Do Portal do PSOL Nacional – Leonor Costa
Policiais do Batalhão de Choque do Rio de Janeiro cercaram o prédio do antigo Museu do Índio (conhecido como Aldeia Maracanã), ao lado do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, e por meio do uso da força retiraram todos os índios que ocupavam o espaço desde 2006. Por ordem da Justiça Federal e a pedido do governo do estado do Rio de Janeiro, o imóvel foi totalmente desocupado em uma operação marcada por agressões contra os manifestantes e índios que tentavam resistir. O objetivo do governo é reformar o local para tranformá-lo em Museu Olímpico.
No entanto, de acordo com o vereador do PSOL Renato Cinco, que acompanhou a operação desde a madrugada de hoje ao lado dos deputados estaduais Marcelo Freixo e Janira Rocha e do vereador de Niterói Henrique Vieira, todos também do PSOL, o que está por trás da ação do governo e da polícia é a privatização do Complexo do Maracanã, formado por uma escola pública, pelo Parque Aquático Júlio De Lamari, pelo Ginário Célio de Barros e pelo próprio estádio do Maracanã, região onde fica localizado o Museu do Índio. O prédio desocupado à força pelos policiais foi destinado à causa indígena desde 1864, tendo sido abandonado na década de 70. Cinco explica que em 2006 os índios que estavam lá até hoje ocuparam o espaço e começaram a cobrar do Estado a revitalização do Museu. “A operação de hoje foi bastante repressiva. Uma parte dos índios saiu logo no início da operação e outra resistiu de forma pacífica, no entanto, os policiais decidiram retirá-los à força. Até os manifestantes que estavam lá para protegê-los foram também agredidos”, afirma Renato Cinco.
O vereador, um dos organizadores das várias manifestações realizadas nos últimos meses em defesa da preservação do Museu do Índio e contra a privatização do Complexo do Maracanã, afirma que tanto ele quanto os demais parlamentares do PSOL atuaram durante toda a manhã para o convencer o governo a negociar uma saída pacífica antes da reintegração de posse. “Fizemos o possível para tentar impedir o uso da força da forma como ocorreu. O PSOL continuará atuando para que os responsáveis pelos exageros sejam punidos e também para que o prédio permaneça como um espaço destinado à cultura e à memória indígena”, ressalta Cinco.
O governo do Rio ofereceu como alternativa a construção, até o final de 2014, de um centro de referência indígena no terreno onde atualmente está a estrutura desativada do Presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta, no parque da Quinta da Boa Vista. Outra alternativa seria construir o centro em Jacarepaguá, na zona oeste. As duas possibilidades foram apresentadas ontem (21) a representantes dos índios que ocupavam o prédio do antigo museu. No entanto, os líderes rejeitam a proposta de construir o centro cultural em outro local.
PM agiu de forma arbitrária
Cerca de 50 policiais chegaram por volta das 3 horas da madrugada e isolaram o prédio, impedindo a entrada de manifestantes e de jornalistas. Durante a operação os policiais militares usaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar as pessoas que estavam do lado de fora.
Os manifestantes ocuparam uma parte da Avenida Radial Oeste, uma das principais da cidade, que liga a zona norte ao centro. Entre os indígenas que estavam na ocupação, havia mulheres, idosos e crianças.
Na avaliação do deputado estadual Marcelo Freixo, que também acompanhou a desocupação, a PM agiu de forma arbitrária. “Não era preciso o uso da força. Era um grupo pequeno que estava lá quando o Batalhão de Choque entrou. Mesmo que alguns resistissem, era possível a retirada das pessoas sem violência. Chegaram a lançar spray de pimenta nos parlamentares, no promotor e no defensor público”, critica Freixo.

