O NPA foi fundado no congresso realizado em Paris, nos dias 6, 7 e 8 de
fevereiro. A delegação do PSOL presente foi constituída por mim, pelo vereador
Pedro Ruas e pelo secretário-geral Luiz Araújo.
A iniciativa de fundar o Novo Partido Anti-Capitalista partiu da LCR, Liga
Comunista Revolucionária, seção da IV Internacional na França. Segundo informe
dado na abertura do congresso, a Liga tinha 3 mil militantes, e o NPA já conta
com 9.123 militantes cotizantes (eles só aceitam a filiação de quem participa
de uma reunião do partido). São 467 comitês funcionando, muitos deles em cidades
em que a LCR não existia. 35% dos filiados são mulheres e 50% são funcionários
públicos. Só no mês de janeiro o NPA recebeu 1500 pedidos de filiação. Se juntou
ao NPA um pequeno grupo que rachou com o Lutte Ouvrière, e muitos militantes
ecossocialistas. O partido tem muito peso na realidade pois a imprensa cobriu
muito o evento, com notícias de capa nos principais jornais, como o Le Monde, na
TV e até no jornal gratuito distribuido no metrô estava a notícia da dissolução
da LCR e criação do NPA. É claro que eles falam atacando, como a capa de uma
grande revista de negócios que tem a foto de Besancenot com o título “O homem
sem soluções”, com várias páginas atacando as propostas do NPA.
No primeiro dia do congresso houve uma fala de abertura feita por Olivier
Besancenot (o carteiro que foi candidato a presidente da república pela LCR e
obteve 5% dos votos). Ele disse que “a criação do NPA é um projeto político da
Liga desde os anos 90, que pretendia que o novo partido nascesse a partir da
unidade de outras forças políticas, não só da LCR. Isso não foi possível apesar
dos esforços da Liga, pois outros grupos não quiseram, em particular a Lutte
Ouvrière, que tem peso eleitoral, mas agora está em decadência. Mas a nova
situação política do país, a resistência social que se desenvolveu no quadro da
vitória de Sarcozy, e a luta contra as reformas, por salário, e contra as
expulsões dos clandestinos resultou no NPA. O congresso também acontece num
momento de importante mobilização social, a maior greve geral dos últimos
tempos, com uma grande mobilização de rua. Momento de juntar a esquerda que é
independente do partido socialista. Precisamos de um novo maio de 68 na França!
Mas as lutas não são suficientes, é preciso apresentar uma resposta à crise
econômica, através de propostas concretas. Um novo programa alternativo que
toque no problema do salário, dos imigrantes, da igualdade de gênero e uma
resposta global ao problema da crise econômica mundial. É preciso mudar o
modelo, não importa o nome (socialista ou não). Construir um partido de massas
com entusiasmo e organização. Se a política seguir sendo um teatro de falsas
representações nada vai mudar. As massas tem que fazer política. Ir para os
bairros, empresas, escolas. Queremos governar mas não no marco das instituições
atuais. Nossos militantes já estão nas lutas sociais, como a solidariedade com a
Palestina, antes mesmo do partido existir”.
Ao longo do congresso houveram algumas polêmicas pontuais, como usar o termo
socialismo, ecossocialismo ou socialismo do século XXI. Venceu o socialismo. Mas
a polêmica mais importante foi sobre as eleições européias. Um grupo que já
fazia oposição à direção da LCR defedeu a aliança com o PC, mas este já anunciou
que nas eleições regionais vai com o PS. Por ampla maioria decidiu-se que
qualquer acordo eleitoral tem que incluir as eleições regionais pois não se pode
fazer aliança com o PC nas européias e depois nas regionais eles estarem com o
PS.
Houve uma reunião de todos os convidados internacionais. Estavam presentes
mais de 30 organizações, e no total 42 organizações compareceram ou enviaram
saudação, inclusive o PSUV de Chávez, que enviou um embaixador. Na reunião
François Sabado fez um informe dos FSM de Belém e da reunião de partidos
anticapitalistas impulsionada pelo NPA e PSOL. Falou da necessidade de
reagrupamento internacional da esquerda anticapitalista. Sabado e Toussant, que
falaram na reunão, insitiram muito em iniciativas concretas em comum para
iniciar este processo de reagrupamento, citando o seminário que a Secretaria de Relações Internacionais do PSOL está organizando como uma iniciativa importante,
impulsionar as iniciativas deliberadas na reunão dos movimentos sociais no Fórum
de Belém, além de outras em nível da Europa, atos e marchas que estão
programados. Na reunão das organizações da América Latina também foi tocado o
tema do reagrupamento, a necessidade de construir uma rede de cooperação dos
partidos anticapitalistas, em direção a um novo reagrupamento internacional, ou
seja, não decretar uma “V Internacional” mas sim fazer um trabalho comum real.
Este é o dado mais importante deste processo, pois a LCR se dissolveu dentro do
novo partido, e não vai propor a sua fialiação na IV Internacional, e sim faz um
chamado ao regrupamento. Uma demontração de que a política do PSOL encontra
importante eco na Europa, pois nosso partido tem feito este chamamento e agora
ganhamos um aliado de peso nesta política de reagrupamento. Agora é seguir em
frente nestas relações, desenvolvendo esta rede rumo ao reagrupamento da
esquerda anticapitalista!
Luciana Genro é deputada federal (PSOL/RS)

