A greve das universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) segue, demonstrando a disposição de luta de estudantes, funcionários e docentes na defesa de seus direitos e de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos; mas, o posicionamento que o CRUESP vem assumindo, em não negociar, reforça a postura autoritária e truculenta de Alckmin na relação com os movimentos, que tem na sua retrospectiva, a brutal repressão aos moradores do Pinheirinho e, agora recentemente, as demissões e perseguições aos metroviários.
A greve unificada das três instituições tem como base reivindicações justas, que se contrapõem à absurda proposta de reajuste zero para as categorias, que implicaria numa perda inflacionária acumulada no período de maio/13 a abril/14 de 7,05%, segundo o ICV-Dieese. Índice de perda que em abril de 2015 seria de 14,6% pela projeção de inflação nos níveis atuais.
Uma proposta inaceitável, que implica no aprofundamento, sem precedentes, da política de arrocho salarial que segue corroendo as carreiras de um segmento que é fundamental para a promoção do desenvolvimento artístico, científico, cultural e tecnologófico da sociedade paulista e brasileira, prejudicando assim o bom andamento do ensino, da pesquisa e da extensão no interior dessas instituições estaduais.
O argumento de que as universidades não teriam recursos não procede e não convence ninguém, pois não há democracia e transparência no tratamento das verbas públicas destinados às Universidades. Segundo a ADUSP, “no caso da USP, além do crescimento natural do ICMS ao longo do ano, constam do orçamento aprovado pelo Conselho Universitário (Co) R$ 195,14 milhões de rendimentos financeiros e uma reserva de ajuste de R$ 128,7 milhões, destinada ao atendimento das decisões do Cruesp com relação à política salarial das Universidades Estaduais(sic). Só a soma destas duas parcelas é R$ 323,84 milhões — uma base sólida para, se houver vontade política, estabelecer negociações efetivas com o Fórum das Seis.”
Na Usp Leste assistimos até aonde chegam a irresponsabilidade administrativa e o descaso dos tucanos para com a educação pública superior de São Paulo. Criada para responder às necessidades eleitorais do governador, em 2005, o Campus encontra-se, hoje, interditado por conta da contaminação do solo, obrigando alunos a assistirem aulas em salas alugadas de faculdades privadas.
Na sessão da Assembleia Geral da Adusp de 16/6, realizada no Auditório da Faculdade de Educação, os docentes aprovaram a manutenção da greve, presença na Assembleia Legislativa (Alesp) em 24/6, quando a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2015) será discutida na Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento (CFOP), bem como a realização de um ato público diante da Reitoria da USP em 27/6, sexta-feira.
As três universidades continuam mobilizadas. É imperativo que as negociações sejam reabertas e as suas reivindicações consideradas, para isso é fundamental a continuidade do movimento e o apoio da sociedade. Nosso mandato apoia esta luta.
Pela imediata abertura das negociações e atendimento das reivindicações das universidades paulistas em greve!

