Desde sua saída de Hong Kong para Moscou, no dia 25 de junho, o ex- especialista em tecnologia Agência Nacional de Segurança (NSA), Edward Snowden, comenta oficialmente o caso, que tem tido repercussão em todo o mundo, pela primeira vez. Em carta publicada pelo WikiLeaks, Snowden afirma que o governo Obama (Barack, presidente dos EUA) tem medo de uma sociedade informada, “enojada, que exige o governo constitucional que lhe foi prometido e que deveria ter”.
No texto, o jovem de 29 anos também questiona a declaração do presidente dos Estados Unidos, por ter dito que o mundo não iria permitir que qualquer diplomata “entrasse em ditos e manobras”, se referindo às denúncias feitas pelo ex-consultor da NSA. “No entanto, soube-se agora que depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou ao seu vice-presidente que pressionasse os líderes das nações às quais solicitei proteção para recusarem as minhas petições de asilo. Este tipo de mentira de um líder mundial não é correta, nem corresponde a uma sanção ilegal por expatriação. Esta é, na realidade, a antiga má prática da agressão política. O seu propósito consiste em assustar não a mim, mas sim aos que se dispuserem a seguir o meu exemplo”, ressalta.
A história de Snowden foi revelada no dia 9 de junho, pelos jornais Washington Post e The Guardian – os dois veículos que receberam e publicaram os documentos secretos. Graças a Snowden, o mundo soube que o presidente Barack Obama nunca encerrou os programas de vigilância doméstica da Era Bush, e que milhões de telefonemas e e-mails privados de cidadãos americanos sem relação com terroristas são monitorizados pelas agências de espionagem dos EUA.
O mundo também soube que os Estados Unidos espiam a missão da União Europeia em Nova York e 38 embaixadas, entre elas as de França, Itália e Grécia e dos países do Médio Oriente. Que os serviços de informação britânicos espiaram o G20. E que a NSA usa parcerias com empresas telefônicas americanas para ter acesso a redes de comunicação de países como o Brasil, China, Índia ou Paquistão.
Pedido de asilo político
A Venezuela anunciou na última segunda-feira (08) que recebeu um pedido formal de asilo do ex-técnico da CIA Edward Snowden, procurado por Washington depois de ter revelado uma rede de espionagem global. Por outro lado, o governo norte-americano disse que não deve ser permitida a partida de Snowden para outro país que não seja os Estados Unidos, em resposta às ofertas de asilo que o jovem tem recebido da América Latina.
O presidente venezuelano reagiu. “Os Estados Unidos não governam nem o mundo, nem a Venezuela. Somos um país livre e soberano governado pelo povo, por um governo legítimo eleito pelo povo”, sublinhou.
Edward Snowden, que se encontra na zona de trânsito do aeroporto de Moscovo desde 23 de junho, poderá ainda usufruir do apoio do presidente cubano Raul Castro.
Confira abaixo a carta, publicada pelo WikiLeaks.
Carta de Snowden à opinião pública internacional
“Faz uma semana que fugi de Hong Kong depois que ficou claro que a minha liberdade e a minha segurança estavam ameaçadas por ter revelado a verdade. A minha liberdade só se manteve graças aos esforços dos meus novos e antigos amigos, familiares, e outras pessoas, às quais nunca conheci e provavelmente nunca conhecerei. Confiei-lhes a minha vida e eles confiaram em mim, algo pelo que sempre lhes ficarei agradecido.
Na quinta-feira (4), o presidente Obama declarou diante de todo o mundo que não iria permitir que qualquer diplomata “entrasse em ditos e manobras” sobre o meu caso. No entanto, soube-se agora que depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou ao seu vice-presidente que pressionasse os líderes das nações às quais solicitei proteção para recusarem as minhas petições de asilo.
Este tipo de mentira de um líder mundial não é correta, nem corresponde a uma sanção ilegal por expatriação. Esta é, na realidade, a antiga má prática da agressão política. O seu propósito consiste em assustar não a mim, mas sim aos que se dispuserem a seguir o meu exemplo.
Durante décadas, os Estados Unidos foram um dos mais enérgicos defensores do direito humano a solicitar asilo. Lamentavelmente este direito, gizado e aprovado pelos Estados Unidos no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, está sendo atacado pelo atual governo do meu país. A administração Obama adotou pela estratégia de utilizar a nacionalidade como arma.
Mesmo sem me terem acusado de nada, revogaram unilateralmente o meu passaporte, convertendo-me num apátrida sem qualquer tipo de ordem judicial e, além disso, a administração pretende também agora privar-me de um direito fundamental. Um direito que pertence a todos: o direito a solicitar asilo.
Concluindo, o governo de Obama não teme os denunciantes como eu, ou Bradley Manning ou Thomas Drake. Somos apátridas, ou presos ou inofensivos. Não, a administração Obama não tem medo de nós. Tem medo de uma sociedade informada, enojada, que exige o governo constitucional que lhe foi prometido e que deveria ter.
Estou firme nas minhas convicções e estou impressionado pelo esforço e ajudas empreendidos por muitos”.
Edward Joseph Snowden
No texto, o jovem de 29 anos também questiona a declaração do presidente dos Estados Unidos, por ter dito que o mundo não iria permitir que qualquer diplomata “entrasse em ditos e manobras”, se referindo às denúncias feitas pelo ex-consultor da NSA. “No entanto, soube-se agora que depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou ao seu vice-presidente que pressionasse os líderes das nações às quais solicitei proteção para recusarem as minhas petições de asilo. Este tipo de mentira de um líder mundial não é correta, nem corresponde a uma sanção ilegal por expatriação. Esta é, na realidade, a antiga má prática da agressão política. O seu propósito consiste em assustar não a mim, mas sim aos que se dispuserem a seguir o meu exemplo”, ressalta.
A história de Snowden foi revelada no dia 9 de junho, pelos jornais Washington Post e The Guardian – os dois veículos que receberam e publicaram os documentos secretos. Graças a Snowden, o mundo soube que o presidente Barack Obama nunca encerrou os programas de vigilância doméstica da Era Bush, e que milhões de telefonemas e e-mails privados de cidadãos americanos sem relação com terroristas são monitorizados pelas agências de espionagem dos EUA.
O mundo também soube que os Estados Unidos espiam a missão da União Europeia em Nova York e 38 embaixadas, entre elas as de França, Itália e Grécia e dos países do Médio Oriente. Que os serviços de informação britânicos espiaram o G20. E que a NSA usa parcerias com empresas telefônicas americanas para ter acesso a redes de comunicação de países como o Brasil, China, Índia ou Paquistão.
Pedido de asilo político
A Venezuela anunciou na última segunda-feira (08) que recebeu um pedido formal de asilo do ex-técnico da CIA Edward Snowden, procurado por Washington depois de ter revelado uma rede de espionagem global. Por outro lado, o governo norte-americano disse que não deve ser permitida a partida de Snowden para outro país que não seja os Estados Unidos, em resposta às ofertas de asilo que o jovem tem recebido da América Latina.
O presidente venezuelano reagiu. “Os Estados Unidos não governam nem o mundo, nem a Venezuela. Somos um país livre e soberano governado pelo povo, por um governo legítimo eleito pelo povo”, sublinhou.
Edward Snowden, que se encontra na zona de trânsito do aeroporto de Moscovo desde 23 de junho, poderá ainda usufruir do apoio do presidente cubano Raul Castro.
Confira abaixo a carta, publicada pelo WikiLeaks.
Carta de Snowden à opinião pública internacional
“Faz uma semana que fugi de Hong Kong depois que ficou claro que a minha liberdade e a minha segurança estavam ameaçadas por ter revelado a verdade. A minha liberdade só se manteve graças aos esforços dos meus novos e antigos amigos, familiares, e outras pessoas, às quais nunca conheci e provavelmente nunca conhecerei. Confiei-lhes a minha vida e eles confiaram em mim, algo pelo que sempre lhes ficarei agradecido.
Na quinta-feira (4), o presidente Obama declarou diante de todo o mundo que não iria permitir que qualquer diplomata “entrasse em ditos e manobras” sobre o meu caso. No entanto, soube-se agora que depois de ter prometido não fazê-lo, o presidente ordenou ao seu vice-presidente que pressionasse os líderes das nações às quais solicitei proteção para recusarem as minhas petições de asilo.
Este tipo de mentira de um líder mundial não é correta, nem corresponde a uma sanção ilegal por expatriação. Esta é, na realidade, a antiga má prática da agressão política. O seu propósito consiste em assustar não a mim, mas sim aos que se dispuserem a seguir o meu exemplo.
Durante décadas, os Estados Unidos foram um dos mais enérgicos defensores do direito humano a solicitar asilo. Lamentavelmente este direito, gizado e aprovado pelos Estados Unidos no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, está sendo atacado pelo atual governo do meu país. A administração Obama adotou pela estratégia de utilizar a nacionalidade como arma.
Mesmo sem me terem acusado de nada, revogaram unilateralmente o meu passaporte, convertendo-me num apátrida sem qualquer tipo de ordem judicial e, além disso, a administração pretende também agora privar-me de um direito fundamental. Um direito que pertence a todos: o direito a solicitar asilo.
Concluindo, o governo de Obama não teme os denunciantes como eu, ou Bradley Manning ou Thomas Drake. Somos apátridas, ou presos ou inofensivos. Não, a administração Obama não tem medo de nós. Tem medo de uma sociedade informada, enojada, que exige o governo constitucional que lhe foi prometido e que deveria ter.
Estou firme nas minhas convicções e estou impressionado pelo esforço e ajudas empreendidos por muitos”.
Edward Joseph Snowden

