Um dos argumentos brandido à exaustão pela mídia conservadora para justificar a PEC 241, chamada de PEC do fim do mundo, que congela o orçamento da União por 20 anos, é que o Brasil está quebrado. Isso evidentemente é uma falácia, uma deliberada confusão que busca seu lastro no fato de que vivemos, sim, a pior recessão econômica dos últimos 70 anos. São coisas diferentes.
Vivemos a pior recessão com uma queda acumulada do PIB em 2 anos de quase 8%, mas a dívida pública bruta, cerca de 66% do PIB, e líquida, em torno de 40% do PIB, não é alta. Ela é cara, remunerada à mais elevada taxa de juros do planeta. Se comparada com os países da OCDE, como Japão, EUA e Reino Unido, é até baixa. A deliberada confusão entre recessão e quebradeira visa construir as condições psicológicas na opinião publica para aprovar o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, que é sem duvida a mais radical desconstrução de um Estado desde a destruição de Sodoma e Gomorra.
Congelar os gastos públicos por 20 anos sem ter universalizado o acesso à educação, à saúde e ao saneamento básico, sem levar em conta o crescimento populacional e o envelhecimento médio da população, o que encarece os gastos previdenciários e em saúde, é uma politica genocida.
Essa política, para ser aceita passivamente na opinião publica e passar no Congresso, precisava de duas narrativas falsas: a primeira é a de que o Brasil está quebrado, a segunda é de que o déficit fiscal primário de 2015 e 2016 é a causa da recessão, quando é exatamente o oposto – a recessão é a causa do déficit fiscal primário. Para viabilizar estas duas mentiras foi preciso censurar os economistas dissonantes, que jamais são chamados para debater ou opinar sobre isso nas redes de televisão.
Para conter a insatisfação que certamente virá com os resultados dessa politica, teremos o recrudescimento autoritário.
Genocídios são incompatíveis com a democracia.

