fbpx

Ata do I Seminário Anti-Racismo do P-SOL/SP

Realizado em 18/09/2005, na sede do P-SOL/SP, este 1° seminário se
propôs a iniciar a discussão sobre a questão racial dentro do
Partido,  levando em conta as experiências e trajetórias de
companheiros e companheiras que hoje são militantes do Partido e que
têm um acúmulo na luta anti-racista.

Entendemos que a luta anti-racista é a mesma luta que fazemos pelo
socialismo, e por isso acreditamos que ela  não é só dos negros e
negras do PSOL, mas
do conjunto do Partido, que deve aproveitar o momento em que a árdua
tarefa de legalização chegou ao fim, para colocarmos em dia as tarefas
de discussão e elaboração política, bem como organizar e dar corpo às
estruturas do Partido.

A discussão da questão racial, não deve servir apenas para que no
Programa do Partido tenhamos um texto bem elaborado e arrumadinho, mas
deve servir para armar o conjunto do Partido para a intervenção
cotidiana e prática, já que o setor da classe trabalhadora, da
juventude e da população pobre mais explorada tem a pele escura, e por
isso é necessário termos condições políticas para enfrentar o debate e
estimular à luta incorporando as suas reivindicações mais básicas este
segmento da população que não é minoria , mas que não tem os direitos
democráticos elementares.

Foi com estes objetivos que travamos uma primeira discussão cujos pontos principais reproduzimos aqui:

Houve uma polêmica, acerca da afirmação de que as condições
geográficas africanas teriam facilitado a exploração da população
negra, pois estes não tinham “tecnologia” e tinham um modo de vida que
facilitava ao comerciante-traficante a exploração desta mão de obra.

Em oposição a esta idéia foi colocado que, apesar do racismo não ter
surgido com os capitalistas, foram eles que melhor se aproveitaram dele
para obterem lucros através do comércio e das divisões étnicos/raciais,
que haviam no continente africano, entre as diferentes tribos e nações.

Não achamos que havia “tecnologia inferior”, mas uma tecnologia
diferente que não era voltada exclusivamente para a guerra, mas sim
para a sobrevivência. A tecnologia do comerciante-traficante era
voltada para o comércio e para a exploração de outras culturas, por
isso desenvolveram a pesquisa em armas, embarcações e outros apetrechos
que facilitavam as navegações que tinham o objetivo de obterem lucros
no “descobrimento” de outras terras.

E citamos, com base no que foi a guerra civil em Ruanda que resultou em
conflitos armados entre guerrilhas tutsis e hutus. As potências
européias e norte americanas lavaram as mãos e armaram os
guerrilheiros. Os massacres das populações civis de tutsis em Ruanda
foram feitos com  facões e machados contrabandeados e com certeza
enriqueceram comerciantes capitalistas. Esta tática não foi diferente
da tática usada pelos comerciantes de escravos desde o ano de 1500.

Discutimos também que não podemos ficar de braços cruzados esperando a
chegada do socialismo para acabar com o racismo, mesmo porque,  será na
luta cotidiana por demandas específicas que milhões perceberão a
necessidade do socialismo.

A luta anti racista é uma luta que deve ser feita pelo conjunto da
classe trabalhadora e não só pelos negros e negras por isso devemos 
incorporar as reivindicações dos movimentos e comunidades negras,
atraindo estas para a perspectiva de superar o capitalismo.

O capitalismo de forma hábil se utiliza das diferenças religiosas,
étnicas , de gênero e de cor de pele que existe entre as populações
para dividí-las , favorece umas em detrimento de outras, é por isso que
no Brasil os setores da população que tem a pele mais escura é
duplamente discriminado, o é por ser pobre e também por ser negro(a).

E por isso que somos favoráveis  às políticas compensatórias ou
reparatórias, entendendo que estas políticas são táticas, e que não
resolverão o problema da discriminação, particularmente no que diz
respeito às cotas nas universidades públicas, somos favoráveis mas a
sua defesa deve vir acompanhada de mais verbas públicas para as
universidades públicas, fim do vestibular, vagas para todos àqueles que
queiram ingressar na universidade pública.

Não somos favoráveis ao PROUNI, pois defendemos verba pública para
universidade pública e fim do ensino privado. UNIVERSIDADE PÚBLICA PARA
TODOS. Ao jovem que ingressa numa universidade privada através do
PROUNI devemos chamá-lo à organização na luta pela universidade pública.

Foi consensual de que devamos apoiar e caminharmos juntos com os
movimentos HIP HOP e outros movimentos negros que tenham uma crítica
social à política racista dos governos.

Encaminhamentos

– Solicitar para a Coordenação Estadual a participação na próxima
Plenária com um tempo mínimo de 2 (duas) horas para que possamos
apresentar a discussão racial e abrirmos a discussão para o conjunto da
militâncias e simpatizantes;

– Organizar Seminários com os temas : História da África, Origem do racismo e política públicas para os negros(as);

– Ter como indicativo os 3°s domingos do mês para reuniões do Coletivo anti racismo;

– Próximo seminário dia 16/10/05 na R. do Carmo 164 sala 4 –  das 09 às 14 horas.

Ata escrita por José Henrique do Núcleo P-SOL/Centro e enviada por
e-mail previamente aos membros que participaram deste I Seminário para
as correções.

Cadastre-se e recebe informações do PSOL

Relacionados

PSOL nas Redes

469,924FãsCurtir
362,000SeguidoresSeguir
26,700SeguidoresSeguir
515,202SeguidoresSeguir

Últimas