transformar em luta social e mobilização constante contra a extrema direita. Dentro dessa conjuntura, o PSOL precisa fortalecer as iniciativas que busquem transformar esse repúdio em luta de massas, de rua, como forma de resistência à política imperialista do Estados Unidos em defesa da soberania nacional e da vida do nosso povo.
Salvador, 20 de julho de 2025
Executiva Nacional da Negritude do PSOL.
Nota de solidariedade a Erika Hilton, vítima de ataques racistas e transfóbicos
Manifestamos total solidariedade à nossa companheira e deputada federal Érika Hilton diante do crime racista e transfóbico que sofreu no último dia 19 de julho.
Não é a primeira vez que Érika é alvo de ataques e ameaças. Essa tem sido a realidade compartilhada por todos os nossos parlamentares negros e negras.
Na mesma proporção e não por acaso, são esses os mandatos que mais movimentam os espaços de poder na nossa sociedade! São esses os quadros que questionam a ordem e apontam para um caminho de mudança nas estruturas da nossa sociedade. São esses os mandatos que propõem o reposicionamento da institucionalidade e trazem as lutas do nosso povo para o centro do debate. E é isso que incomoda. Mas essa gente nefasta não vai nos parar!
Não vamos admitir que o racismo avance impune!
Como partido que tem como prioridade a construção de lideranças negras, reafirmamos que não nos calaremos. É urgente reforçar nossos mecanismos de proteção, cuidado e defesa de todos os nossos parlamentares e lideranças. A cada ataque, nossa resposta será mais organização e mais luta.
Seguiremos ao lado de Érika Hilton e de todas as pessoas negras que ousam ocupar espaços de poder, com coragem e dignidade.
Salvador, 20 de julho de 2025
Negras e Negros do PSOL.
Nota de Repudio ao Projeto da Ponte Salvador-Itaparica – Governo do Estado da Bahia
O Setorial Nacional de Negros e Negras do PSOL vem repudiar os métodos utilizados pelo Governo do Estado da Bahia ao impor o projeto da Ponte Salvador-Itaparica sem a devida consulta pública à população atingida pelas futuras obras, trazendo impacto socioeconômico, ambiental e territorial. Serão impactados cerca de 100 mil pescadores, duas comunidades quilombolas, duas comunidades ciganas, 120 terreiros, dentre eles 2 terreiros patrimonializados e trinta grupos de capoeira.
A especulação imobiliária, a falta de estrutura em saneamento básico, o aumento da população que sairá de 45 mil pessoas para cerca de 400 mil pessoas.
Exigimos um amplo debate e a aplicação da Lei 10.640, que protege povos e comunidades tradicionais, pois a história se repete, primeiro enquanto tragédia, segundo enquanto farsa, haja visto que o governo do Estado não realizou as consultas prévias previstas na Convenção 169 da OIT, comprometendo todo e qualquer processo de implantação desta obra pública.
Salvador, 20 de julho de 2025
Negras e Negros do PSOL.

