Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apresentado na última terça-feira (21), as mulheres brasileiras possuem maiores escolaridade e expectativa de vida, mas têm uma renda significativamente mais baixa que os homens no Brasil. Enquanto a renda per capita anual estimada das mulheres é de 10.672 dólares, a dos homens é 17.736 – uma diferença de quase 70%.
Para medir a desigualdade de gênero, a agência da ONU traz dois índices: o Índice de Desenvolvimento de Gênero (IDvG) e o Índice de Desigualdade de Gênero (IDgG). O primeiro apresenta como resultado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDG) das mulheres na frente de o dos homens, demonstrando que elas possuem melhor nível e desempenho educacional e maior longevidade. No entanto, a pesquisa também aponta que as mulheres recebem, em média, quase a metade do salário dos homens.
O IDgG, por outro lado, avalia as desigualdades de gênero nas dimensões de saúde reprodutiva, empoderamento e atividade econômica. Nesse indicador, o Brasil ocupa a 92ª posição mundial, com 0,414 num total de 1. A taxa de gravidez na adolescência, por exemplo, é de 67 nascimentos para cada mil mulheres, enquanto a média mundial é de 44.7. Além disso, as mulheres ocupam míseros 10,8% dos assentos no parlamento, enquanto até o país com menor IDH do mundo, a República Centro-Africana, tem 12,5% de cadeiras femininas.
Para Tetê Monteiro, do Setorial de Mulheres do PSOL, isso é resultado do sistema patriarcal, que objetifica e renega a capacidade das mulheres, e do sistema capitalista, que possui uma lógica de exploração em seu funcionamento. “Dentro desse contexto, as mulheres sempre são as mais desfavorecidas, juntamente com os negros e periféricos. Se tomarmos a realidade de mulheres negras e periféricas, então, a situação fica ainda mais complicada”, explica.
Ela alerta, ainda, que com a lógica neoliberal do novo governo, a qual retira direitos dos trabalhadores e desconsidera a desigualdade de gênero no mercado, isso pode ficar ainda pior. “A regulamentação da terceirização e a reforma trabalhista colocam ainda mais mulheres na informalidade, precarizando suas condições de trabalho”, finaliza Tetê.


