No dia 20 de novembro de 2007, o governo do Equador decidiu questionar e entrar na justiça contra o pagamento de um crédito concedido pelo BNDES brasileiro, que financiou a construtora Odebrecht para a construção de uma usina hidrelétrica naquele país – obra mal feita que implicou a paralisação da referida usina e a expulsão dessa empreiteira do país, com base em relatórios técnicos de auditoria.
Ao invés de reconhecer o grave prejuízo causado ao povo do Equador, o governo Lula preferiu tomar partido pela Odebrecht, chantageando e retirando o embaixador brasileiro do Equador.
O governo equatoriano tem destacado pela defesa da soberania de seu país e dos interesses de seu povo, instituindo em 2007 a Comissão para a Auditoria da Dívida, que teve a participação da sociedade civil equatoriana e internacional. O Relatório Final dessa auditoria, divulgado dia 20 de novembro, mostrou as graves irregularidades presentes na dívida externa equatoriana e constitui um importante precedente, provando que é possível enfrentar o endividamento com soberania. Exemplo que deveria ser seguido em nosso país, que acumula a explosiva dívida interna de R$ 1,5 trilhão de reais e uma dívida externa de 271 bilhões de dólares.
Dessa maneira, o governo Lula e demonstra a contradição entre os fatos concretos de sua política externa e seu discurso de defesa dos países do sul, e da solidariedade latino-americana frente aos países do norte.
O governo brasileiro erra ao retaliar diplomaticamente o Equador. Para criar as bases para um relacionamento solidário com esse país o governo brasileiro deveria reconhecer a legitimidade da auditoria realizada pelo governo de Rafael Correa, esgotar os caminhos da negociação e se necessário o jurídico no caso do BNDES.
De sua parte o PSOL solidariza-se plenamente com o Equador e as medidas tomadas pelo seu presidente.
Comitê Executivo do PSol
Brasilia, 22 de novembro

