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Em defesa da soberania do povo grego, defendemos o voto “não” no referendo

No próximo domingo, o povo grego irá às urnas para selar o destino de seu país. Sem dúvida alguma, a melhor maneira de encontrar caminhos em um cenário de crise aguda, como esta vivida pelos helênicos, é fazer valer a democracia. Muitos podem se assustar com esse caminho, pois estão acostumados com as decisões tomadas pelo alto, no interior dos gabinetes cercados por seguranças e vidros blindados. Esses têm medo do povo. A Grécia dá um grande exemplo para todo o mundo. Reafirma que a democracia não pode ser meramente decorativa ou limitada às decisões de alguns poucos. A participação política constrói uma democracia substantiva, sobretudo nos momentos de maior polarização e dificuldade para se encontrar saídas. Desse modo, o referendo, que perguntará aos gregos se eles desejam os termos de austeridade impostos pela Troika para que novas ajudas financeiras ocorram, é prova de soberania nacional. O FMI, o Banco Central Europeu e União Europeia têm a obrigação de aceitar e respeitar o resultado da consulta popular. Isso, é claro, se essas entidades ainda apresentarem algum compromisso com a democracia.
 
O que está em jogo, no fundo, não tem a ver com decisões técnicas ou falta de presteza para se encontrar saídas para as equações montadas. As entidades representantes dos credores da dívida grega sabem que a austeridade imposta ao povo para salvaguardar os bancos e acionistas tem consequências nefastas. A vitória do Syriza nessas negociações poria em xeque a legitimidade, mais especificamente a falta de legitimidade, dos bancos imporem sofrimentos à população para se preservarem. A autoridade do sistema financeira está em jogo, e seus representantes percebem isso com clareza. Decorre disso tanta dureza para negociar com um país com somente onze milhões de habitantes. Nessa batalha desigual, os povos europeus, como os espanhóis, portugueses, irlandeses, italianos, torcem para que o sucesso do Syriza se transforme em efeito dominó, derrubando, dessa vez, não os direitos sociais e qualidade de vida, mas as peças do sistema financeiro que impõe somente agruras às pessoas.
 
O próprio Papa Francisco pediu apoio aos gregos. Afirmou que “a dignidade da pessoa humana deve permanecer no centro de todos os debates políticos e técnicos, assim como na tomada de decisões responsáveis”. Assim como membros do Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Alfred de Zayas e Virginia Dandan, saudaram a audaciosa e correta decisão do governo grego de chamar o povo para decidir seu futuro.
 
O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras não pode ser acusado de evitar o debate. Chegou mesmo a aceitar medidas impopulares para garantir as negociações. Todavia, os representantes dos credores não aceitaram. A demonstração de intransigência é tanta que mesmo a data limite desta terça-feira para a Grécia pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI aceitaram adiar para o fim de semana, após o resultado do plebiscito. Na noite de terça-feira, outra reunião foi pedida pelos gregos.
 
Voltaram a aceitar medidas impopulares, que envolvem aposentados e gastos militares. Nada. Os gregos não querem sair da zona do euro, tampouco Tsipras foi eleito para isso. A todo momento, o primeiro-ministro dizia querer encontrar saídas para permanecer na eurozona. O que o Syriza não pode é abandonar as razões que o elegeram, como preservar as pensões e aposentadorias, frear a austeridade, preservar e ampliar direitos.
 
O prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, afirmou que se a Troika não negociar dignamente com os gregos, o melhor realmente é romper com o euro. Argumenta que o cenário não pode piorar muito em relação ao que está. A austeridade construída há cinco anos colocou a Grécia numa situação terrível. Os bancos já estão fechados, temporariamente, e há controle de capitais. E, por fim, se os gregos aceitarem as imposições dos credores significa dizer não para sua soberania. Tendo isso em mente, os gregos terão mais força para negociar. Contarão com apoio de todos os povos que sofrem com a pressão dos bancos.
 
O povo grego e o Syriza, senhoras e senhores deputados, tem todo o apoio do Psol. Entendemos que o lucro e a ganância não podem estar a frente das pessoas.
 
Por isso, no domingo, torceremos para a vitória do “Não” no referendo popular.

 

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