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Luka Franca | Enegrecer a luta contra o golpe é fundamental

Artigo publicado orginalmente no Opera Mundi

É novembro negro. Tomara que consigamos realmente pensar luta política.

Novembro negro. Época para lembrar Aqualtune, Dandara e Zumbi com mais força. 20 de novembro não é uma data apenas de comemorar as vitórias arrancadas pela população negra brasileira, mas também reafirmar a nossa resistência contra o racismo e a exploração de classes.

Em um ano tão cheio de reviravoltas este mês de novembro possuí uma importância política ainda maior. Com o golpe é imperativo que a esquerda, principalmente a branca, reflita o quanto a luta contra o racismo, o machismo e a LGBTfobia é tão estratégica quanto a luta de classes. Não apenas refletir sobre isso, mas da reflexão conseguir combater o racismo e machismo institucional que reside na própria esquerda.

O processo deflagrado de maior criminalização aos movimentos sociais no último período tem ligação direta com a estrutura social do Brasil que aparta, marginaliza, segrega, criminaliza, pune e mata os negros, indígenas, mulheres, LGBTs e trabalhadores no Brasil. Essa ligação é tão evidente para o movimento negro que diversos coletivos e entidades negras têm apontado o quanto a Casa Grande vem atuando para desorganizar permanentemente as conquistas obtidas pela população negra no último período. O mesmo podemos observar com os direitos conquistados pelas mulheres.

É parte importante do projeto político do golpismo combater a tomada de consciência negra da nossa população. É necessário para este projeto que intensifica a morte da juventude negra e de mulheres negras aprofundar a crença no mito da democracia racial brasileira.

Para tal, a Casa Grande, não se utiliza mais apenas de suas representações políticas diretas para minar as disputas políticas ganhas pela negritude brasileira. A Casa Grande, a direita, os golpistas se utilizam, inclusive, do importante debate sobre a representatividade que o movimento negro apresenta há décadas para tentar acelerar o combate a tomada de consciência negra em nosso país.

Não existe combater o golpe se não falarmos de racismo e machismo. Não existe falarmos de destruição do capitalismo se não falarmos do combate ao racismo e ao machismo de forma conjunta. A direita já entendeu isso e atua cotidianamente pra aprofundar ainda mais as diferenças de classe, raça e gênero existentes como parte do mesmo projeto político.

O desafio para a esquerda se reinventar, ganhar musculatura para o combate ao golpe, superar a perspectiva de conciliação de classes e garantir avanços de direitos para a população se dá justamente na necessidade de entendermos que a luta contra o machismo e o racismo são direta e profundamente ligadas a luta antisistêmica.

É importante lembrar isso. Lembrar todos os dias, semanas, meses e anos. Lembrar que a direita é branca. O golpismo é branco.

Eles reinstauraram no governo do país a Casa Grande com o golpe e sabe por quê? Porque historicamente os negros e indígenas desse país e da América Latina quando se aquilombaram, organizaram e combateram venceram os opressores e exploradores. É um fato.

Combater a organização política daqueles que foram objetificados, explorados até a morte e tidos todos os seus direitos retirados é fundamental para a burguesia branca, pois sabem a força que temos quando estamos juntos para combatê-los nós os derrotamos e há muitas referências no Brasil, América Latina e mundo que mostram isso.

É 20 de novembro. É novembro negro. Tomara que daqui pra frente consigamos realmente pensar a luta política naquilo que realmente é necessário para combater o golpe e a burguesia brasileira.

luka_franca

 

 

 

Luka Franca é jornalista e militante do PSOL

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