No dia 19 de março, a Vila do Campo, comunidade próxima à praia de Maracaípe no município de Ipojuca, em Pernambuco, foi surpreendida por uma violenta intervenção policial de despejo das famílias daquela comunidade. A imprensa mostrou a violência aplicada no despejo de moradores e moradoras da Vila do Campo, assim como a violência aplicada contra militantes ambientalistas e de movimentos sociais, entre eles a companheira Fabiana Honório, militante ambientalista da AMAI e do PSOL, que estava presente para solidarizar-se e resistir contra a desocupação da comunidade.
Cerca de 1000 pessoas que vivem nas 170 casas da vila, e encontram-se em luta pela posse daquelas terras desde 2004, estão sendo removidas e suas casas demolidas. Em fevereiro deste ano, as autoridades decidiram retirá-las de suas moradias para atender aos interesses de uma multinacional portuguesa e dar lugar à construção de hotéis.
A área onde encontra-se a Vila do Campo foi doada por Antônio Chalaça ao governo estadual há algumas décadas, porém este nunca regularizou a posse e não possui escritura lavrada em cartório. Ou seja, assim como @s moradores/as de Vila do Campo, o governo estadual é posseiro e não poderia fazer a venda à multinacional portuguesa sem a referida documentação. Durante muitos anos, funcionou, nessa mesma área, a Casa do Governador, que serviu como casa de veraneio para o ex-governador Miguel Arraes e, em seguida, passou a ser utilizado pelo IPA. Nesse mesmo período, foram sendo construídas as primeiras casinhas da vila. As famílias ocuparam este terreno devido à falta de moradia na região e à carência de uma política habitacional para atender a demanda do pólo industrial de Suape e do complexo turístico de Porto de Galinhas.
Que interesses movem uma ação tão arbitrária e truculenta? Voltados para os preparativos da Copa 2014, parlamentares, prefeitos e o governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos do PSB, voltam-se às construções de megaprojetos para satisfazer às multinacionais e ao capital estrangeiro, em detrimento da população em situação de precariedade. O terreno da Vila do Campo é de propriedade do Estado, e está sendo privatizado com a venda a uma empresa portuguesa. Se as terras da comunidade pertencem ao estado, então sua ocupação e a resistência para pesrmanecer nela não são ilegítimas e nem são um crime a ser punido com cassetetes e estrangulamento de militantes e moradores. Infelizmente, essa é uma realidade que assola várias cidades brasileiras, cujas comunidades tradicionais e das periferias estão sendo removidas e expulsas de suas casas para atender aos interesses da FIFA e da especulação imobiliária. No caso de Ipojuca, o governo de Eduardo Campos está sendo conivente com essa injustiça social cometida contra a população ipojucana.
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do município de Ipojuca, assim como o setorial estadual de mulheres do PSOL de Pernambuco, denunciam a injusta e violenta ação do Estado contra a comunidade de Vila do Campo, e se solidariza com a companheira Fabiana Honório, militante feminista e ecossocialista do PSOL, cuja trajetória e coragem muito nos orgulha.
20 de março de 2013.
Setorial Estadual de Mulheres do PSOL de Pernambuco
PSOL de Ipojuca

