Do site do PSOL Nacional, Leonor Costa
A parte central de Brasília foi palco, nesta quinta-feira (20), do maior protesto visto na cidade nos últimos anos, reunindo mais de 40 mil pessoas. A concentração, por volta das 17h, mais modesta em termos numéricos, foi em frente ao Museu Nacional, próximo à Catedral de Brasília, lugar onde historicamente as marchas organizadas pelos movimentos de esquerda se juntam e saem em direção ao Congresso Nacional. Desta vez, o roteiro foi o mesmo dos protestos sempre vistos na Capital Federal, pois os manifestantes saíram em caminhada pela Esplanada dos Ministérios. O diferente, no entanto, foram o público e as bandeiras de luta pautadas ao longo da manifestação.
Ainda durante a marcha na Esplanada, foi possível identificar algumas pautas construídas ao longo dos anos de luta e alguns setores organizados da esquerda. Mesmo sem bandeiras, partidos e movimentos sociais se juntaram em uma ala, trazendo cartazes e faixas com palavras de ordem que dão o tom das lutas no último período. Os altos gastos com a Copa do Mundo, a destinação dos 10% do PIB para a Educação, transporte público, educação e saúde de qualidade e para todos, as lutas contra as privatizações e o monopólio dos meios de comunicação, puderam ser vistos em uma parte da marcha, que caminhou até o Congresso Nacional.
Quando o número de pessoas já atingia quase 30 mil, os manifestantes se concentraram em frente ao Congresso Nacional. Nesse momento, conforme a avaliação de alguns, o ato tomou uma proporção diferente dos protestos costumeiramente organizados pela esquerda. O que deram o tom foram as palavras de ordem conservadoras e o hino nacional, cantando em vários momentos pelos jovens. Também era comum ouvir os cantos muito usados nos jogos do Brasil, como “Sou brasileiro, com muito orgulho”. Para muitos militantes que estavam lá, a linha nacionalista e despolitizada foi a tônica da manifestação desta quinta, em Brasília. E pelo que parece, a partir de comentários nas redes sociais e de artigos de militantes históricos, a avaliação é a mesma em relação aos atos ocorridos no mesmo dia na maioria das capitais do país. Do ponto de vista estético, as manifestações foram lindas, mas do ponto de vista do conteúdo e da qualidade, deixaram muito a desejar, ganhando o discurso do “apartidarismo”.
Solano Castro, vice-presidente do PSOL de Goiás, comentando sobre os rumos das manifestações no país, afirmou que o desafio da esquerda nesse momento é a unidade. “É importante a organização conjunta da esquerda. Ter a coluna dos trabalhadores, dos movimentos, do PSOL, dos demais partidos de esquerda. Precisamos participar dos atos, ainda que muitos setores da direita venham pregando o apartidarismo e se apropriando das nossas bandeiras históricas ou trazendo as suas conservadoras”, afirmou Solano.
O militante do coletivo Brasil e Desenvolvimento e do PSOL, Edemilson Paraná, considera que esse é o momento para que os vários setores da esquerda deixem de lado as suas divergências de concepção e se unifiquem para fazer a disputa da sociedade. “Neste momento nós precisamos ganhar a sociedade para a construção de uma nova hegemonia e para isso nós temos um programa mínimo da esquerda socialista. É hora (da esquerda socialista) de unir para disputar esse programa com a sociedade, apresentar suas pautas: saúde, educação, democratização da imprensa, reforma agrária e tantas outras pautas democráticas, que nós da esquerda há muitos anos lutamos. É a hora da unidade da esquerda para disputar esses espaços, com alegria e criatividade, para mudar esse país”, enfatizou, ao desconstruir o discurso do “fora partido” nos atos.
Em relação às milhares de pessoas nas ruas em todo o país, Paraná avalia que esse processo tem servido também para mostrar a indignação das pessoas contra as várias políticas implementadas pelos governos. Mas ele reforça a necessidade de setores da esquerda se organizarem para dar mais qualidade aos protestos. “É difícil enumerar em pautas concretas e definidas uma indignação desse tamanho. Uma indignação sistêmica contra todo mundo e contra o modelo de sociedade. Nós acreditamos que o que se pode apresentar é uma nova sociedade, uma nova forma de pensar e de organizar a sociedade, que nós sabemos que está no coração e na mente dessas pessoas, mas que ainda não está na boca delas. Tá faltando uma palavra para descrever isso tudo. E nós acreditamos que essa palavra é socialismo”, pontuou Paraná, cujo coletivo B&D teve militantes acusados injustamente de terem pago pessoas para participar da manifestação do dia 15 de junho, em Brasília, antes do jogo de abertura da Copa das Confederações. O coletivo já desmentiu os boatos e em nota afirmou que não tem nenhuma relação com o suposto financiamento de militantes. “Jamais pagamos ninguém para ir a uma manifestação. Não fomos pagos para militar. Qualquer afirmação nesse sentido é absolutamente falsa. Nenhum dinheiro, em nenhum momento, para absolutamente nada, passou ou teve origem no B&D em relação a esses atos”, explicou o documento.
Penetras podem tomar conta da festa
Em artigo publicado no blog Pílulas Diárias, o sociólogo, servidor do Ministério da Saúde e militante do PSOL, Sérgio Domingues, considerou que “os penetras ameaçam tomar conta da festa e transformá-la numa ‘rave’ conservadora e violenta”. O artigo se refere à decisão do Movimento Passe Livre (MPL) de se retirar do protesto de ontem em São Paulo devido aos rumos que o ato tomou. Entre os motivos, estaria a crescente influência conservadora nos protestos. “Referem-se à agressão a militantes partidários e sindicais. Ao surgimento de reivindicações como a redução da maioridade penal e o fim da política de cotas raciais e sociais nas universidades”, afirma Domingues.
Segundo ele, preocupado com os rumos dos movimentos, as forças de esquerda devem continuar a apoiar e participar dos protestos. “A grande maioria participa de modo despolitizado. Mas abandoná-la à influência de ativistas de direita será ainda pior”, defendeu.
A parte central de Brasília foi palco, nesta quinta-feira (20), do maior protesto visto na cidade nos últimos anos, reunindo mais de 40 mil pessoas. A concentração, por volta das 17h, mais modesta em termos numéricos, foi em frente ao Museu Nacional, próximo à Catedral de Brasília, lugar onde historicamente as marchas organizadas pelos movimentos de esquerda se juntam e saem em direção ao Congresso Nacional. Desta vez, o roteiro foi o mesmo dos protestos sempre vistos na Capital Federal, pois os manifestantes saíram em caminhada pela Esplanada dos Ministérios. O diferente, no entanto, foram o público e as bandeiras de luta pautadas ao longo da manifestação.
Ainda durante a marcha na Esplanada, foi possível identificar algumas pautas construídas ao longo dos anos de luta e alguns setores organizados da esquerda. Mesmo sem bandeiras, partidos e movimentos sociais se juntaram em uma ala, trazendo cartazes e faixas com palavras de ordem que dão o tom das lutas no último período. Os altos gastos com a Copa do Mundo, a destinação dos 10% do PIB para a Educação, transporte público, educação e saúde de qualidade e para todos, as lutas contra as privatizações e o monopólio dos meios de comunicação, puderam ser vistos em uma parte da marcha, que caminhou até o Congresso Nacional.
Quando o número de pessoas já atingia quase 30 mil, os manifestantes se concentraram em frente ao Congresso Nacional. Nesse momento, conforme a avaliação de alguns, o ato tomou uma proporção diferente dos protestos costumeiramente organizados pela esquerda. O que deram o tom foram as palavras de ordem conservadoras e o hino nacional, cantando em vários momentos pelos jovens. Também era comum ouvir os cantos muito usados nos jogos do Brasil, como “Sou brasileiro, com muito orgulho”. Para muitos militantes que estavam lá, a linha nacionalista e despolitizada foi a tônica da manifestação desta quinta, em Brasília. E pelo que parece, a partir de comentários nas redes sociais e de artigos de militantes históricos, a avaliação é a mesma em relação aos atos ocorridos no mesmo dia na maioria das capitais do país. Do ponto de vista estético, as manifestações foram lindas, mas do ponto de vista do conteúdo e da qualidade, deixaram muito a desejar, ganhando o discurso do “apartidarismo”.
Solano Castro, vice-presidente do PSOL de Goiás, comentando sobre os rumos das manifestações no país, afirmou que o desafio da esquerda nesse momento é a unidade. “É importante a organização conjunta da esquerda. Ter a coluna dos trabalhadores, dos movimentos, do PSOL, dos demais partidos de esquerda. Precisamos participar dos atos, ainda que muitos setores da direita venham pregando o apartidarismo e se apropriando das nossas bandeiras históricas ou trazendo as suas conservadoras”, afirmou Solano.
O militante do coletivo Brasil e Desenvolvimento e do PSOL, Edemilson Paraná, considera que esse é o momento para que os vários setores da esquerda deixem de lado as suas divergências de concepção e se unifiquem para fazer a disputa da sociedade. “Neste momento nós precisamos ganhar a sociedade para a construção de uma nova hegemonia e para isso nós temos um programa mínimo da esquerda socialista. É hora (da esquerda socialista) de unir para disputar esse programa com a sociedade, apresentar suas pautas: saúde, educação, democratização da imprensa, reforma agrária e tantas outras pautas democráticas, que nós da esquerda há muitos anos lutamos. É a hora da unidade da esquerda para disputar esses espaços, com alegria e criatividade, para mudar esse país”, enfatizou, ao desconstruir o discurso do “fora partido” nos atos.
Em relação às milhares de pessoas nas ruas em todo o país, Paraná avalia que esse processo tem servido também para mostrar a indignação das pessoas contra as várias políticas implementadas pelos governos. Mas ele reforça a necessidade de setores da esquerda se organizarem para dar mais qualidade aos protestos. “É difícil enumerar em pautas concretas e definidas uma indignação desse tamanho. Uma indignação sistêmica contra todo mundo e contra o modelo de sociedade. Nós acreditamos que o que se pode apresentar é uma nova sociedade, uma nova forma de pensar e de organizar a sociedade, que nós sabemos que está no coração e na mente dessas pessoas, mas que ainda não está na boca delas. Tá faltando uma palavra para descrever isso tudo. E nós acreditamos que essa palavra é socialismo”, pontuou Paraná, cujo coletivo B&D teve militantes acusados injustamente de terem pago pessoas para participar da manifestação do dia 15 de junho, em Brasília, antes do jogo de abertura da Copa das Confederações. O coletivo já desmentiu os boatos e em nota afirmou que não tem nenhuma relação com o suposto financiamento de militantes. “Jamais pagamos ninguém para ir a uma manifestação. Não fomos pagos para militar. Qualquer afirmação nesse sentido é absolutamente falsa. Nenhum dinheiro, em nenhum momento, para absolutamente nada, passou ou teve origem no B&D em relação a esses atos”, explicou o documento.
Penetras podem tomar conta da festa
Em artigo publicado no blog Pílulas Diárias, o sociólogo, servidor do Ministério da Saúde e militante do PSOL, Sérgio Domingues, considerou que “os penetras ameaçam tomar conta da festa e transformá-la numa ‘rave’ conservadora e violenta”. O artigo se refere à decisão do Movimento Passe Livre (MPL) de se retirar do protesto de ontem em São Paulo devido aos rumos que o ato tomou. Entre os motivos, estaria a crescente influência conservadora nos protestos. “Referem-se à agressão a militantes partidários e sindicais. Ao surgimento de reivindicações como a redução da maioridade penal e o fim da política de cotas raciais e sociais nas universidades”, afirma Domingues.
Segundo ele, preocupado com os rumos dos movimentos, as forças de esquerda devem continuar a apoiar e participar dos protestos. “A grande maioria participa de modo despolitizado. Mas abandoná-la à influência de ativistas de direita será ainda pior”, defendeu.

