Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (os LGBTs) correspondem a um
dos setores mais discriminados e oprimidos da nossa sociedade. Diante
disso devemos perguntar: o que se pode fazer para mudar esta situação?
O que de fato está sendo feito?
Nos últimos tempos temos assistido a uma avalanche de reportagens que
tentam nos convencer de que o preconceito acabou. A maioria delas
associa este “avanço” ao “grande mercado” que gays e lésbicas
representam; um mercado que estaria sendo “descoberto” e fazendo
circular muito dinheiro. Trata-se de uma lógica perversa do seguinte
tipo: “se eles consomem, não devem ser discriminados”. Mas, a realidade
não é bem assim. Os LGBTs continuam a sofrer constrangimentos e
discriminações nos locais de trabalho, nas escolas, nas redes públicas
de saúde e de segurança. Muitos têm dificuldade em conseguir emprego,
caso assumam sua orientação sexual, o que, no caso dos transgêneros,
assume proporções gravíssimas. Lésbicas e gays são muitas vezes
preteridos nas promoções e quase nunca ocupam cargos públicos
importantes (quantos ministros, juizes ou deputados lgbts existem?). Os
que passam pelo sistema prisional sofrem humilhações. Os que, ao
contrário, sofrem de alguma forma de violência, têm ainda menos chances
de ver seu agressor punido.
Por que há discriminação?
E por que tudo isso? A estrutura familiar tradicional patriarcal,
conservadora, pode ser muito conveniente para o sistema. Ela garante a
reprodução não apenas da mão-de-obra a ser explorada, mas também de um
sistema de valores hierárquico. LGBTs são incômodos para quem tem
interesse em manter a sociedade sob controle, a não ser na medida em
que “consomem”. Mas a realidade da imensa maioria dos LGBTs está muito
longe da mistificação feita por muitos programas de TV; está muito mais
próxima das dificuldades de quem vive nas periferias e favelas. Quando
a discriminação pela orientação sexual e a pobreza se juntam é que
efeitos mais dramáticos aparecem. E não isso que a Globo retrata nas
novelas.
Governo Lula só nos dá promessas, de concreto mesmo…
O PT sempre se disse ao lado das minorias e sempre se mostrou sensível
às suas reivindicações. No entanto, o governo Lula moveu céus e terra
(segundo acusações que aparecem agora até de maneira ilícita) para
votar diversas “reformas” e não se mobilizou para aprovar projetos de
interesse de LGBTs. O governo recuou da posição internacional
progressista que o país vinha adotando (para não contrariar alguns
países com os quais há relações comerciais) e aprovou um muito
propagado plano chamado “Brasil sem Homofobia” que, além de propaganda,
não saiu do papel. Por que o governo, que se vangloria tanto de ter
maioria no Congresso, não fez aprovar uma legislação acabando com todas
as formas de discriminação? Por que LGBTs continuam sem acesso a alguns
direitos elementares?
Celebrar a vida, lutar por um mundo sem opressão
Precisamos celebrar o orgulho LGBT, com festa, com alegria, com a
diversidade muito bem expressa pelas cores do arco-íris. Mas precisamos
também nos mantermos atentos, organizados, lutando por um mundo em que
todas as pessoas possam ser felizes, livres da exploração, livres para
expressar e realizar seus desejos, livres de toda forma de opressão.
No lugar da esperança, o “mensalão”…
Os atuais escândalos de corrupção são um subproduto inevitável da opção
política feita pela direção do PT e pela cúpula do governo federal. Ao
aprofundar as políticas econômicas de seus antecessores, como o governo
FHC, sacrificando ainda mais os trabalhadores para favorecer aos
banqueiros, o governo Lula decidiu entrar em rota de colisão com sua
base social e histórica, como os servidores públicos, a juventude, a
população pobre do nosso país, sem-terra, sem-teto, trabalhadores e
oprimidos. Para enfrentar a resistência da população contra seu governo
antipopular, Lula e o PT transformaram em novos aliados partidos como
PP, PL, PTB, PMDB, um grupo de conhecidos inimigos do povo. Com esses
novos aliados, o governo do PT aprovou muitas medidas contra a maioria
da população. A aliança com mercenários políticos só pôde acontecer
sobre um sujo balcão de negócios, em que a apropriação indébita de
recursos públicos é condição indispensável. Infelizmente, o PT acabou
se comportando da mesma maneira que o PSDB no governo anterior.
A única forma de conseguir que a CPI tenha eficácia é a mobilização
popular. O P-SOL, através do conjunto de sua militância, e de seus
parlamentares, tem exigido que todas as denúncias sejam profundamente
apuradas, com a punição dos comprovadamente envolvidos e o
ressarcimento aos cofres públicos. Nossa postura, no entanto,
diferencia-se daquela observada em partidos como o PSDB e o PFL, que
não têm as mínimas condições morais e políticas de criticar a corrupção
no atual governo; vide seus históricos de protagonistas em governos
corruptos.
O P-SOL se soma à sociedade em sua indignação contra este estado de
coisas. E não é só a corrupção aparentemente generalizada neste governo
que nos causa indignação, mas a sua correspondente política econômica
servil aos interesses do capital e sua disposição, cada dia maior, de
atacar os direitos e conquistas da maioria da população.
Pré-Núcleo Diversidade Sexual do P-SOL/RJ
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