Depois de quase um mês resistindo ao Governo, à “Justiça”, à Mídia e
à Traição, os trabalhadores em educação do Amazonas suspenderam no dia
04 de agosto, temporariamente, a Greve. Essa foi a disposição da
categoria ao rechaçar a esmola de R$ 100,00 dada pelo governador
oligárquico Eduardo Braga (PPS).
A Greve dos trabalhadores em educação no Estado do AM e,
particularmente, na Capital Manaus, teve início no dia 05 de julho,
após uma mega carreata-passeata que reuniu em um verdadeiro arrastão
aproximadamente 6.000 professores, recuperando os períodos áureos dos
anos 80. Em seguida, mais de 30 municípios aderiram ao Movimento
Grevista.
O alvo da luta continua sendo a política de arrocho salarial
neoliberal, aplicada pelos sucessivos governos oligárquicos no Estado:
Gilberto Mestrinho (PMDB), Amazonino Mendes (PFL), Alfredo Nascimento
(PL) e Eduardo Braga (PPS). O objetivo do movimento: alcançar um
reajuste no piso salarial atual de R$ 540,00 para algo em torno de R$
1.300,00, aos trabalhadores em Educação de nível médio, e de R$ 647,00
para 1.950,00 aos de nível superior, ambos considerando uma carga
horária de 20h semanais e com inclusão de outros pontos
reivindicatórios.
Resistindo à pressão de Braga, que ameaça com corte no ponto e
demissão para os grevistas, os trabalhadores votaram no início de
Julho, em uma Assembléia Geral com cerca de 8.000 professores num
ginásio superlotado, pela continuidade da Greve repudiando os míseros
abonos de R$ 100,00 e R$ 200,00 dados, respectivamente, por Braga e
Serafim Corrêa (PSB), prefeito de Manaus.
O movimento sofreu um revés quando a direção majoritária do
SINTEAM, ligada ao PCdoB, aliado do governo Serafim, dividiu o
movimento ao defender a saída dos trabalhadores em educação de Manaus,
da Greve, ocasionando um sentimento de revolta de uma parte
significativa da categoria, para a qual esta atitude ficou conhecida
como traição.
Lutando ao mesmo tempo contra a operação abafa dos meios de
comunicação burgueses, coniventes ora com um ou outro grupo político
governante, os trabalhadores em educação foram às ruas, praças,
assembléias, escolas, comunidades, num verdadeiro corpo-a-corpo com a
população, denunciando o sucateamento da Educação.
Não satisfeito, o governo repressor de Braga entrou na “Justiça”
amazonense contra o movimento. Esta, pressionada, declarou a
ilegalidade da greve, favorecendo, assim, a repressão que se seguiu por
parte do governo ao anunciar uma lista com supostos 400 nomes de
profissionais a serem demitidos, se estes não voltassem às aulas.
Em resposta, após uma Assembléia Geral que confirmou a
continuidade da luta em greve, milhares de educadores foram às ruas
gritar “trabalhadores na rua, a greve continua”, e, numa atitude de
coragem, deitaram conjuntamente em um sol escaldante na rua em a qual
se situa o Tribunal de Justiça do Amazonas – TJA, fazendo um verdadeiro
tapetão humano.
Neste clima de enfrentamento, a Secretária de Educação do Estado
Vera Edwards, deputada estadual pelo PL, depois de ser desgastada
politicamente, pediu demissão, numa crise sem precedentes na história
dos últimos anos. Braga, em seguida, recuou e além de prometer não
demitir os professores que voltassem às aulas, antecipou de Setembro
para Agosto, o abono prometido de R$ 100,00, fazendo isso de forma
unilateral.
Chamamos a todos os companheiros lutadores sociais, a fazer uma
reflexão sobre como vem sendo tratados os servidores públicos que se
manifestam contra as políticas de arrocho salarial dos governos
federal, estadual e municipal, pois vários Tribunais de Justiça têm
considerado ilegal a greve no serviço público a partir da orientação
dada pelo Supremo Tribunal Federal – STF sobre o assunto. Conclamamos
aos trabalhadores brasileiros a continuar resistindo ao Governo, à
“Justiça”, à Mídia e à Traição.
Héctor Victor é militante do P-SOL em Manaus.

