A Polícia Militar, em apoio à Guarda Universitária da USP, vai manter o policiamento no prédio G do Conjunto Residencial da USP (Crusp), de onde 12 pessoas foram retiradas na manhã deste domingo, 19, durante cumprimento de ordem judicial para a reintegração da área.
O prédio era usado pela Coordenadoria de Assistência Social (Coseas), antes da ocupação de cerca de 50 pessoas, em 2010, que reivindicavam mais vagas no Crusp.
A PM deu início à reintegração de posse às 6 horas de hoje, ao lado de dois oficiais de Justiça, que notificaram os moradores da ordem do juiz. Doze pessoas ocupavam irregularmente os apartamentos, entre eles seis homens e seis mulheres. Desses, nove eram estudantes da universidade e os demais não.
No momento de conduzir os detidos ao veículo que os levaria à delegacia, houve alguma resistência por parte dos alunos e outros estudantes moradores do local teriam atirado pedras contra a tropa de choque que realizava o isolamento da área. Ninguém saiu ferido, segundo a SSP.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), todos foram levados detidos ao 14º Distrito Policial, onde passaram pelo exame de corpo de delito, no Instituto Médico Legal, para a comprovação de integridade física. Os materiais das pessoas que estavam dentro do prédio foram detalhados pelos oficiais de Justiça e ficaram sob responsabilidade da USP, por meio de auto de depósito.
DCE-USP: Nota Pública sobre a expulsão de seis estudantes
Na última sexta-feira, dia 16 de dezembro de 2011, em despacho publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o reitor João Grandino Rodas anunciou a expulsão de seis estudantes da Universidade de São Paulo, que estão participando da ocupação na moradia estudantil (CRUSP). A reitoria da USP optou pela pena de eliminação do corpo discente da universidade e exclusão do CRUSP a estudantes em luta por uma política de permanência estudantil que possibilite que estudantes de baixa renda possam frequentar a universidade pública.
Essa agressão ao direito democrático de organização e ação política no interior da universidade foi respaldada por um decreto dos anos de Ditadura Militar, mais precisamente de 1972. O decreto mencionado, em seu artigo 250, trata como falta grave de disciplina, passível de punição, as seguintes ações: “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares”. O conteúdo deste decreto está claramente em contradição com o livre direito de greve e de manifestação política, garantidos pela Constituição Federal de 1988.
Essa medida do reitor é parte integrante da política repressiva da administração da universidade e do governo estadual contra o movimento organizado no interior da USP. Só neste ano de 2011, vimos a ameaça de demissão de dirigentes sindicais do SINTUSP, a prisão de 73 estudantes que se mobilizavam contra a presença da Polícia Militar no campus e, agora em meados de dezembro, essas absurdas expulsões. Explicita-se a intenção das autoridades constituídas de quebrar qualquer resistência à aplicação de seu projeto de universidade.
Diante deste grave acontecimento, as entidades e organizações políticas abaixo assinadas repudiam a repressão exercida por João Grandino Rodas e convocam o conjunto dos movimentos estudantil, popular e sindical brasileiros a se incluírem numa grande campanha em defesa da liberdade de manifestação política, instando a reitoria da USP a anular imediatamente a expulsão desses seis estudantes.
Assinam:
Entidades da USP:
ADUSP – Associação dos Docentes da USP
SINTUSP – Sindicato dos Trabalhadores da USP
DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme”
AMORCRUSP – Associação de Moradores do CRUSP gestão “Unidade Cruspiana”
E diversas outras entidades e representações.

