Diminuir a diferença entre o maior e o menor salário é esforço que o governador Tarso Genro não faz, embora existam vários compromissos políticos e promessas eleitorais nesse sentido. A circunstância da Polícia Civil hoje é emblemática.
Tarso separou negociações entre agentes, que compõem a base da instituição, e delegados, que estão no topo da hierarquia. Ele propôs aos delegados – que corretamente reclamam reajuste – calendário com ganhos muito superiores aos dos agentes.
Os agentes, tão perplexos com as negociações, propuseram o seguinte: se o governo não tem como encaminhar calendário que estabeleça a tabela sugerida para todos, agentes e delegados, que sejam zeradas todas as negociações. O argumento? A Polícia Civil é uma só. Por isso, eles fizeram paralisação nos dias 21 e 22 de março.
Os agentes, mais do que por um índice, lutam por salário na proporção certa para todos, contra o abismo salarial. Não há como não apoiá-los.
Há bom parâmetro para tanto, como é do conhecimento do ex-ministro da Justiça Tarso Genro. Na Polícia Federal, a diferença entre os vencimentos de agentes e delegados está hoje em cerca de 60%. Não é um degrau pequeno, mas também não é um abismo.
A diferença entre os salários de agentes e delegados no Rio Grande do Sul hoje é cinco vezes maior do que na Polícia Federal. Em números, o abismo está hoje em 311%, e Tarso propôs que seja de mais de 350% em 2018.
A política salarial do governo privilegia aqueles que hoje detêm os mais altos rendimentos dentro do Poder Executivo. É inaceitável ver o topo da pirâmide selar negociação de vulto e assistir à base da pirâmide ser acusada de intransigência, de radicalismo, de incompreensão com as dificuldades de caixa.
Existem distorções na folha de pagamento que precisam ser corrigidas. Mas Tarso Genro propôs aumentar o abismo no Poder Executivo, justamente onde estão os servidores que se ocupam do tripé fundamental do serviço público: educação, saúde e segurança pública.
Notem que a situação se repete em outras pastas.
Na educação, o governo decidiu não cumprir a lei do piso salarial do magistério. Mas, na Secretaria de Fazenda, onde estão concentrados altos salários, Tarso Genro propôs em 2011 reajuste de 85%. Não estamos falando de distorções entre Executivo, Judiciário e Legislativo. O governo está aumentando o abismo entre servidores do Executivo.
* Fernanda Melchionna é vereadora pelo PSOL Porto Alegre (RS)


