O deputado João Alfredo, líder da bancada do P-SOL, atuou como mediador no episódio de ontem, em que centenas de militantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) ocuparam o prédio da Câmara dos Deputados. Ao final de horas de impasse, por voltadas 16 horas os manifestantes começaram a se retirar, em fila, após um apelo de uma comissão de deputados, comandada por João Alfredo. "Nós tentamos evitar de todas as maneiras um derramamento de sangue. Por isso negociamos com os manifestantes, pedindo que eles deixassem a Casa de forma ordeira", afirmou.
Ainda quando os manifestantes começaram a sair, ameaçaram resistir e
retornar diante da notícia de que a Polícia Militar os levaria para o
presídio da Papuda. Temendo um novo confronto, João conversou com o
comandante da operação policial e com os manifestantes, no sentido de
negociar a rendição pacífica. Um efetivo de 400 homens, sendo cem deles
do Batalhão de Operações Especiais (Bope) aguardava os militantes do
MLST fora da Câmara. Em número de 534, eles foram levados ao Ginásio
Nilson Nelson, para autuação e interrogação, operação que terminou pela
madrugada.
“Os fatos têm que ser apurados e os responsáveis têm que responder
pelos seus atos”, disse o líder do P-SOL depois. “Mas não podemos
esquecer as causas que motivaram este episódio. Como relator da CPMI da
Terra sei bem que a reforma agrária é uma promessa não cumprida pelo
governo Lula, por isso os manifestantes deveriam ter se dirigido ao
Palácio do Planalto, e não à Câmara dos Deputados”.
Os manifestantes vinham com uma carta para ser entregue aos presidentes
da Câmara e do Senado. “O que aconteceu foi uma explosão, que saiu
completamente do controle. Não acredito que tudo que aconteceu foi
intencional”, disse João Alfredo.

