Durante alguns meses, nosso eixo materializou-se na chamada “Fora Renan!”. Nossa bancada parlamentar e nossa agitadora “número um”, Heloísa Helena, foram incansáveis e determinantes neste batalha. Corretamente, aproveitamos as divergências no andar de cima – entre as classes dominantes, seus partidos e líderes –, para furarmos o bloqueio da mídia e dialogarmos com milhões de homens e mulheres, trabalhadores de todo o país. Contribuímos para desmascarar os partidos das classes dominantes, melhor forma, nessa situação política sem fortes lutas do povo, de enfraquecer a aplicação dos planos de ajuste contrários aos interesses populares, planos com os quais, tanto o Governo Lula – PT e seus aliados – como a oposição burguesa – PSDB e DEM –, estão de pleno acordo.
A derrota de Renan, embora em câmara lenta, ou de pára-quedas, já é um fato. A vitória popular não foi contundente, mas ocorreu. E o PSOL foi fundamental nesta vitória. O Partido não teria se fortalecido se não tivesse sido o animador desta batalha. Este fortalecimento é visto nas ruas. O reconhecimento recebido de lideranças que não são do PSOL é expressão disso. É o caso de Leonardo Boff, durante o Encontro da Fé e da Política, no Rio de Janeiro, reivindicando o PSOL como partido necessário, defensor da ética e organicamente ligado aos movimentos populares. Isso não é pouca coisa. Nunca é demais lembrar que muitos bons pensadores – jornalistas, políticos, acadêmicos de todo tipo – imaginavam impossível construir um novo partido de esquerda que lograsse sair do gueto. Aliás, muitos que se reivindicam de esquerda diziam isso. Alguns, diante da evidência de que o PSOL rompe os limites da marginalidade e encontra audiência popular, reclamam da política que viabilizou essa superação, política assentada em dois trilhos: intransigência na oposição ao Governo Lula e denúncia implacável da corrupção.
Estamos atuando em condições complexas, nas quais o movimento de massas não tem pautado o quadro político com lutas sociais, e num cenário dominado pela unidade burguesa em torno à defesa de um modelo de acumulação cujos beneficiários são, logicamente, o capital financeiro, as transnacionais e as empresas capitalistas associadas. Apesar disso, podemos seguir avançando. Nossa formulação política, a partir de agora, necessita dar um salto de qualidade. Além de avançar na intervenção nos movimentos sociais, é preciso preparar e qualificar a intervenção partidária para a disputa eleitoral do ano que vem. Essa disputa será fundamental.
Em algumas capitais, o desafio determinante é apresentar uma política que responda às necessidades e seja capaz de empolgar setores de massas. Neste sentido, tem sido importante a preparação dos encontros municipais, muitos dos quais ocorrem ainda este ano, definindo importantes questões programáticas e políticas de alianças, e a realização da conferência eleitoral nacional no ano que vem.
Finalmente, para o avanço da orientação política do PSOL, é muito importante que todo o partido acompanhe a conjuntura internacional e se aproprie das experiências revolucionárias que nossos vizinhos latino-americanos protagonizam. Especial atenção deve ser prestada ao processo venezuelano, razão pela qual nos orgulhamos de que um dirigente nacional do Partido, o companheiro Antônio Neto, geógrafo paraense, esteja vivendo em solo bolivariano.

