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Nota de solidariedade do PSOL ao povo Guianês e à greve geral

Nota aprovada pela Executiva Nacional do PSOL no dia 01/04/2017

NOTA DE SOLIDARIEDADE DO PSOL AO POVO GUIANÊS E À GREVE GERAL

Desde o dia 27, segunda passada, a colônia francesa da Guiana está paralisada por uma mobilização social sem precedentes e uma greve geral.

01) Manifestações enormes aconteceram na terça, 28 de março na capital Cayena, St Laurent du Maroni e em outras cidades. Foram as mais importantes manifestações que já aconteceram na região, segundo as autoridades coloniais francesas.

02) Toda a população está mobilizada, com toda a diversidade de participação. Os indígenas abriram enormes marchas. Os jovens, participam com um número expressivo das marchas, também aderiram à greve. Estão presentes todas as cores, e todos os grupos comunitários estiveram representados. Pela primeira vez, toda a diversidade cultural marchou junta.

03) Todos os caminhos ao litoral, o Porto comercial, o Centro Espacial Guyanês, a Prefeitura, a Coletividade Territorial da Guiana estão bloqueados e tomadas pela população e por diversos dirigentes e militantes dos movimentos sociais. Todos os estabelecimentos escolares do litoral estão fechados, o bairro dos comércios da cidade de Cayena baixou suas portas, os vôos aéreos estão cancelados, o lançamento do foguete que devia ter acontecido na última terça foi suspenso. A União Geral dos Trabalhadores Guyaneses (UGT, Union générale des travailleurs guyanais) declarou greve geral ilimitada.

04) Esta cólera se origina do desprezo do Estado francês para com a Guiana desde há décadas. Por um lado, o Estado é capaz de investir milhões de euros para fazer os lançamentos dos foguetes a cada mês, e por outro lado, não destina dinheiro para construir escolas, deixando, a cada ano, mais de 2.000 crianças sem acesso a educação. Não há dinheiro para a saúde, os hospitais estão com um déficit agudo, os cortes orçamentários são sucessivos, os Centro Médico-Cirúrgicos foram colocados à venda para investidores privados. Não há dinheiro para os serviços públicos, para os agricultores, para os desportistas, etc.

05) A expectativa de vida ao nascimento é de 3 anos inferior à da França europeia, o índice de mortalidade infantil é de 12,1 para cada 1000 nascimentos vivos, contra 3,7 na metrópole. Este abandono da Guiana conduz a uma taxa de desemprego de mais de 20 %, a uma taxa de pobreza estimada em mais de 60 %, a uma taxa de criminalidade com maior expressão entre os territórios regidos pela França.

06) Esta situação que se estabeleceu na vizinha Guiana é um estímulo para nós, aqui no Brasil, que também estamos construindo uma unidade em torno da greve geral. O povo guyanês nos mostra a voz da mobilização para conduzir seu próprio destino e lutar por condições dignas de vida para toda a população.

07) Só a mobilização do conjunto da sociedade guianesa permitirá conquistar vitórias. Algumas delas já são vistas, como a dos trabalhadores assalariados de Endel que, bloqueando o lançamento do foguete Ariane, obtiveram um aumento dos seus salários.

08) A Executiva Nacional do PSOL se solidariza com o povo guianês na sua luta em defesa dos seus territórios, por autonomia e autodeterminação, assim como por manutenção e conquista de direitos e condições dignas de vida e trabalho. A greve geral e as manifestações em curso na Guiana fortalece o caminho da luta internacionalista em nosso continente.

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