Após mais uma ameaça de morte ao deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das milícias, foi realizado na sede da OAB/RJ, um ato público de caráter suprapartidário em defesa de sua vida. Membros da Seccional, artistas, intelectuais, representantes da sociedade civil, de movimentos socias, líderes comunitários e parlamentares uniram-se, tarde desta segunda-feira, dia 17, para pedir providências às autoridades.

Na abertura do evento, o presidente da OAB/RJ, Wadih Damous afirmou a necessidade de frear um movimento que impede os Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo de cumprirem seus deveres, citando a morte da juíza Patrícia Accioli. Para ele, o ato, além de demonstrar a solidariedade a Marcelo Freixo, é uma constatação de que o problema das milícias é uma questão que assola toda a população: “Queremos mostrar que não podemos viver em uma sociedade onde o crime predomina e onde sofremos atentados ao Direito e à democracia”.
Segundo Freixo, sua defesa é importante, mas ela não acaba com o principal problema em questão, que é a perpetuação das milícias no estado. “Muitas pessoas vivem ameaçadas por esse poder paralelo e elas não têm voz para se defender”.

O ator Wagner Moura frisou que sua participação no ato se dava “não só por amizade ao deputado, mas por indignação com essa situação de ameaça com a qual não podemos mais conviver. É uma contradição um país com um dos maiores PIBs e economias do mundo encontrar-se envolvido em tanta volência e medo”.
Nota oficial da OAB/RJ em apoio ao deputado Marcelo Freixo:
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio de Janeiro, manifesta profunda apreensão diante das ameaças de morte que tem sofrido o deputado Marcelo Freixo. Ao mesmo tempo, deixa pública sua disposição de participar de quaisquer campanhas suprapartidárias em defesa de sua vida.
Em seu mandato, Marcelo Freixo destacou-se por presidir a CPI que investigou as chamadas milícias – verdadeiras máfias que representam a maior ameaça na área de segurança pública no Rio de Janeiro e um grave risco para a a consolidação do Estado de Direito.
Defender a vida de Freixo e a possibilidade de que ele exerça o mandato livre de quaisquer constrangimentos é dever de todos os democratas.
Por fim, a Ordem dos Advogados reafirma a necessidade de um combate implacável às milícias, com a instalação de UPPs em regiões dominadas por elas e a asfixia de suas fontes de receita.
Só assim esse verdadeiro câncer poderá ser definitivamente extirpado em nosso estado.
Wadih Damous – Presidente da OAB/RJ

