A militância do PSOL foi protagonista de um grande encontro de quatro presidentes da América do Sul – Evo Morales (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela), Fernando Lugo (Paraguai) e Rafael Correa (Equador) – se reuniram no ginásio da Universidade Estadual do Pará (UEPA) para discutir com movimentos sociais a “integração popular, socialismo e reflexo da crise” na América Latina. Os quatro estavam em Belém (PA), os movimentos sociais na sua maioria eram brasileiros. O Presidente do Paraguai Fernando Lugo trouxe ao debate do seu pais com os preços baixos e os acordos que a hidrelétrica de Itaipu pratica desde a ditadura nos dois paises.
– Não acredito que um tratado leonino, firmado no tempo da ditadura (vá nos separar). Lula não pode dizer não a um preço justo e também à livre disponibilidade dessa energia – afirmou o paraguaio. Ao falar em “livre disponibilidade”, Lugo reforça a reivindicação pelo direito de vender a quem quiser a sua parte da energia gerada pela binacional. Já “preço justo” tem a ver com a discussão do preço que o Brasil paga pela energia que compra do Paraguai (45% do produzido em Itaipu), atrelado ao pagamento da dívida que o país vizinho contraiu junto ao governo brasileiro para a construção da hidrelétrica.
O Presidente Fernando Lugo ainda se solidarizou com o Presidente da Bolívia Evo Morales, ao dizer que era pena os dois países “não terem acesso ao mar” para denunciar um problema sério da imigração dentro da região. Disse que não se podia admitir que “Paraguai e Bolívianos mendigassem a países vizinhos o direito de trabalhar” em terras comuns latino-americanas. O ex-bispo Lugo, foi eleito em 2008. E conta com o apoio dos movimentos sociais no Brasil para mudar o contrato com Itaipu.
Ao não citarem o nome do governante brasileiro em seus discursos, Evo Morales e Rafael Correa também criticaram indiretamente o imperialismo das potências, a cobrança da dívida e as “multinacionais”. Ambos países tem problemas com empresas brasileiras.
Hugo Chávez, Presidente da Venezuela, o mais esperado e aplaudido também, falou o dobro do tempo dos seus colegas, fez uma cronologia da esquerda na América do Sul desde o final dos anos 90. Disse do compromisso com o Socialismo e que foi durante o seu segundo ano como Presidente da Venezuela a criação do FSM e que foi parte da “revolução” latino-americana. Ele voltou a denunciar os EUA e do recém-empossado Barack Obama. Afirmando que Bush “saiu pela porta dos fundos”, mas não espera nada de Obama, a não ser respeito ao povo venezuelano. Oxalá que traga uma mudança. “Eu não levo muita ilusão. O império está intacto”.
O encontro foi um relato das experiências de governos do chamado socialismo do século 21, a alternativa Bolivariana das Américas (Alba), criada por Chávez em 2001 como reação à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), e que não tem a adesão do Brasil , a Alba acabou desaparecendo do vocabulário do governo Lula.
Texto e fotos: Antonio Indio
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