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Justiça da Guatemala condena ex-ditador a 80 ano de prisão

José Ríos Montt foi condenado por genocídio e crimes contra a humanidade; ele responde pela morte de 1.771 indígenas da etnia Ixil
 
No último dia 10 de maio, a Justiça da Guatemala condenou José Ifraín Ríos Montt, ditador do país centro-americano durante a década de 80, a 80 anos de prisão. A sentença se deu por genocídio e crimes contra a humanidade. Ríos Montt responde pela morte de 1.771 indígenas da etnia Ixil durante os 15 meses de seu governo, entre 1982 e 1983. Pela primeira vez na história do país um ex-chefe de Estado é processado por violações aos direitos humanos.
 
Em 1982, Ríos Montt participou de um golpe militar e dividiu o poder com dois outros militares. Poucos meses depois, deu um golpe nos próprios golpistas e se declarou presidente e comandante supremo do exército. Os 18 meses em que esteve sob controle total do Estado e das Forças Armadas são considerados os mais sangrentos da guerra civil guatemalteca (1960-1996), em que se enfrentavam o exército, grupos paramilitares de direita e forças insurgentes contra a ditadura. 
 
Nos dados oficiais até hoje sistematizados, a guerra deixou cerca de 400 mil mortos, 40 mil desaparecidos e 1 milhão de refugiados. 
 
Ríos Montt foi condenado a 50 anos de prisão pelo crime de genocídio e 30 anos por crimes contra a humanidade. A juíza Jazmín Barrios declarou que a conduta de Ríos Montt foi “inexplicável e incompreensível, pois tendo conhecimento, poder e capacidade para ordenar o exército, permitiu que se massacrasse a população civil do grupo étnico ixil”. 
 
A juíza Jazmín Barrios também decretou suspensão da prisão domiciliar que gozava Ríos Montt há mais de um ano. Sua sentença deve ser cumprida em uma prisão guatemalteca.
 
Leia mais sobre a condenação do ditador aqui.

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