A vereadora Keit Lima (PSOL-SP) protocolou na Câmara Municipal de São Paulo um pedido de abertura da CPI da Água: entre a seca e a enchente, com o objetivo de investigar as causas, responsabilidades e consequências da crise hídrica e das enchentes que atingem a capital paulista. A proposta busca garantir transparência e cobrar soluções estruturais diante do agravamento da crise climática na cidade.
Para Keit, a ineficiência e a omissão do poder público diante de desastres ambientais revelam uma gestão que falha em proteger a população mais vulnerável. A vereadora critica a ausência de políticas preventivas e a falta de urgência da Prefeitura de Ricardo Nunes e do governo estadual de Tarcísio de Freitas em adotar medidas eficazes.
O requerimento destaca que a crise hídrica e as enchentes atingem de forma desigual a população, penalizando principalmente as periferias e comunidades de baixa renda. Segundo Keit Lima, essa desigualdade evidencia o racismo ambiental, que faz com que determinadas regiões da cidade sofram mais intensamente os efeitos da escassez de água e da falta de infraestrutura urbana.
Durante a crise hídrica, o governo estadual anunciou uma redução da pressão no sistema de abastecimento por até 16 horas diárias, uma medida que, na prática, prejudica principalmente os bairros mais afastados.
Já em relação às enchentes, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a gestão municipal apresente um plano estrutural para o problema, após reconhecer a omissão continuada e ações pontuais no combate às inundações.
A CPI proposta por Keit Lima prevê sete membros e prazo de 120 dias para investigar a atuação da Prefeitura e dos órgãos responsáveis pela gestão hídrica e pelo controle de enchentes. O objetivo é levantar dados, identificar negligências e propor soluções permanentes que priorizem justiça social e ambiental.

