fbpx

Absolvição de Renan Calheiros

Aumenta descrédito da população no Parlamento.

A absolvição de Renan Calheiros pelo plenário do Senado foi um balde de água fria nas esperanças daqueles que torciam para que os senadores votassem pela defesa da ética na política, mas não diminuiu o ânimo do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) que, desde o início, vem lutando para garantir a investigação dos fatos que envolvem o presidente do Senado.

Numa sessão secreta, com senadores ameaçados de enfrentar representações caso contassem à opinião pública o que se passava dentro do plenário, uma série de conchavos de última hora e pressões governamentais garantiram a permanência de Renan no cargo. Por 40 votos a 35, ele foi absolvido, com a providencial ajuda de seis senadores que preferiram a abstenção.

Graças à intervenção do Supremo Tribunal Federal garantindo mandato de segurança, um grupo de deputados conseguiu assistir ao triste espetáculo que aumentou o fosso entre o Senado e o povo brasileiro e que teve como uma das conseqüências o descrédito ainda maior da população em relação ao Parlamento. A bancada do PSOL na Câmara estava entre os espectadores da sessão. Chico Alencar, Ivan Valente e Luciana Genro foram beneficiados com a decisão da Justiça e fizeram questão de acompanhar o desenrolar da sessão.

A companheira Heloísa Helena, presidente nacional do PSOL, fez contundente pronunciamento em sua intervenção de acusação no plenário. Além dela, também o senador José Nery (PSOL-PA) se pronunciou exigindo a cassação do mandato de Renan.

As denúncias contra o presidente do Senado se arrastam há mais de 100 dias. A primeira representação contra ele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado foi protocolada pelo partido no primeiro semestre deste ano. Na denúncia, o partido pedia que fossem investigadas as ligações do peemedebista com duas grandes empreiteiras: Gautama e Mendes Júnior.

As supostas relações com a Gautama vieram à tona dentro da operação Navalha. Renan é citado em telefonemas, deixando no ar a suspeita de que estivesse sendo procurado a fim de usar seu cargo para facilitar a liberação de recursos em obras da empresa de Zuleido Veras. Por isso o PSOL pediu que o empresário fosse um dos chamados a depor.

O caso da Mendes Júnior é ainda mais grave. Por isso ganhou maior notoriedade e acabou levando Renan ao julgamento do plenário. A riqueza de provas coletadas, reunidas no relatório que pedia a cassação, não deixa dúvidas da utilização do cargo para obter vantagens pessoais.

Renan começou a se complicar quando se tornou pública a informação de que um lobista da empresa, Cláudio Gontijo, era o responsável por realizar os pagamentos de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha.

Independente das relações pessoais do senador de Alagoas, chamava atenção a proveniência dos recursos, já que o próprio Renan admitiu que a pensão era superior a R$ 12 mil (além de R$ 4 mil para aluguel de uma casa), valor muito acima do que poderia pagar com o salário de senador.

Para mostrar que o pagamento era feito com recursos próprios, Renan iniciou uma intrincada teia de argumentos, municiado por documentos que, ao final, fizeram a defesa desmoronar. De acordo com laudo da Polícia Federal, não havia como comprovar a relação da renda obtida pelo senador com a venda de gado, como alegado em sua defesa, e os pagamentos feitos à jornalista.  Mesmo assim, quarenta senadores ainda acharam por bem absolver o presidente do Senado num claro desrespeito ao povo brasileiro.

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,600SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas