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Militantes são presos e agredidos pela PM em manifestação de estudantes

Manifestação em SBCUma manifestação organizada por estudantes da Universidade Metodista com o objetivo de diminuir o valor das mensalidades terminou com feridos e presos na noite de quarta-feira, 29 de março, em São Bernardo do Campo. Entre os manifestantes agredidos estavam militantes e dirigentes do P-SOL.

Os alunos se organizaram no pátio do Campus Rudge Ramos e promoveram um apitaço contra o aumento das mensalidades, o sistema de catracas, gastos desnecessários da instituição, por uma biblioteca mais atualizada e contra a falta de envolvimento dos movimentos estudantis nas decisões da Universidade.

Com gritos de guerra como “Vamos ensinar a reitoria que educação não é mercadoria”, eles passaram pelas salas de aula para convidar os colegas a não comparecerem às atividades curriculares. Do lado de fora, na Rua do Sacramento, estudantes expunham suas idéias através de um carro de som.

Os organizadores conduziram os cerca de mil manifestantes para a Rodovia Anchieta, próxima ao local e, em pouco tempo, fecharam a pista marginal, sentido São Paulo. O congestionamento chegou a um quilômetro.

Em aproximadamente vinte minutos a polícia chegou e entrou em confronto com os alunos. Apesar dos apelos dos organizadores da manifestação, o 2º Tenente da PM, sr. Bijarta, não quis abrir qualquer possibilidade de negociação. Aspergiu gás pimenta no rosto de Vinícius (Vina) Guerrero, da direção do CA de Jornalismo, lançou bombas de efeito moral e ordenou a prisão do estudante Valmor Isolanni, escolhido aleatoriamente pelo policial.

No momento da prisão, Valmor foi espancado por quatro policiais, o que provocou a revolta dos estudantes que já haviam abandonado a rodovia. Esta atitude fez com que os organizadores perdessem o controle do movimento. Pedras foram lançadas contra uma das viaturas, provocando algumas marcas na lateral direita e o estilhaçamento do vidro da lateral traseira.

Durante todo o protesto, o Coordenador do P-SOL de São Bernardo, Anderson Mangolin, tentou negociar uma saída pacífica com o PM Bijarta, porém, o mesmo parecia “transtornado”, aos berros anunciando que ía “arrebentar aquele bando de boyzinhos”. Assim que os estudantes desceram para a Universidade, Mangolin voltou para pedir ao Capitão da PM Rodoviária que parasse de mandar seus homens perseguirem os manifestantes e não lançasse mais as bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio. Neste momento, apesar da disposição inicial do Capitão em dialogar, o PM Bijarta  chegou gritando: “pega esse vagabundo, ele é o líder”. Diante da pressão do policial, o Capitão ordenou a prisão de Mangolin, que teve vários revólveres apontados para sua cabeça e as mãos algemadas para trás. A caminho da viatura, foi ofendido, levou pisões e chutes, além de um soco nas costas.

Minutos depois, dois policiais traziam Vina Guerrero, que também é membro da direção do P-SOL de São Bernardo, algemado para o camburão. Dali, rumaram para o 2º DP, no Rudge Ramos. Lá, o 2º Tenente Bijarta e um outro policial não identificado, conduziram Mangolin a uma cela de aproximadamente 1,5 x 2 m, chamada no jargão policial de “corró”. Segundo Mangolin, “Bijarta perguntou ao outro PM se ali tinha big brother. Diante da negativa do comparsa, ele passou a me agredir com socos no estômago, nas costas e nas laterais, creio que para acertar os rins e o baço. O outro policial bateu somente nas costas, tanto com as mãos quanto com a ponta do cacetete”.

Logo em seguida, outro camburão chegava com mais três estudantes detidos: Valmor, que fora espancado na Via Anchieta, Karlos, que fazia a cobertura fotográfica da manifestação, e Fellipe, de apenas 17 anos, sobrinho do também militante do P-SOL e professor da Universidade Metodista, Hélio Rios. Outros dois manifestantes, dirigentes do movimento estudantil que estavam na porta da delegacia para pedir informações sobre os detidos, também foram presos. Entre eles, o militante do P-SOL Flaviano Cardoso, do CA de Direito da Metodista.

Os sete detidos foram obrigados a permanecer de pé, com as mãos para trás, cabeças baixas e descalços no “corró”, que tinha o chão molhado e imundo. As humilhações, xingamentos e tapas não pararam até o momento da transferência para o 1º DP de São Bernardo, no Bairro Baeta Neves.

Os manifestantes tiveram seus pertences recolhidos pelos policiais e o direito de ligação telefônica negado. Já no DP do Baeta, a ação violenta continuou, através de ofensas e empurrões. Só cessou com a intervenção da Delegada, Drª Marta, que tratou todos de maneira digna e condizente com as atribuições de funcionária pública.

Como provas materiais da ação dos estudantes, os policiais trouxeram uma viatura completamente destruída por eles mesmos (aquela mesma viatura que tinha somente um vidro quebrado) e pedras tão grandes que, provavelmente, precisariam de uma catapulta para serem arremessadas contra os policiais e seus veículos. Os sete manifestantes permaneceram presos até a manhã do dia seguinte.

O primeiro a ser liberado foi Fellipe, ainda adolescente e ilegalmente mantido em uma cela com adultos, após a intervenção da Conselheira Tutelar Helen Carmona (P-SOL/SBC). Os demais tiveram o apoio de cinco advogados: Wagner Lino, que é vereador em São Bernardo (PT), um de seus assessores, um pai e uma mãe de alunos da Umesp e uma amiga da família de Guerrero. Também contribuiu um estagiário de direito da Força Estudantil. Do lado de fora da delegacia, estudantes e familiares ficaram de plantão durante toda a noite e madrugada exigindo a libertação de seus companheiros.

Entre os pertences recolhidos pelos PMs, estava a máquina fotográfica com a qual o estudante de jornalismo Karlos fizera a cobertura da manifestação. Para surpresa de todos, além de Karlos ter sido apontado por Bijarta como principal responsável pela depredação da viatura, o cartão de memória com as fotos tiradas pelo estudante foi retirado da máquina. Ali estavam as provas da ação desproporcional, desnecessária e truculenta da PM, além da viatura saindo do local com apenas um vidro quebrado.


Você pode contribuir, enviando mensagens de protesto para:

Corregedoria da Polícia Militar: [email protected]
Governador do Estado de São Paulo:  2193-8000 [email protected]
Reitor da Universidade Metodista de São Paulo: [email protected]
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Vereadores de São Bernardo do Campo:  [email protected]
Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo: [email protected]
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados: [email protected]
Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal: [email protected]

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