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Maioridade penal: basta de impunidade para a grande imprensa

A Folha de S. Paulo afirma que “93% dos paulistanos querem redução da maioridade penal”, referindo-se a pesquisa feita pelo Datafolha, em 15/04. O jornal diz que o debate “voltou à tona” com o assassinato do universitário Victor Deppman, em 09/04, em São Paulo. O suspeito pelo crime é um jovem de 17 anos.
 
Mas o debate “voltou à tona” devido à idade do criminoso ou por escolha da grande imprensa? Afinal, devem acontecer dezenas de crimes semelhantes por semana nas grandes cidades brasileiras. Mas poucos envolvem vítimas de classe média e se prestam tão bem à pauta conservadora da mídia comercial.
 
Por exemplo, apenas 1% dos “adolescentes infratores” da Fundação Casa (antiga Febem), cometeu crimes contra a vida. Divulgada este mês, a estatística recebeu divulgação bem mais discreta.
 
Na verdade, há uma opção clara pelo exagero dramático dos crimes de menores pobres, em prejuízo de números que desmentem sua suposta sanha assassina. Para a imprensa comercial, os 99% formados por adolescentes que jamais mataram são representados por uma minoria cruel, mas insignificante.
 
É desse modo que a mídia grande influencia a realidade. Apresenta um fato com grande destaque e, sob seu impacto, colhe dados apenas para confirmar as teses que defende subterraneamente. É péssimo jornalismo, sociologia vulgar e conservadorismo enrustido.
 
A imprensa empresarial fala muito de impunidade, mas é ela que impunemente usa suas estatísticas tortas para criar o clima de medo que alimenta o conservadorismo. Ajuda a justificar a violência policial responsável pelo verdadeiro massacre de jovens negros e pobres nas grandes cidades.

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