No aniversário de um ano da posse do presidente de Honduras, Porfirio Lobo, o presidente deposto Manuel Zelaya, exilado na República Dominicana, divulgou uma carta em que lamenta os resultados “desalentadores e negativos” da atual gestão e critica a tentativa de Lobo de reintegrar Honduras à OEA (Organização dos Estados Americanos) e a outros organismos internacionais.
Para Zelaya, a situação socioeconômica e política do país piorou desde a chegada de Lobo ao poder, seis meses após o golpe de Estado, em 28 de junho de 2009. “O desempenho econômico do país é negativo, com todos os indicadores básicos em queda, além do endividamento do governo e o aumento do preço dos alimentos básicos, combustíveis e eletricidade. O aumento da insegurança jurídica e da criminalidade em Honduras nos colocou entre os três países mais violentos do mundo”, escreveu.
Analisando as tentativas para que Honduras regresse aos organismos internacionais e para que o governo Lobo seja reconhecido, Zelaya ressaltou que “as demandas apresentadas pela comunidade latino-americana foram, de forma traiçoeira, contornadas e ignoradas” pelo governo atual. Segundo Zelaya, o fato de Honduras permanecer isolada “é considerado em todo o continente como um claro fracasso.”
Países que haviam suspendido relações após o golpe, já normalizaram a relação bilateral. Entre eles estão a maioria dos países da América Central, além de EUA, México e Chile. No entanto, países como Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador condicionam o reconhecimento do atual governo ao retorno de Zelaya.
“Nestas circunstâncias, pedimos novamente ao povo que lidere a luta e ao governo, que reconsidere suas posições, para acabar com a perseguição política e a repressão maciça contra a resistência”, concluiu o ex-presidente.
Reformas
Zelaya elogiou a aprovação de reformas no Artigo 5 da Constituição hondurenha, “uma resposta correta às aspirações do povo”. O presidente deposto e a FNPR (Frente Nacional de Resistência Popular de Honduras) são a favor das alterações e criticam somente seu uso político.
A reforma do artigo 5 da Constituição ampliou a figura do plebiscito e do referendo e eliminou muitas das restrições legais que, de fato, tornavam impossível sua aplicação.
Segundo Tomás Andino, membro da Comissão de Análise da FNRP e ex-deputado do Partido de Unificação Democrática (UD), a reforma seria “mais uma armadilha do governo norte-americano para consolidar o atual governo” e preparar as condições para o processo eleitoral de 2013.
Ao longo de dezembro de 2010, um tribunal comum começou a livrar Zelaya das acusações que motivaram o golpe. Além disso, estuda-se uma anistia política de via dupla, que inclui os responsáveis pelo golpe, e agora o plebiscito e o referendo ficam sem restrições.
Para Andino, os Estados Unidos acreditam que, “para encerrar a crise aberta com o golpe de Estado, é necessário debilitar a beligerância da Resistência” por meio do regresso “de um Zelaya moderado, que se reintegre à vida política do país sob as regras de seu jogo”.

