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Operação com 400 homens do BME em Aracruz retira moradores de área para construção de casas populares

Cerca de 500 policiais do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar realizaram uma operação, nesta quarta-feira (18), para retirar os cerca de 2 mil ocupantes de uma área da Prefeitura de Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A ação ocorre no distrito de Barra do Riacho.

Segundo alguns moradores, a polícia usou de violência, disparando contra os ocupantes bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo para forçar a saída das famílias.

Por volta das 16h20, moradores e policiais voltaram a entrar em confronto. Revoltados com a demolição das casas, moradores teriam arremessado pedras contra os policiais, que revidaram com balas de borracha.

Na confusão, quatro pessoas – entre elas dois menores de idade de 12 e 17 anos – foram detidas e encaminhadas para a Delegacia de Polícia de Aracruz. Uma acompanhante de um dos menores informou que ele foi agredido pelos policiais na região da costela e terá que ser levado para o hospital.

Além dos menores, foram encaminhados à delegacia Willians Matias do Nascimento, 21 anos, e Wanderson Vieira dos Santos, 22 anos. O BME e a Prefeitura de Aracruz não se manifestaram sobre o episódio.

Moradores relataram que uma criança de cinco anos foi atingida por uma bala de borracha. Uma outra, de dois anos, também teria se ferido. Ela estava no colo do pai, que que caiu ao se assustar com o barulho de um dos disparos da polícia. A reportagem esteve no Hospital São Camilo, o único localizado na região, mas a informação não foi confirmada pelos funcionários do hospital.

Uma funcionária do hospital disse que um dos médicos telefonou pedindo para que a equipe do pronto-socorro da unidade hospitalar ficasse em alerta pois cinco moradores feridos no confronto seriam encaminhados para a unidade, o que também não aconteceu.

Nesta tarde, um representante da prefeitura de Aracruz esteve em Barra do Riacho e informou que todos os pertences dos moradores que não foram retirados serão levados para o Parque de Exposições da cidade, onde estarão disponíveis aos moradores.

O Executivo Municipal já iniciou também a demolição das 312 casas de alvenaria, de cerca de 30 a 40 metros quadrados cada, que foram construídas no local pelos ocupantes. A área, que chegou a ser batizada pelos moradores como bairro Nova Esperança, será utilizada para a construção de 200 casas do Programa Minha Casa Minha Vida. As obras, segundo a prefeitura, devem ter início ainda este ano.

Por volta das 16 horas desta terça-feira (17), viaturas policiais cercavam a área e o clima era de tensão entre os moradores. A prefeitura havia conseguido um mandado judicial de reintegração de posse da área pública há cerca de seis meses. No entanto, os moradores alegam que não haviam recebido nenhuma ação de despejo e nunca foram procurados pela administração municipal para negociar.

Eles afirmam que, como a construção das casas do Programa Minha Casa Minha Vida ainda não havia tido início no local, resolveram ocupar o terreno, há cerca de um ano. Os ocupantes não aceitavam deixar o local. Segundo eles, com a aproximação da polícia, era disparado um alarme sonoro e pessoas soltavam fogos de artifício para alertar e mobilizar toda a população local. Além disso, foram feitas barricadas nos acessos.

Em nota, a Prefeitura de Aracruz informou que a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social está cumprindo uma determinação da Justiça, para que a Polícia Militar e o Batalhão de Missões Especiais realizem a desocupação de uma área pública invadida em Barra do Riacho. A área está destinada para a construção de 200 casas para famílias carentes da região e para construção de creche e escola. A Prefeitura de Aracruz ressalta que os invasores estão cientes, desde o início, que a área é pública, e que a decisão judicial precisará ser cumprida e respeitada.

O movimento dos sem teto repudia qualquer intervenção e em especial a Violência policial. O “governo socialista” de Casagrande age conforme a cartilha repressiva legada pelo seu antecessor.

É em uma situação concreta de violação dos Direitos humanos como esta de Barra do Riacho, que devemos ter garra e mobilização, não só para mostra ao povo sofrido que apesar do estelionato eleitoral aplicado com a conivência do PT e demais partidos, no Espírito Santo existe oposição de verdadade para denunciar tantos desmandos.

O PSOL-ES estuda entrar com representações junto à Corregedoria da Policia Militar, no Ministério Públicoe nas diferentes instâncias possíveis.

A situação em Aracruz realmente foi digna de todo a nossa revolta e repúdio. Centenas de pobres, em sua esmagadora maioria negros e negras, sendo tratados no bico da escopeta.

Neste momento é necessário organizar um grande movimento de oposição a este governo de Casagrande e seus aliados que de socialista não tem nada.

*Com informações de militantes do PSOL-ES e jornal A Gazeta


Clique aqui e leia: OAB-ES repudia ação do BME na desapropriação de terreno em Aracruz, Norte do Espírito Santo

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